É um dever patriótico ler a entrevista de António Barreto ao i. Não para sermos fatalistas - e como somos bons nisso, - mas para reflectir um bocadinho. Eu tenho duas palavras: trabalho e mérito, e a leitura de Antero do Quental: Causas da decadência dos povos peninsulares nos últimos três séculos.
Domingo, 29 de Novembro de 2009
Ai Portugal, Portugal
Sexta-feira, 27 de Novembro de 2009
Redescobrindo-nos
Guilty Pleasures Part I
Quem é que não gostou do Lima Duarte e da Renata Sorrah a tentar impedir a Adriana Esteves e o Mauricio Mattar de cometerem os mesmos erros da sua juventude??
Aquelas paisagens!!!
E o fotografo que deixava as mulheres de Esplendor loucas?
Bem...Se calhar sou só eu...
E a música???? Adoro esta música....
Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009
Paulo Bragança: a entrevista (parte 1)
Por cortesia, Fergal Rock, o realizador de Henry and Sunny comunicou-me que estava disponível a primeira parte da entrevista de Paulo Bragança na qualidade de actor principal do filme. Espero vir a ter a oportunidade de assistir ao filme em Portugal.
Henry & Sunny Paulo Braganca Interview from HenryandSunnyFilms on Vimeo.
Nos desertos do Amor...

De associação em associação, cá vamos nós. Num comentário ao último post, o Paulo César cita certeiramente «Lamento de Rimbaud», canção do álbum «Domingo no Mundo» de 1997, por acaso também o primeiro que comprei de Sérgio Godinho. É um grande álbum, feito essencialmente de colaborações - Kalu, João Aguardela, Tito Paris e outros.
O «Lamento de Rimbaud» é uma música composta para o espectáculo «Os filhos de Rimbaud» onde fui buscar o título do último post, espectáculo esse que reuniu em Novembro de 1996 João Peste, Sérgio Godinho, Al Berto(que leu 'A morte de Rimbaud'), Rui Reininho e Jorge Palma, este incluindo também no seu ábum «Norte» de 2001 a música «Acordar tarde», um poema de Al Berto do seu último livro de poemas, que toda a gente deveria ter, «Horto de Incêndio».
Não sei porquê, o nome de Sérgio Godinho era encarado na geração dos meus pais com alguma desconfiança, não sei bem porquê, mas desconfio que as suas letras de trama poética razoavelmente complexa não sejam muito apelativas às pessoas dessa geração normalmente com pouca literacia, pelo menos no mundo rural de onde vim. Não tendo ouvido Sérgio Godinho por influência dos mais velhos, foi com um concerto em Macau transmitido pelo canal 2, que gravei em VHS, converti para áudio e ouvi milhares de vezes que a epifania aconteceu. Sérgio Godinho é um artesão das palavras, com um sentido de ritmo incrível...a última música dele que contagiou mais do que a gripe cá em casa foi «Bomba Relógio» do álbum «Kronos» de Cristina Branco, também ele excelente e do qual falarei também noutro post.
Uma grande lição que Sérgio Godinho nos traz, é a de que, com a sua permeabilidade a colaborações com outras sensibilidades vai mantendo a sua música actual e viva, o que nos leva ao corolário de que, havendo lugar para a música tradicional na sua forma mais pura, existe contudo também um grande espaço para a sua renovação e reinvenção, pois nem a arte nas suas diversas formas nem a língua sobrevivem se enquistarem e não evoluirem. Para renovar fazem falta visionários como Variações ou Paulo Bragança, para manter o status quo fazem falta outros como o Camané.
Sobre Sérgio Godinho há muito mais para dizer, este post é só mesmo para fazer a Ponte com Rimbaud e os «Filhos de Rimbaud», a ele voltarei concerteza.
Domingo, 22 de Novembro de 2009
Filho de Rimbaud
Reza a história que Jean Arthur Rimbaud escreveu toda a sua poesia antes dos 21 anos. Depois disso foi vivê-la. Esta criança Shakespeare, como lhe chamou Victor Hugo, partiu para parte incerta, diz-se que traficou escravos na Abissínia, e foi convertido ao cristianismo à força pela irmã, no leito de morte, em Paris, pouco após ter feito 37 anos. Por ele Paul Verlaine, grande poeta simbolista, deixou a mulher e filho e levou a paixão ao ponto de sobre ele desferir dois tiros por entre uma discussão certamente embebida em absinto.
Este desejo de partir não é estranho à sua poesia, vejamos um extracto de O Barco Bêbado:
Como eu descia pelos rios impassíveis,senti-me libertar de meus rebocadores.Tomaram-nos por alvo os índios irascíveise pregaram-nos nus aos postes multicores.Já não me preocupava a carga que eu trazia,fosse o trigo flamengo ou o algodão inglês.Quando dos homens se acabou a gritaria,pelos rios voguei, liberto de uma vez.Ante o irado ranger das marés, me lancei,mais surdo que infantis cabeças, no outro inverno,fugindo! E para trás penínsulas deixeique jamais viram tão glorioso desgoverno.
Rimbaud voltou para morrer, ficaram as «Iluminações», a «Cerveja no Inferno» e o «Barco Bêbado», e uma influência vasta no mundo que se seguiu...Patti Smith, Jim Morrison, em Portugal o herdeiro mais directo Al Berto, que ele mesmo já perto do fim escreve 'A morte de Rimbaud', poema imortal.
Agora estou aqui para falar, mais uma vez, de Paulo Bragança, filho de Rimbaud. Toda a sua obra está impregnada dessa vertigem de excesso, do apego ao limite e à vivência nos extremos.
Paulo Bragança, nascido em 67, é ainda um jovem. Gravou até à data quatro álbuns, dois de fado tocado de forma tradicional, mas nada tradicionais na lírica(Notas sobre a alma - 92 e Mistério do Fado - 96), e dois revolucionários passos em frente na música popular portuguesa(Amai - 94 e Lua Semi-Nua - 2001).
Como Rimbaud, apareceu, qual estrela fulgurante subiu ao mais alto firmamento, sendo mesmo editado por David Byrne na Luaka Bop. A sua música, como a poesia de Rimbaud, abre o peito às balas e não se distingue da sua vida. A vida de Paulo Bragança é a sua música, como ele diz numa entrevista acerca de «Lua semi-nua»:
«Isto não é só música, não é só uma carreira. Isto é a minha vida. E a minha vida entra, sempre, para o bem e para o mal, pela minha carreira...»Como Rimbaud, Bragança foi viver a sua música, e não ouvimos falar dele desde 2001...até agora, que aparece como actor principal no filme Henry and Sunny, do irlandês Fergal Rock. A música não o desmente(Quando eu for embora):
Chora, por que deixa,
tudo aquilo que eu amei
sigo, sem destino,
eu sei que me perderei
quando eu for embora,
minha alma chora
Paulo Bragança, em arrojo, qualidade, energia e efemeridade só tem paralelo em António Variações, que foi um cometa que passou, e cujo rasto ainda seguimos 25 anos depois.
Mas Paulo Bragança, a ser um cometa, estou certo que seja o Halley. Tem 42 anos, uma voz única e uma alma que alguém disse só ter paralelo em Amália. Hoje, com a proliferação do fado tradicional e menos tradicional, do fado chique, do fado assim assim, do roque tradicional e por aí fora, ainda não há em Portugal nada que se lhe assemelhe...nada.
Paulo Bragança não está esquecido, ainda agora o seu «Imenso» tem interpretação integral no aclamado filme «Morrer como um Homem»* de João Pedro Rodrigues. Não quero fazer de Paulo Bragança o D. Sebastião da música portuguesa...mas que desejo que volte, isso desejo.
Entretanto podemos sempre visita-lo no myspace ou ser seus fãs no facebook.
* Não resisto a citar o artigo do Ípsilon de Mário Jorge Torres, que descreve a parte em que o fado «Imenso» é interpretado:
Se a viagem evoca as evoluções peripatéticas de "O Fantasma", a sequência final (que bem que João Pedro Rodrigues filma cemitérios e estátuas fúnebres!) remete para "Odete", numa exemplar coerência, com o "travelling" que nos mostra o protagonista transformado em anjo, "alma" separada do corpo jazente (uma espécie de Nossa Senhora dos Travestis), a cantar com a sua própria voz, "Imenso", fado de Paulo Bragança, com Lisboa, o Tejo e tudo em fundo, exploração profunda da dimensão sagrada do amor e da morte e do amor para além da morte.
Momento Sónico : Smartini em concerto
Foi na sexta feira, já sábado, que o comboio do rock parou novamente nas Taipas. Apeadeiro : Idade Média Bar, uma espécie de Hard Club em ponto pequeno, ressuscitado pelo meu amigo Sidónio aka Xicosid, onde já tinham tocado recentemente os Smix Smox Smux e, espero, venham a tocar muitos mais.
Casa cheia e surpreendentemente (ou talvez não...) muita gente muito jovem no meio dos já veteranos fieis seguidores, sinal de que as Taipas são terreno fértil ao Rock e os Smartini cada vez mais a referência maior desse movimento que teima em não parar. Há putos de 14 anos a fazer Rock nas Taipas...
Música propriamente dita, os Smartini aprisionaram-nos naquele espaço exíguo e, tomem lá, quase uma hora de rock sem limites, concentrado, poderoso e psicadélico. Aguentem se quiserem porque o comboio está em andamento e é impossível sair. Na bagagem, por entre os já clássicos idiotic sense, sugartrain ou free yourself, três músicas novas: pleasure, 3' second e "nova"(à espera de nome) a indiciar o já esperado 2º álbum. Para quando caros amigos ?
Foi bom ver que a vontade de tocar continua bem presente e indisfarçavelmente renovada.
Keep on rockin' in a free world !
Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
Eu também sou
Este vídeo conduz-me ao meu lar, o Minho, do qual me posso ausentar mas nunca verdadeiramente sair. A Galiza é o nosso Norte, ainda mais a Norte. Dez séculos e fronteiras não apagaram a matriz comum, nem a língua comum.
never, never, never
Definitivamente, Reveal não é dos melhores discos dos R.E.M. mas configura-se cada vez mais como o último dos grandes discos dos R.E.M. Ouvindo o MTV Unplugged de 2001, diria que não fosse ter sido a bit overproduced e entraria provavelmente no panteão dos melhores.
Mas tudo bem, tem The Lifting
Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
Vamos lá pôr isto nos eixos !!!
Bem!
Este blog já estava a sair dos eixos!
De um momento para o outro começamos a dizer bem da "Amor Fúria", a dizer mal da "FlorCaveira", enfim. A sair dos eixos.
Não foi para isto que para cá viemos!!!
Eu, como defensor da honra formadora deste blog, venho pôr isto tudo nos eixos.
Fica aqui o meu pequeno tributo a algo que ou pouca gente conhece ou pouca gente dá a devida atenção.
Espero é que ninguém me venha cair em cima por causa dos direitos de autor!
(Para que fique claro, este Post é como o "Inimigo Público", não aconteceu, mas podia ter acontecido)
Terça-feira, 17 de Novembro de 2009
Entre Aljezur e Brooklyn (via feira de Carcavelos)
Depois de apanhar algumas referências soltas referindo-se ao super grupo Diabo na Cruz (é o primeiro a que vejo chamar isso em Portugal desde os saudosos «Maduros», deus os tenha), e depois de ouvir o single na Antena 3, lá foi a curiosidade suficiente para ir ouvir com atenção o que se mostra no MySpace.
Primeira referência para a capa do EP. Lembra-me a capa do «Vénus em Chamas» dos Mão Morta, e parece-me de idêntico mau gosto estético. Mas passemos à música, que é o principal.
Sobre a música, li nas apreciações críticas com ligações da página do Myspace muitas coisas boas: «este colectivo vai mais longe na investida e esboça um caminho a partir de onde António Variações ou a Banda do Casaco nos deixaram»; « É mais uma bela surpresa. (...) E exorcizam, como há muito se não ouvia, o que parecia ser uma má relação da música portuguesa (dita moderna) com genéticas de um Portugal musical profundo»; «na união definitiva e quase perfeita do melhor rock com a tradição portuguesa que se pode ouvir».
É tentador aderir a todo este entusiasmo, e escusado fugir à realidade de que as músicas, tecidas daqueles ritmos indestrinçáveis do nosso DNA colectivo, são contagiosas ao limite e estão formalmente bem tocadas e cantadas.
As canções radicam nítidamente no folclore português, e com isto não quero dizer que são uma criação que têm o folclore como musa inspiradora - não! Estas músicas são folclore electrificado, com letras aggiornadas para tempos e vidas longínquas dos campos de milho e centeio. Do folclore dos ranchos nunca gostei...e muito ouvi nos altifalantes das festas por aquele Vale do Ave fora. Reconheço-lhe o valor etnográfico e respeito quem gosta...mas acho-o muito pobre musicalmente. Ouvindo as recolhas do Michel Giacometti, encontro lá coisas que me arrepiam, não nos ranchos.
Pesando a favor, as críticas, a qualidade da execução e interpretação e a certeza de que as melodias pegam; contra, o meu preconceito contra os ranchos. Ainda assim este trabalho não me entusiasma como o «IV» do Tiago Guillul ou o «Viola Braguesa» do B Fachada me entusiasmaram. Penso que tem a ver com a minha visão do que será evoluir a música popular/tradicional portuguesa, e esboçar «um caminho a partir de onde António Variações ou a Banda do Casaco nos deixaram».
Com estes pensamentos bailando na minha cabeça hoje voltei a ouvir «Amai» e «Lua Semi-Nua» do Paulo Bragança, e compreendi o que me afasta deste Diabo na Cruz. É precisamente o eu já ter ouvido o Variações, o Paulo Bragança, os Trovante, o Quarteto 1111 e a Banda do Casaco.
Domingo, 15 de Novembro de 2009
Sábado, 14 de Novembro de 2009
No centro do furacão
Em 1967, flower power de vento em popa, em dois centros urbanos distintos - Los Angeles e Nova Iorque, duas bandas começam ainda muito contra a corrente a gritar «o rei vai nu». Uma delas, o«The Doors», impulsionada por musiquetas pop trá-lá-lá compostas pelo guitarrista como «Light my fire» atinge grande popularidade, mas transporta em si o germe de algo completamente divergente da corrente dominante. Logo no primeiro álbum, «The End» coloca demasiadas questões filosóficas para um álbum rock, de «End of the Night» já falei, e «Break on Through» é uma síntese pop do «Casamento do Céu e do Inferno», de William Blake. Toda a poesia de Jim Morrison é aliás um híbrido de Blake e Rimbaud, com uma temática actualizada para a vida solitária ao volante de carros pútridos.
Em Nova Iorque. Warhol apadrinha e «produz» o primeiro álbum dos «The Velvet Undreground», após entender que o fresco sado-masoquista, «Venus in furs», em conjunto com a crueza fria de «Heroin» seriam ideais para o seu espectáculo multimédia «Exploding Plastic Inevitable», e um passaporte para a polémica, a principal arte de Warhol, grande génio publicitário. O álbum conjuga melodias perfumadas com letras devastadoras, e músicas avant-garde com tentativas de literatura. «The black angel's death song» é a minha favorita.
O ano de 67 foi o do assassinato violento do fenómeno Hippie, que morreu dois anos mais tarde vítima dos ferimentos sofridos. A realidade bateu à porta do Rock, e ela é dura.
Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
Os Velhos

O primeiro contacto que tive com "Os Velhos" foi no "Minoria Ruidosa", num post do Miguel Vaz sobre o concerto no Musicbox.
Ví o vídeo que ele postou e não achei aquilo grande pistola. O som era fraco e a arte de dominar guitarras talvez ainda não estivesse totalmente dominada.
Ficou para mim mesmo a promessa de ouvir o EP que estava a sair. Um mês depois lá fui cumprir a promessa.
Quase como aqueles factos óbvios que são popularmente assumidos, e que nunca podemos comprovar, aquele som que não entra á primeira é normalmente bom(tirando talvez o "Diabo na Cruz", que por mais e mais que se oiça, não tem ponta por onde se lhe pegue).
Assim foi com "Os Velhos".
Não fugindo muito ao espírito do eixo Queluz - Campo Grande, este EP ( Épê?) é muito chegado aos saudosos 80's dos "Heróis do Mar", dos "Radar Kadafi" ou dos "Sétima Legião", mas com umas guitarras à "Sonic Youth" e à "Pixies". Provavelmente aquilo que os "Linda Martini" andam a tentar fazer há anos, sem sucesso(mais Pop, é certo).
Musicas boas, letras menos boas um bocadinho, mas bastante aceitáveis, fazem deste EP, ou meio disco, o melhor que a Amor Fúria deu á musica portuguesa, a par do menosprezado pelo mundo "Eles são os Smix Smox Smux".
Fico á espera de um disco inteiro para confirmar esta minha opinião, mas para já vou abanando o capacete ao som do "Foi assim que as coisas ficaram" ou do quase perfeito anúncio da Kinder "O céu é um lugar na terra" (já agora, menos um ou dois refrões e a coisa ficava perfeita).
Provavelmente não vou poder ir nem ao Porto nem a Santo Tirso neste fim de semana.
Tenho pena, gostava mesmo de ir...
Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
Compêndio Cultural
Numa altura crucial da minha adolescência, duas bandas foram as minhas bússulas culturais e compêndio de bolso para a escolha de leituras e não só. Tudo começou com o Rui Neves lá da turma e a sua paixão por uma estranha e obscura banda, «The Doors». Um ano mais tarde Oliver Stone catapultava Jim Morrison póstumamente para o mega estrelato, e no filme, apenas um ou dois minutos de «Heroin» e «Venus in Furs» mudariam todo o meu futuro como ouvinte. Dois livros sempre debaixo do braço, «Daqui ninguém sai vivo», biografia de Jim Morrison, e «Superstars/ Andy Warhol e os Velvet Underground» coligido em Portugal por João Lisboa.
Os livros foram janelas para mente, mas só a música bastava. Numa só canção temos Céline no título «End of the night» - referência a «Viagem ao fim da Noite», e William Blake nos versos «Some are born to sweet delight, some are born to the endless night» dos Augúrios de Inocência. Percorrendo o primeiro álbum dos Doors temos ainda Nietzsche, Freud e os que não apanhei. Os Velvet trazem Wahrol logo na capa do primeiro álbum, e lá por dentro temos Leopold von-Sacher Masoch(Venus in Furs), Delmore Scwhartz(European Son) e um vocalista/guitarrista/compositor que quer ser o Dostoievsky das canções.
Segunda-feira, 9 de Novembro de 2009
Saltem escadas, partam MUROS


Muro na fronteira EUA - México e Muro que separa a cisjordânia do território Israelita
ATÉ QUE CAIAM TODOS!
This is the day, our lifes will surely change
Ainda existem músicas que não se limitam a jogos de palavras e a patacoadas incompreensíveis. Esta música é toda ela a atmosfera do momento único. Parabéns Alemanha. Continuem o trabalho.
Domingo, 8 de Novembro de 2009
O Haiti foi aqui
A preto e branco, como Gil e Caetano
Sábado, 7 de Novembro de 2009
O Furacão
Ontem fui assistir a um combate de boxe pela primeira vez na minha vida. Pensando na banda sonora, surgiu-me o velho Bob com uma das suas fantásticas canções de Natal.
Sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
Eu Christiane, 13 anos, puta e drogada

Christiane F. é assustador!
A vida de Christiane e dos outros jovens berlinenses na Zoo Station devia ser matéria obrigatório no ensino público.
A brutalidade da vida destes jovens merece que se sirva gelada, como as noites invernais de Berlim ou como o corpo de Axel quando é encontrado por Christiane e Detlef, morto, talvez por uma overdose ou por um "chuto" de estricnina , para que a degradante vida destes putos sirva de exemplo a todos aqueles que subestimam o poder ruinoso da Heroína.
É só um "chuto" disseram tantos que por isso pagaram com a vida.
Christiane vive hoje em Berlim, viciada novamente em Heroína, depois de uma viagem com o namorado á Holanda.
Este post deveria ter sido editado ontem, mas, qual acaso do destino, ainda bem que não foi.
Hoje o Público (P2) tráz uma excelente reportagem sobre uma entrevista de uma estudante de comunicação social à sua tia, drogada há 20 anos.
Se me perdoarem o abuso até posso dizer que esse artigo serve como apêndice a este post.
Para finalizar deixo aqui este pequeno excerto de "Heroin", que Lou Reed escreveu com 16 (!!!!) anos.
Heroin, be the death of me
Heroin, it's my wife and it's my life
Because a mainer to my vein
Leads to a center in my head
And then I'm better off and dead
Because when the smack begins to flow
I really don't care anymore
About all the Jim-Jim's in this town
And all the politicians makin' crazy sounds
And everybody puttin' everybody else down
And all the dead bodies piled up in mounds
U2, but not U2
Correcção: Fui induzido em erro pelo programa «Sinais» da Tsf de hoje, no qual era indicado que o muro foi construído para impedir os não pagantes de ver. Uma leitura atenta deste link revela que os bilhetes foram oferecidos a 10.000 pessoas online, indica ainda que o próprio manager da banda comentou que os Berlinenses achavam que era irónico comemorar o derrube de um muro com a construção de outro. Eram esperadas 100.000 pessoas no concerto e a construção do muro apanhou a própria Chanceler Alemã de surpresa, que comentou que a culpa seria dos U2 ou da MTV. Os representantes dos U2 não comentaram o caso. Por isso feita a correcção à parte de os bilhetes serem pagos, o resto permanece mais ou menos igual, dado terem sido factores económicos(limitar os bilhetes a quem foi ao site da MTV) a ditar esta ocorrência.
Em 1981, Paul Simon deu com Art Garfunkel um concerto gratuito para 500.000 pessoas no Central Park em Nova Yorque. Um concerto histórico, uma grande celebração que ficou na história. Em 1991 repetiu a proeza agora para 750.000 pessoas. Extraordinário o ambiente de festa, de partilha espontânea, de gozo puro e sentido de comunhão. Mais um acto de generosidade de Simon por amor à sua cidade.
Em 2009 os U2 fazem com a MTV um concerto para celebrar a queda do muro de Berlim. Vampirizam todo o simbolismo que a queda teve, para além do simbolismo que a própria cidade tem nos meandros do Rock, por isso este blog se chama «fase berlinense». Os próprios U2 souberam encontrar em Berlim um caminho para o seu desespero no fim da década de 80, mas desta vez sinto-me livre para deixar cair de vez o que me restava de admiração pela banda.
Não havia melhor simbolismo para o estado actual dos novos Rolling Stones, do que celebrarem a queda do muro de Berlim construindo um muro à volta do concerto para que só visse quem pagasse bilhete. Os benefícios de relações públicas de se apropriarem da simbologia não eram suficientes para cobrir os custos de montar o concerto?
Aqui fica uma musiquinha para reflectir.
Quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
Hoje sou um bocadinho mais feliz
Porque Leonard Cohen deu um concerto na Ilha de Wight, em 30de Agosto de 1970.
Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
OK, do you want something simple ?
No posto de escuta nº 1:
- que é isso que está a tocar ?
- ex ex.
- quem ?
- ex ex, xis xis. é fixe não é ?
- é. é diferente.
Na mouche: diferente. É sempre bom notar que no meio deste modelo copy/paste à escala global em que se tornou o pop/rock dos 00's ainda há espaço para a originalidade, que é coisa que não falta aos the xx e ao seu homónimo álbum de estreia.
O disco estrutura-se duma forma em que à primeira vista sintetizadores e afins parecem liderar o processo, condensando o som em ambientes etéreos embora muito seguros. E é nestes ambientes que emerge, qual guest star, a guitarra. Minimalista, tão simples quanto inquietante, alia-se às vozes pós-adolescentes de Romi e Oliver e flutua pelas canções, faixa após faixa elevando-nos contidamente as emoções. Na medida certa, sem stress nem grandes euforias.
Importa referir que o álbum foi produzido pelos próprios The xx, tudo gente na casa dos 20 anos.
A minha preferida, Night Time
Terça-feira, 3 de Novembro de 2009
O Electricista
Em 1979 Bowie e Eno terminam o terceiro álbum da fase berlinense, «Lodger». Num intervalo ouvem o último álbum dos Walker Brothers(Nite Flights), e ao ouvirem a parte do disco devida a Scott Walker, Eno comenta para Bowie qualquer coisa do género: «depois disto que fazer?»
Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
De volta ao outro lado
Depois de um exílio auto-imposto para juntar mais um 'pin' à lapela profissional, volto com saudades das minhas guitarras, da literatura e do lado dionisíaco da vida em geral.
Falando em Dionisíaco, Jim Morrison vem à memória. E por pensar nisso começa a ser hora de ler finalmente o excelente livro «Doors by The Doors» que o meu vizinho de blog Paulo César me ofereceu.
E como todos temos direito ao nosso momento «Lizard King», cá está uma música que lá no fundo tem «Portas no coração»...corrijo, «Doors no coração» (dito em português soa mal e o significado desliza perigosamente).
Domingo, 1 de Novembro de 2009
Audiatur et altera pars
"...O mal vem das cidades, dos senhores que detêm a riqueza dos campos e dos minerais. A costela da esquerda política de Saramago devia ficar satisfeita com a Bíblia."






