b Fachada é o artista do ano. (Opinião pessoal)
Só por acaso é o artista mais etiquetado no Fase Berlinense.
Soam sempre a aleatório estas listas de melhores do ano e tal, mas, neste caso, era mesmo necessário.
Bom ano.
Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009
Artista do ano
que eu, que dois, que dez, que dez milhões
A celebração da amizade, das incompreensões da vida e das suas contradições. Beleza sem fim.
E vejam até ao fim...senão perdem...
Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009
Perder-me em busca de aventura
Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009
Feliz natal
Uma musiquinha para o Natal, não para o meu Natal e espero que não para o vosso, mas para o Natal dos Shoppings, do plástico, do vazio e das experiências de vida compradas em pacotes. O vídeo tem velinhas e tudo. Só falta o coro de Santo Amaro de Oeiras.
Feliz Natal. Boas entradas.
O clássico Feliz Natal e Bom Ano Novo a todos que aqui vêm espreitar.
E aos que não vêm também.
Até 2010.
Terça-feira, 22 de Dezembro de 2009
Um certo sentido do Trágico
O Recreio
Na minha Alma há um balouço
Que está sempre a balouçar ---
Balouço à beira dum poço,
Bem difícil de montar...
--- E um menino de bibe
Sobre ele sempre a brincar...
Se a corda se parte um dia
(E já vai estando esgarçada),
Era uma vez a folia:
Morre a criança afogada...
--- Cá por mim não mudo a corda,
Seria grande estopada...
Se o indez morre, deixá-lo...
Mais vale morrer de bibe
Que de casaca... Deixá-lo
Balouçar-se enquanto vive...
--- Mudar a corda era fácil...
Tal ideia nunca tive...
Mário de Sá-Carneiro
Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009
Brazil Connection

Os portugueses deviam aprender a "juntar-se" como fazem os brasileiros.
Desde os longínquos tempos de Vinicius, Jobim e João Gilberto que esta fórmula dá resultado. Na Baía as orgias musicais dão ao mundo música da melhor, isto só para citar alguns exemplos, sem deixar passar em branco o movimento Tropicalista.
Em Portugal já há quem o faça. A FlorCaveira é disso bom exemplo. Mas é preciso mais.
Braga por exemplo, tem óptimas condições para o fazer, e não faz. Braga ainda é a paróquia egoísta que os Mão Morta cantavam há 25 anos. Conhecem-se, são todos amigos, mas não se juntam para produzir.
Em Coimbra já se nota mais cooperação, mas não há produção conjunta. O Paulo Furtado até toca no disco do Sean Riley e tal, mas juntarem-se para produzir juntos, nada. Pelo menos do meu conhecimento.
É preciso trocar ideias. Nos últimos anos houve um pequeno terramoto com epicentro em Queluz e São Domingos de Benfica, mas isso não chega. Até esse terramoto foi insuficiente, e, até prova em contrário, inconsequente.
Deixo-vos aqui algumas das pérolas da música brasileira que são resultado desses "ajuntamentos" de que vos falei.
Domingo, 13 de Dezembro de 2009
B Fachada, mais um fim de semana em Guimarães

Antes de mais, gostei de ver o artista desobrigado do uso da indumentária «rosa-choque» com uma caveira estampada. Um homem quando veste o que quer sente-se mais livre, sem dúvida.
Pela segunda vez em Guimarães, B Fachada será porventura dos poucos artistas a poder afirmar que já é dos nossos. Para quem esteve no passado sábado em Guimarães no café concerto do "quartel general" da Capital Europeia da Cultura 2012, o Centro Cultural Vila Flor, foi notório o à vontade com que B Fachada se apresentou perante uma sala cheia. Deu até para usar do palavrão, "porque aqui no Norte é permitido". B adora Guimarães e Guimarães adora B. Ponto.
De resto, é de salientar a generosidade do Fachada em conseguir levar o espectáculo até ao fim (contando com dois encores) em condições um tanto ou quanto desfavoráveis. É que nem toda a gente lá estava para o ver, pelo que se estava borrifando para o necessário e devido silêncio. Sem contar com o moer do café e tilintar das chávenas e pires. Merecia B Fachada e merecia quem lá esteve para o ouvir outro espaço. Sei lá, um sítio onde se tirasse menos café servia. Consta que por menos Paulo Furtado meteu a viola ao saco no Festival do Sudoeste...
Quanto à música propriamente dita, B Fachada teimosamente sozinho batendo o pezinho e desta vez com um novo e atractivo elemento em palco, o piano, suou as estopinhas e deu um espectáculo ao seu nível: dedicado e brilhante. Como era de esperar o alinhamento centrou-se no novíssimo álbum homónimo. Tendo em conta o mais apurado trabalho de produção de B Fachada (o disco), a verdade é que quer ao piano, e aqui destaque para Responso para Maridos Transviados e Só te Falta Seres Mulher, quer à guitarra ou braguesa, destaque para Kit de Prestidigitação e a tentativa assumidamente falhada de Tradição, a coisa saiu muito bem e as músicas foram servidas à medida da época, mais outonais. Eu pelo menos olhei pela janela e vi cair uma folha...
Passado meio ano do concerto na Associação Convívio, notícias ainda do Zé que ao que parece foi reeleito e da Conceição que infelizmente continua a levar na cara.
Resumindo, descansa Palma que a pasta está bem entregue.
Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009
Obama, de novo.

Já tive oportunidade de ler o discurso de Barack Obama aquando da recepção do Nobel da Paz.
Provavelmente serei o único a pensar isto, mas este homem é de matéria rara. Algo que este mundo apenas experimentou com pessoas como Gandhi, Woodrow Wilson ou a Madre Teresa de Calcutá.
O realismo e a frontalidade com que Obama foi a Oslo são tocantes, principalmente para quem poderia ter lá chegado e ter dito uma série de balelas que toda a gente aplaudia.
Deixo aqui o link, para quem quiser ver com os seus próprios olhos.
http://www.washingtonexaminer.com/opinion/blogs/beltway-confidential/Full-text-of-President-Barack-Obamas-Nobel-Peace-Prize-acceptance-speech-78956977.html
Quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009
Porque o dia me castiga
As palavras são supérfluas. Que voz.
Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009
O homem que não gostava de fado
Era uma vez um homem que não gostava de fado. O fado ecoava-lhe em fundo e em primeiro plano em cada lugar que passava, na tasca ou na rua; na rádio ou na televisão. O fado era uma coisa de velhos, de devoções cegas a um passado morto, e felizmente morto. O fado eram conversas sobre vidas de bairros que lhe eram alheios, de métrica fácil e de palavras brejeiras. O homem chegou até a ver uma Amália decadente, numa festa de Natal qualquer, dividida entre crentes e indiferentes.
Um dia tudo mudou. Estava sentado no trabalho, era de manhã. Ouviu no rádio que Amália Rodrigues tinha morrido, a mesma que a que assistira de olhos mortiços e ouvidos ausentes. Nesse momento deixou-se cair num sentimento de desorientação, e o desprezo desvaneceu-se. Aí ele foi ouvir. E tudo mudou. Encontrou-se naquela voz, que afinal era ele, e era a ele que ele negara o tempo todo.
Chegara esta música para não trocar ser português por nada.
Terça-feira, 8 de Dezembro de 2009
Focus
Vamos esquecer que Marianne Faithfull está a cantar.
Vamos até por momentos esquecer que esta estupenda música brotou do génio de Brian Eno.
Foquemo-nos no essencial. E o essencial aqui é Marc Ribot.
Domingo, 6 de Dezembro de 2009
Cantai !

Muito se fala em Portugal sobre o facto de se cantar em Português ou em Inglês.
Há muita gente que defende que se deve dar preferência ao português, nossa língua materna, que deve ser valorizada. Muitos outros defendem que não se deve cantar música claramente anglo - saxónica em Português. Outros fazem leis para que a música portuguesa passe na rádio.
Nunca percebi muito bem a quase guerrilha em defesa do cantar em Português. Já ouvi gente dizer que se uma banda não tem perspectivas de internacionalização não tem motivo para cantar em Inglês. Coisa ridícula. Como se alguém soubesse á partida que vai ser uma rock star de dimensão internacional ou se vai ter a sorte de um dia ter a sua música passada na antena 3.
Também nunca percebi muito bem a impossibilidade de se cantar rock & roll em Português. Um amigo por quem tenho muito respeito no que á música concerne (ele que por acaso até lançou para o mundo nomes como belle chase hotel, The Legendary Tiger man, Sean Riley & Slowriders ou d3o) diz que não se pode cantar rock & roll em Português. Não faz sentido, diz ele. Exemplifica com um álbum de fados que Amália lançou, cantado em Inglês, que hoje faz parte daqueles tesourinhos deprimentes da música. Qualquer coisa inaudível e sem sentido, diz ele.
O exemplo até faz sentido, o principio é que não.
A maior parte das pessoas esquecer-se-á que o que realmente importa aqui é a música, a sua qualidade, e não a língua em que é cantada.
Se o facto de ser cantada em Português ou em Inglês a torna melhor ou pior, até pode ser discutível. Mas é errado aceitar como principio que uma música é boa ou má por ser cantada em Inglês ou em Português.
Neste Blog gosta-se muito dos Einstürzende Neubauten e do Paulo Bragança, do B fachada e do Sean Riley.
Os Pontos Negros cantam rock & roll em Português e conseguem meter na letra coisas como "um qualquer estabelecimento moderno", e é bom!
O pessoal de Coimbra faz Rock & Roll do caralho em Inglês porque acha que é assim que deve ser. E é muito bom!
Por exemplos destes vos digo:
Cantai!
Em português ou em Inglês, rock & roll ou folclore, acústico ou eléctrico.
Cantai!
Façam versões dos Beatles em Português ou cantem Hardcore 1.º Escalão, mas cantai!
Inventai uma língua se quiserdes, mas cantai!
A música é que vos fará justiça.
Mas cantai!
(Ultima reserva : Fazem-se discos de inverno a pensar em palmeiras e óculos de sol coloridos? Fiquei confuso) :(
Com saudações para os Kinks!!!!
Sábado, 5 de Dezembro de 2009
Algo danificado
"O homem é superável. Que fizestesReznor, sob a capa de Nine Inch Nails, fez da auto-superação e do perfeccionismo o seu caminho, assim que deixou a programação de computadores pela programação de midis e samplers.
para o superar?"
Desde que desceu da montanha, acompanhado pela águia e pela serpente, Reznor procurou desde o primeiro passo rodear-se daqueles que o ajudariam na sua peregrinação. Logo em Pretty Hate Machine, totalmente desconhecido, contou com a colaboração de Adrian Sherwood(Depeche Mode), cujo trabalho abominou, substituindo-o por Flood(Jesus and Mary Chain e U2 - Achtung Baby). Logo no primeiro vídeo(Down in it 1989) a intenção e a iconografia estão lá.
Com Downward Spiral de 1994, os NiN são catapultados para o estrelato. O álbum revolve as entranhas do criador e atira-as cá para fora a disparos de sequenciador. Num dos grandes álbuns dos anos 90, Reznor vai escalando na montanha da auto-superação, para um estágio semi-divino, e em Closer berra mesmo 'You get me closer to God'. Com o seu toque de Midas cria um monstro, Marilyn Manson, produzindo Antichrist Superstar. Partilha uma digressão com David Bowie, que o trata como um delfim e permite aos NiN serem a sua banda de suporte, faz as bandas sonoras de Lost Highway de David Lynch, de Natural Born Killers de Oliver Stone, do jogo de computador Quake, e já acima do Homem comum perde o contacto com a sua própria condição humana.
Em 1997, Trent Reznor cumpre mais um compasso do calvário Zaratustriano:
Assim falou Zaratustra no píncaro daNuma reveladora entrevista a Tom Lanham, diz:
montanha onde reinava o frio, mas,
quando chegou perto do mar e se
encontrou sozinho entre as rochas da
margem, sentiu−se cansado do caminho
e ainda mais cheio que dantes de
ardentes desejos.
After I got everything I ever wanted, I was fucking worse off than I was before.A morte da avó que o criou agrava o estado depressivo, e Reznor ruma a Big Sur, na Califórnia, para se recompor e trabalhar. Desse período sobra 'La Mer', contido em The Fragile, talvez o mar fragmentado e indomável, reflexo do estado mental de Reznor na altura.
Mas Reznor não se esquece , embora tendo sido forçado a render-se à sua condição de humano - e não supra-humano, a regra da auto-superação. Durante dois anos cinge-se a uma dieta de trabalho rigorosa, com Alan Moulder como seu assistente, e cria sem destino nem objectivo. No fim possui uma massa informe de música diferente de tudo o que existia em termos musicais ao momento.
O perfeccionismo exige os melhores, e Reznor chama Bob Ezrin, produtor de Berlin, de Lou Reed e de The Wall dos Pink Floyd, e pede-lhe para extrair uma entidade coerente daquela massa musical. Após uma tentativa falhada, Ezrin emerge com o alinhamento de The Fragile, uma obra prima. Reznor chora compulsivamente, e a catarse acontece.
The Fragile, é uma obra humana, mas de uma humanidade revestida de talento à qual a maior parte de nós pode apenas aspirar. Alternado momentos reflexivos, instrumentais alguns, com a revolta e a raiva, deleitando-nos com uma experimentação sonora de delicada filigrana, é Reznor destilado em música.
De uma beleza extrema, The Fragile não é a celebração do Super-Homem Trent Reznor, mas sim a sua gesta, uma espécie de Odisseia sonora do outro lado da escalada, o da descida.
E depois? Reznor, o visionário, continua a ultrapassar-se, seja estendendo a realidade com Alternate Reality Games, seja maximizando o uso da sua presença na Web(o último movimento foi vender todos os instrumentos das digressões no eBay, para além de desancar Chris Cornell no Twitter), seja ainda lutando para que o fim da indústria discográfica como a conhecemos chegue depressa(The Slip pode ser descarregado gratuitamente).
A música continua excelente, pessoalmente estou centrado agora em The Slip e no quadrúplo Ghosts, uma aventura experimental e instrumental, que repete o arrojo de Bowie em Low e Heroes, ao enveredar pelas ambiências.
Eu tenho uma aversão natural por todo o tipo de idolatrias, mas este gajo anda-me a tentar.
A inadaptação como beleza
Candy Says pertence ao terceiro álbum, homónimo, dos The Velvet Underground de 1969. Candy Darling era uma das «Superstars» de Andy Warhol. Transexual, morreu em 1974, e é personagem também de «Walk on the wild side», do segundo álbum de Lou Reed, Transformer, de 1972.
Sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009
Primeiras Impressões (telegráficas)
Verão em Dezembro. Folk (um pouco menos ?) erudito, com sotaque e sabor a refresco.
ADITAMENTO : Sr. Fachada, n' A Bela Helena, os irmãos não poderiam antes ser 4 ?
Quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009
É Carnaval e Futebol
Encheu-me as medidas e deixou-me a rir durante horas.
Charlize Theron, em pleno ensaio geral do sorteio para o mundial, com uma assistência cheia de senhores da FIFA, tirou a primeira bola do sorteio e gritou a plenos pulmões "IRELAND".
Charlize é casada com Stuart Townsend, Irlandês pois claro.
O Futebol é bonito. Bem sei que por esta blogosfera e pela nossa politicamente correcta sociedade pontuam os Pseudo - Intelectuais que dizem que o Futebol é super valorizado, é uma ilusão de massas e não sei quê. Mas que o futebol é bonito, lá isso é.
Será super valorizado, mas não vamos divagar muito por aí.
Ficam aqui dois vídeos que provam a inegável paixão, alegria e beleza das quais o futebol é feito.
Quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009
500 Dias de Verão

Valha-nos deus e a banda sonora.
Este é mais um dos casos em que aquilo que poderia ser um bom filme se torna num blockbuster que deve facturar milhões na bilheteira de domingo á tarde.
Um bom argumento que é estragado com cenas "à Rent" e lamechices desnecessárias.
É pena. 500 Days of Summer podia ser bom. Tem um bom argumento, tem uma óptima banda sonora. Desde o "There's a Light That Never Goes Out" no elevador ao " Please, Please, Please Let Me Get What I Want" aos berros no escritório, passando por mais uma ou duas dos Belle and Sebastian e dos Mazzy Star. Enfim. Tem tudo para ser bom.
E o gajo até usa as T-Shirts todas dos Joy Division e dos Cure....
Mas pronto... Não é um bom filme, e isso deixou-me um bocado fodido.


