Domingo, 28 de Fevereiro de 2010

Arrested Development

Rap, Hip-Hop... confundo, não sei distinguir e não sei mesmo se se distinguem. Dois géneros que não fazem normalmente parte da minha dieta musical.

Excepção: Arrested Development que em plenos nineties conseguiram furar a minha barreira quase dogmática do grunge.
Tudo à custa de músicas como People Everyday, Mr. Wendal, Tennessee, singles de 3 Years, 5Months & 2 Days in the Life Of... , e Revolution da banda sonora de Malcolm X a marcar o activismo político de Speech & Cª. No fundo tudo o que passava na MTV. E também um guru espiritual permanente e palavras com algum sentido.

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Conto de Fadas das Taipas aos Arcos de Valdevez


Sexta - Feira à noite foi dia de voltar ao belo Alto Minho. Os Arcos de Valdevez, linda terra plantada entre o Vez e as terras de Lindoso, tinham mais uma noite dos "Sons de Vez", Mostra de Música Moderna.

Noite d'"Os Pontos Negros".

Uma sala bem composta (não cheia, mas muito bem composta, tendo em conta a já longa tournée de "Magnifico Material Inútil" e o facto de os Arcos de Valdevez não serem propriamente um grande centro urbano) esperava-os. Público que estava lá para ver os Pontos Negros.

Já tive oportunidade de ver este espectáculo algumas vezes, e o de Sexta - Feira não foi certamente o melhor.

Um concerto bom, esforçado, morno, mas com alguns momentos muito quentes, mas também um concerto "enferrujado", próprio de quem já não toca desde Novembro e de quem está neste momento em estúdio a ultimar os preparativos do Álbum que sairá em breve.

Como já referi no inicio deste Post, já vi este espectáculo algumas vezes e, talvez por isso, o de Sexta-Feira não me surpreendeu. Um alinhamento mais ou menos "normal" e a entrega e empenho do costume. Um bom concerto, indubitavelmente, mas do qual ficou a sensação que "Os Pontos Negros" precisam do álbum que aí vem e de coisas novas para mostrar.

Registo para "Querida" e "Canção da Lili", que puseram em alvoroço a sala, além da óbvia "Conto de Fadas de Sintra a Lisboa". Uma pequena desilusão pela falta de "Dr. Preciso de Ajuda" e uma menção honrosa para "Esta Balada que Te Dou", cover de Armando Gama. Bonita pá!!

Enfim. Sem dúvida que valeu a pena a subida ao Alto Minho, mas fica a certeza que depois de um "refresh" estes já bem lançados pontos negros vão voltar melhores.

Notas Soltas:

1- Qualquer semelhança entre o gajo que estava a vender t-shirts e eu é pura ilusão.

2- Obrigado à Cátia e à Elsa por aturarem as loucuras de dois intratáveis melómanos.

3- David, onde andaste????

4- Parabéns ao Zé Costa pelo óptimo trabalho que tem vindo a realizar no "Sons de Vez"

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Sábado, 27 de Fevereiro de 2010

Pérolas




Uma das pérolas mais bem guardadas da música Portuguesa já tem vídeo para o primeiro single a sair a 1 de Abril.
Material de rádio, diferente do que ouvimos até aqui, mas mesmo assim, muito bom. Fica água na boca para o álbum.

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Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010

Pagão

Em 2002, com o 11 de Setembro ainda no retrovisor, Bowie lança «Heathen»(«Pagão» na tradução), um álbum sem muito foguetório (embora isso seja confundido com o ser um álbum menor, como eu li por aí num jornal), mas no qual Bowie alinha algumas peças importantes do seu xadrez, preparando o advento de «Reality».

«Heathen» parece o caderno de notas de Bowie, onde ele revê a matéria dada, as suas influências, e os seus companheiros e até aos seus herdeiros musicais. Tony Visconti produz, Carlos Alomar regressa, Dave Grohl Toca.

Em «Sunday» o fantasma(bem vivo felizmente) de Scott Walker espreita, «Cactus» é uma versão dos Pixies. Em «Slow Burn» a ajuda de Pete Townshend é requerida, e temos um regresso a Berlim, incluindo o uso do mesmo truque de microfones que é usado em «Heroes» no refrão. «Afraid» banha-nos de pop reflexivo, com as cordas de Tony Visconti, o produtor da fase berlinense, a darem o tom épico. Até o velho Ziggy é visitado em «Took a trip in a Gemini Space Ship». «Angels have gone» é o traço de um Bowie para lá de adulto, mais calmo e atento aos detalhes. É uma música para reouvir portanto. «Everyone says "hi"» é tirada das primeiras páginas do livro de notas, porque no estilo e na letra regressa à «swinging London» de onde Bowie surgiu, na sua incarnação ainda pré Ziggy Stardust.

«Heathen» é um álbum de grande qualidade, mas pelas suas subtilezas e falta notória de hits é talvez interessante, e muito para quem conhece bem a carreira de Bowie. «Reality» que se seguiu é igualmente de grande qualidade, mas difente porque mais focado e realinhado para uma geração de ouvintes mais adultos de Bowie.

Quem diz que «Heathen» é um momento baixo da carreira de Bowie, para além de falar de Bowie com a ligeireza dos anos zero, de certeza não teve que engolir os álbuns de 83 até 90.



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Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2010

O ciúme e a inveja

Rock'n'Roll alternativo, duro, de arestas afiadas. Não, os R.E.M não são só 'Everybody Hurts'. 'Automatic for the People' traz a contemplação dolorosa de uma paisagem cinza. 'Monster' desata aos pontapés e despreza toda a reputação pop melódica dos três álbuns anteriores. É um chega para lá na tentação de seguir o caminho óbvio e fazer um 'Automatic for the People' 2.


'Monster' não é fácil de interiorizar, tal como depois não é fácil de largar. Oiço os 'Stooges' lá ao fundo.


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Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010

Elevar a minha querida à sofisticação

Acabamos de entrar nos anos 80, as ruas de Nova Iorque fervilham com um novo estilo musical e poético que 30 anos e muita osmose mais tarde, parece na sua encarnação para as massas apenas uma caricatura de si mesmo.


Se em 1980 os Clash, inebriados pelo Rap, gravam «The Magnificent Seven» para Sandinista!, e fazem da letra um manifesto sobre a vida de trabalho, o consumismo e o lugar da alta cultura no meio do frenesim, os rappers, ou hip-hoppers de hoje parecem(claro que há excepções) presos no estilo, e se é factual que debitam palavras, muitas e a grande cadência, também o é que pouco se aproveita delas.

Será que a actual situação histórica e social não é um grande rio onde se podem pescar os sinais do tempo, liofilizar e consumir na música popular? Ou eu ando a ver passar ao lado toda uma sub-cultura?

Estou aberto a conhecer.

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Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2010

Parece que está na ordem do dia...

Compositor raro mas certeiro nos Beatles, George Harrison escreveu algumas das canções emblema dos fab four. Sempre discreto, sempre(oh my god!) humilde, ele não se importou muito por estar na sombra dos titãs Lennon e McCartney. Apenas se importou quando a banda perdeu a alma e deixou de fazer sentido. Ele próprio levou um amigo para as sessões de Let it Be (Billy Preston) para tocar teclados, na esperança de alguma decência e respeito imperassem entre os então ex-amigos. Tão pouco se importou quando a sua mulher Paty se mudou para os braços do seu melhor amigo Eric Clapton, que pouco depois lhe dedicou Layla. Parece que ele também não era dos mais fiéis dos esposos. Por certo não seguia o preceito de Samuel Úria que disse ao Blitz que «[Fazemos] sexo, drogas e roquenrole, mas sem drogas e sem sexo pré-marital».


De todos os Beatles, foi o que levou mais longe a sua entrega à religião Hare-Krishna, depois de um surto religioso-psicadélico que assaltou a banda aí pelos idos de 68.

Acabada a banda, lançou o material acumulado no imperdível «All things must pass», e organizou com Ravi Shankar o primeiro mega-concerto de benificiência da história(The Concert for Bangladesh).

O tema que se segue é o reflexo da fase religiosa de Harrison nessa altura do final dos Beatles, mas mesmo toda a beatitude não o livrou de ceder a maioria das royalties por ter, segundo o tribunal, plagiado não intencionalmente a canção «He's so fine» das Chiffons.

Whatever...é uma canção imortal...e a prova que na fase berlinense também passa música religiosa. Amen.

Já agora dedico a canção à malta da FlorCaveira, tudo gente simpática e acolhedora. Ah, e há umas sessões bem interessantes mais ou menos mensais lá na Igreja Baptista de S. Domingos de Benfica, que recomendo pela elevação, mesmo aqueles que como eu não são propriamente religiosos(até já lá ouvi o ateu João Lisboa). Não tenho ido às últimas por previstos ou imprevistos vários, mas espero que um dia apareça por aí em áudio a sessão sobre o João Calvino.




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Domingo, 21 de Fevereiro de 2010

A night at the theatre


Ontem foi noite de música. Já tinha saudades de um bom concerto.

A noite prometia. O descamisado João Coração e o Norte Americano de Tondela, Samuel Úria claro está.

A noite fria e chuvosa da fria e chuvosa Braga começou com o João Coração.

Com uma mala cheia de piadas fáceis, sem banjo, e com pouca qualidade, lá andou a ziguezaguear entre músicas de qualidade indiscutível que fez questão de estragar, músicas de qualidade discutível que fez questão de tocar e, aqui e ali, algumas boas músicas que foram bem tocadas. João Coração não é mau. Tem coisas com muita qualidade, e podia ter feito muito melhor.

Coração fez questão de dizer, mal chegou, que tem raízes em Braga, que os seus antepassados são minhotos genuínos, e isso ter-lhe-á granjeado uma boa relação com o público. Eu não gostei.

Perdoem-me a rudeza.

Depois de um pequeno intervalo chegou, tão alto quanto humilde, Samuel Úria.

Um começo a solo brilhante. Um quase fado (do qual eu não sei o nome) de fazer qualquer um ficar emocionado.

Depois mandou entrar o resto da "comandita".

Uma banda de nomes bem conhecidos. Os Pontos Negros Jónatas Pires e Filipe Sousa, na guitarra e baixo respectivamente, o Lacrau\Ninivita\Velha Glória\ Miguel Sousa (Guel, espero não ter faltado nenhum nome) nas teclas, Tiago Ramos na Bateria e Miriam Macaia no Violino (pouca voz da Miriam Macaia, infelizmente).

E a partir daí foi sempre a subir. Com esta competente banda por trás, Samuel Úria revela-se muito melhor que em disco.

"Não arrastes o meu caixão", "Teimoso", "Rua da Fonte"(que afinal não existe), "O Diabo"(Brilhante, quase a tocar nos Beatie Boys), transformam-se e crescem em palco. Sabe bem estar num concerto do Samuel Úria. Apetece cantar, dá gosto estar ali.

Um primeiro final com a excelente "Império" a ser cantada pela mais de meia casa do Theatro Circo foi a consagração.

Houve também algo de que não gostei. "O" final per se.

Pessoalmente dispensava aquele pequeno PEC, Processo de Evangelização em Curso, mas entendendo-o como um sincero adeus, um Farewell à americana, deixo-o passar sem mais crítica, ficando apenas a opinião pessoal.

Caro Sami e companheiros, voltem sempre.


OBRIGADO GUEL!! (LOL)



*Este post poderá, por algum motivo, ser muito parecido com o post anterior.

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Eu tenho que ser sério, parte II




Ontem foi dia de João Coração e Samuel Úria no Theatro Circo, Braga.

Sobre João Coração não há muito a dizer. Não gostei do álbum, não gostei de o ver em concerto. Muito esforçado, conseguiu ligar-se com o público, mas em termos musicais achei muito pobre. João Coração terá com certeza mais para dar do que o que ouço e vejo. Assim simplifique.

Samuel Úria. Não gostei do álbum, mas tenho que voltar a ser sério e dizer que do concerto de ontem o sentimento foi totalmente diferente. Sami deu um concerto fantástico, grande em todos os sentidos. A sua faceta de "entertainer" e a sua habilidade com as palavras já é por demais conhecida, pelo que em três tempos se pôs à vontade para soltar cá para fora o rock puro que, embora meio abafado também habita no álbum.

Talvez esteja aí a diferença, às vezes as coisas quando simples soam muito melhor. Não menos verdade é que quando se tem uma grande banda por trás as coisas tornam-se mais simples e eficazes. Samuel Úria fez-se acompanhar por grandes músicos. Tiago Ramos, os Pontos Negros Filipe Sousa, Jónatas Pires + Guel Sousa, ao que consta o responsável pelos belíssimos arranjos de vozes, e a pequena grande Miriam Macaia (algum dia teremos um álbum a solo ?).

Enfim tudo gente que sabe como pegar num instrumento, a inveja que eu tenho...

Pontos altos a abordagem rock/hip-hop de Diabo, o gospel de Lamentação, a intimista Ao Tom Dela e , como não podia deixar de ser, o Império. Não me canso de o dizer e de a ouvir. É uma grande música, isto sim, uma verdadeira epifania.

Retorno ao álbum.


P.S. Obrigado Jónatas.

Eu tenho que ser sério, parte IISocialTwist Tell-a-Friend

Sábado, 20 de Fevereiro de 2010

A maior banda de Portugal

Não, não estou a falar dos Rolling Stones dos pequeninos, que de punks passaram a cara da Fashion Clinic. Falo sim de uma banda que tem mantido a sua coerência, a sua incisividade e a sua liberdade.

Eu sou fã incondicional há 18 anos, era ainda estudante na cidade dos Arcebispos; e que outra cidade poderia produzir uma banda que é a sua perfeita antítese? Como reacção à beatice, ao caruncho e ao mofo, nasceram os Mão Morta. Tudo começou em Berlim, onde mais?, com um elemento dos Swans a dizer a Joaquim Pinto que este tinha cara de baixista.

Sempre mais longe, desde Müller a Lautreamont, passando por Guy Debord, os Mão Morta têm sido uma companhia e uma escola. Bebem no delta da música Rock mais vanguardista, acarinhado pelos europeus e descendente de Iggy Pop, Patti Smith e dos Velvets. Na mensagem a influência é mais europeia ainda, com os olhos postos nos malditos franceses, Bataille e Sade são exemplos para além dos já citados Lautreamont e Debord.

Vem aí disco novo, e espero o melhor desde o magnífico «Nus», um álbum de fim de era.

Que nova era será esta que se avizinha?

um clássico...



e uma pequena homenagem à minha cidade adoptiva...



e o cordão umbilical que liga os mão morta a este blog...

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Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010

Um gesto Nobre




Vai ser uma honra votar em si, Senhor Doutor. Por favor não desista.

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Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2010

Vou, uma vez mais, correr atrás de todo o meu tempo perdido

Depois dos metarefrões microtonais polisemióticos de Tom Zé, voltamos a olhar o Brasil, desta vez através de uma letra de Chico Buarque musicada por Sérgio Godinho, do álbum Coincidências, de 1983.

O tempo está cinzento e melancólico, propenso a reflexões. Esta é a música certa.

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Quarta-feira, 17 de Fevereiro de 2010

Um samba sobre o infinito

Infinito é o que apetece invocar para perdurar esta canção dentro de nós.

Esta é talvez da minha música favorita da Marisa Monte, numa composição de Paulinho da Viola.

Lindíssima a melodia, lindíssimo o arranjo, lindíssima a intérprete e para coroar, uma interpretação única.

Cada tempo, cada silêncio, cada balanceio rítmico aqui se frui com o gosto desse infinito que é a música.

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Terça-feira, 16 de Fevereiro de 2010

O Frank Zappa Brasileiro (com metarefrão microtonal e polisemiótico)

Mas como poderia eu acabar o dia de Carnaval sem o verdadeiro Carnaval Brasileiro, directo da Roça?


Tom Zé é um génio absoluto. Tocou em Guimarães e eu vinha de Guimarães para Lisboa a rogar todas as pragas à minha sorte enquanto ele tocava. Felizmente o youtube está agora bem recheado da obra deste inqualificável artista.

Não consigo resistir, por estar imbuído do espírito Carnavalesco é claro, a deixar aqui o registo da passagem do artista pelo programa do Jô Soares, no qual a sua erudição apaga a de qualquer Doutor de Coimbra.



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Salvador...Roma...Amadora

Foi em 95, 96 que o meu colega de trabalho Alexandre me emprestou um CD com um Best Of de Caetano Veloso. Por essa altura eu já teria comprado «Circuladô Vivo», da digressão do mesmo nome. Tinha portanto ultrapassado a fase em que Caetano era para mim a vaga imagem de um cantor cabeludo e vestido de forma exótica, cantando sobre um índio.


Esse Best Of consolidou um pouco melhor o meu conhecimento da obra de Caetano e sem dúvida me transformou num admirador para a vida.

Como se não bastasse, logo a seguir em 97 sai o livro «Verdade Tropical», com uma reflexão pessoal e histórica do fenómeno do tropicalismo, em conjunto com o álbum «Livro», para mim um dos melhores e mais consistentes álbuns de Caetano.

Caetano é um dos maiores, e como com Jim Morrison, estar atento ás suas letras é ter a cada verso uma referência para índice de qualquer obra importante.

Fica «Os Passistas», como mais um testemunho não eufórico do Carnaval.



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Domingo, 14 de Fevereiro de 2010

Carnaval fatalista português

Difícil, difícil entrar nessa vaga de alegria gratuita e esfuziante dos nossos irmãos brasileiros. O meu Carnaval é português, fatalista. Sinto que essa euforia é um estado passageiro que não augura nada de bom. Ajuda-me lá Chico, tu que vês mais longe.


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Sábado, 13 de Fevereiro de 2010

Covers

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Bom dia Lisboa!

LX-90 ¤ Rui Cunha; Paulo Gonçalves; DJ Tó; Nuno Roque; António Garcia; Sam Bergliter; Danny Steggel; Pilar; Rita Guerra; Maria João; Steve Davis; Phil Smith.


Conhecem alguns nomes?

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Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2010

Chegou de botas

Lembro-me da minha infância, que sempre que havia notícias da África do Sul, quase sempre relacionadas com aquele sistema de separação de resíduos que eles usavam por lá, o Apartheid, alguém que mandava se chamava Botha. Mas porque é que alguém haveria de se chamar bota?, questionava-me eu.


Cresci, e sensibilizado pela cultura Pop, que tem esta coisa boa de falar de algumas verdades(Peter Gabriel com Biko sobre Steve Biko, ou Simple Minds com Mandela Day), fui-me apercebendo que tipo de resíduos eles pretendiam separar por lá.

Foi há vinte anos, vinte anos!, e lembro-me como se fosse hoje da transmissão em directo em frente da prisão que enclausurava Mandela. Um grande dia na História da Humanidade. Tive sorte de o sentir.

Cá fora Mandela veio mostrar como, recusando o caminho do ódio e da vingança pelo que fizeram à sua vida e apostando na reconciliação, se pode ser um grande, grande Homem.


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Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010

Apoios à cultura e a poios de cultura.




Quando em 2009 Portugal anda com Belas e paparazzis, em 1993 Espanha realizava obras d'arte como este "Belle Epoque". Em 1994 surgia a estória do pequeno Tete, "La Teta y La Luna.
Há quem apoie o cinema e há quem dê apoios para quem pede. Razão tinha o João César Monteiro.

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Sábado, 6 de Fevereiro de 2010

Não arrastes o meu caixão. (Paint it B(L)ack. )


Porque um dia já foram grandes, a queda é sempre mais dolorosa. Ficam recordados os bons momentos.

Uma boa versão de "Paint it Black" dos Stones, "The Wanderer" tocado numa homenagem ao Cash e na sua versão original e ainda o famoso "Where the Streets Have No Name" nos céus de LA.







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Esta terra ainda vai cumprir seu ideal

Fados, filme/documentário de Carlos Saura sobre a canção nacional é uma obra surpreendentemente atlântica que pela procura das raízes se impregna de portugalidade e império.

Engalanada pelas presenças de Carlos do Carmo, Amália, Chico Buarque e Caetano Veloso, quase perdeu a 5ª estrela pela falta de Paulo Bragança.

Recuperou-a in extremis com essa cena aí em baixo:



Os blogs sobre Hip Hop que defendem a tentativa de rock português paradoxalmente só nos mostram o Hip Hop americano, caso contrário eu já teria conhecido isto.

Para o meu próximo post o tema já está escolhido: Arrested Development

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Sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010

Tindersticks, A Night In Guimarães


Guimarães continua a trilhar o seu caminho rumo à CEC 2012.

Depois de em 2008 termos tido o privilégio de receber em casa os The National e já em 2010 Tom Zé, esta noite recebemos os Tindersticks com casa cheia (e há muito esgotada) no Centro Cultural Vila Flor.
Na bagagem o novo Falling Down a Mountain, que como era de esperar dominou o line up do concerto. Começo por dizer que isso para mim foi bom. Primeiro porque foi a terceira vez que os vi ao vivo e no que toca a Tindersticks já há muito passei pela fase do concerto modelo "best of". Depois porque fico contente em perceber que os Tindersticks não atiraram ainda a toalha ao chão, não se ancoraram no passado quando poderiam muito bem fazê-lo e lutam ainda para fazer boa música, conseguindo prender uma plateia sem ter de recorrer à vastíssima lista de hits, se é que assim lhe podemos chamar. Lista das que faltaram: Drunk Tank, Whiskey & Water, Her, Tiny Tears, The Not Knowing, Patchwork, Can We Start Again, CF GF, Talk to Me. E fiquemos por aqui.

Os Tindersticks não sabem fazer má música, mas embora goste muito de Waiting for the Moon, desde Simple Pleasure que os Tindersticks não me trazem nada de novo. Às primeiras audições Falling Down a Mountain cativou-me, e depois de o ouvir esta noite ao vivo parece-me que os Tindersticks estão de volta à melhor forma. Para ir escutando...

Do espectáculo desta noite, a atenção, o silêncio e o respeito com que a sala os escutou e acolheu diz quase tudo. Sublime.
Do novo disco, destaque para o tema título Falling Down a Mountain, Black Smoke, Factory Girls e No Place So Alone, as que me ficaram no ouvido, reconheci do disco e retive na memória. Daquelas que muitos esperavam, apenas Marbles a receber a primeira ovação em pé da noite, A Night In, City Sickness, Raindrops e ainda The Hungry Saw, com direito a repetição. Alguem se perdeu...

Não podia terminar sem mencionar a alma dos Tindersticks, Stuart Staples. Não sei como ainda conseguem apelidar Frank Sinatra de A Voz. Numa palavra, assombroso.

Until The Morning Comes. Essa eu gostava de ter ouvido.

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Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010

Gainsbourg: 2010, année prolifique

2010 ameaça ser o ano dos Gainsbourg.

A poucos dias da estreia da cinebiografia do pai, o falecido Serge, Gainsbourg: Vie Heroïque, e à espera da oportunidade para ver Anticristo de Lars von Trier onde brilha a filha Charlotte, vou descobrindo a veia musical da menina.

O pai é um velho conhecido desses anos áureos de 90, cortesia das soireés do canal MCM na parabólica lá do tasco. Se primeiro estranhei aquela figura um tanto ou quanto caricata cantando a cair de bêbado, com a alta rotação do MCM nesses anos seguintes à sua morte a estranheza deu lugar à admiração, que a cada audição aumenta. Há sempre mais Serge Gainsbourg.

Serge Gainsbourg é puro génio.



A filha começo agora a conhecer pela audição do novo IRM. E as primeiras impressões não podiam ser mais positivas.
Não podemos esquecer que Beck está presente, desde a concepção à produção do disco, é bem notório e o resultado é um conjunto de canções muito pouco homogéneo mas verdadeiramente notável. Pelo que leio, o "mérito" musical é dele, mas não deixa de ser bom pensar que não é um disco de Beck cantado por Charlotte .

Há no disco guarida para vários estilos, de encontro à vontade de Charlotte. Magistral na interpretação da estupenda Vanities (onde por momentos pensei ouvir Beth Gibbons), da chanson française cantada em inglês de Time of the Assassins, Le Chat du Café des Artistes e La Collectionneuse , à quimera árabe de Voyage, passando pelo rock de Trick Pony e Looking Glass Blues tudo serve na perfeição a voz tímida e sensual de Charlotte.

J' adore.

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Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

Preferias ver-me paralítico

Em 93 não conhecia bem Bob Dylan. Fora as deturpações dominicais e uma ou outra audição fugaz na rádio, a sua melodiosa voz não fazia ainda parte da minha dieta musical regular.


Vagabundeando pela minha recentemente descoberta Viana do Castelo, na qual deambulei por mais sete anos, farejei num quiosque do único centro comercial merecedor desse nome na altura, o Verde Viana, um CD best of do Bob a 1.700 escudos, e veio-se a confirmar ser mesmo um Best of do Bob. Pouco depois tentei o mesmo número com um Best of dos Beatles, para ser presenteado com a orquestra sinfónica de Vladivostok interpretando os melhores êxitos.

O Bob era mesmo o Bob, e para além da sempre magnífica "Mr. Tambourine Man", que parece ter sido feita à base de chuva ácida, podemos instruir-nos com mais 17 canções do período inicial de Dylan, aí até 66.

O que mais me surpreendeu não foi contudo a eloquência poética, mas a incisividade de algumas canções, que mostram um Bob inclemente. Positively 4th Street é uma dessas canções. Gravada em 65 entre "Highway 61 revisited" e "Blonde on Blonde", é lançada como single na sequência de "Like a Rolling Stone"( já de si uma canção bem azeda), mas não entra em qualquer dos álbuns. Os entendidos inclinam-se para que seja uma canção de amor aos seus anteriores companheiros da cena folk, que adoraram a deriva de Dylan para o Rock electrificado.

A nossa cena musical está faltada de umas refregas destas, para ver se deixa de ser tão chatinha. Aqui e ali já ouvi uns acordes de rancor em dó maior para piano, e embora ténues, achei trés maxime. Felizmente a coisa não escalou, senão o nosso pequeno meio musical seria uma selva.



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Haiti



Segundo a Wikipédia:

“O Haiti (em francês Haïti; no crioulo haitiano Ayiti) é um país das Caraíbas que ocupa o terço ocidental da ilha Hispaniola (ou Ilha de São Domingos), possuindo uma das duas fronteiras terrestres da região, a fronteira que faz com a República Dominicana, a leste. Além desta fronteira, os territórios mais próximos são as Bahamas e Cuba a noroeste, Turks e Caicos a norte, e Navassa a sudoeste. A capital é Porto Príncipe (Port-au-Prince).”

Berço da abolição da escravatura, o Haiti é, desde a independência da França em 1804, um país fustigado pelo desastre. Ora por força de uma ruinosa indemnização a pagar ao ex-colonizador ora pelas mãos de ditadores como François Duvalier ou o seu filho Jean-Claude Duvalier (Papa Doc e Baby Doc, como eram conhecidos).
Como, infelizmente, sabemos, o último grande desastre a fustigar o Haiti foi o violento terramoto de 12 de Janeiro.
Muito se tem visto em toda a comunicação social sobre esta catástrofe. Um aproveitamento por vezes obsceno da desgraça dos já pobres Haitianos. Entre directos da televisão a mostrar as ruínas e os pobres a rastejarem por comida, e infindáveis artigos nos Jornais, este assunto tem ocupado grande parte da informação diária.
A ajuda que todos os dias chega a Port-au-Prince é de tal ordem que por vezes se perde no caminho. Centenas de aviões em lista de espera para aterrar na capital haitiana. Eu mesmo, em nome de um grupo de trabalho criado aquando das últimas eleições Autárquicas, tentei organizar uma recolha de bens para enviar para o Haiti. Prontamente me foi negada essa pretensão pela Cruz Vermelha Portuguesa, uma vez que é impossível neste momento fazer chegar essa ajuda ao Haiti.
Agora uma pergunta que me parece essencial.
Onde estava eu quando os Haitianos morriam à fome e eram mortos na rua, amontoados como agora em pilhas de cadáveres? Onde estava o mundo que agora generosamente ajuda o Haiti?
O Haiti está no lugar 149 em 158 países do Ranking de IDH (índice de desenvolvimento humano) da Nações Unidas e é, como já referi, desde a sua independência um dos mais pobres países do mundo. Entre 1990 e 2006 o Haiti viveu numa quase constante guerra civil que matou milhares de inocentes. Onde estava eu? Onde estava o mundo?
Não quero que estas minhas questões soem hipócritas, muito menos quero que as pessoas deixem de ajudar o Haiti e os Haitianos. Bem sei que nem eu nem o resto do mundo podemos acudir a tudo e a todos. Quero sim com este artigo mostrar aos meus leitores que Haiti’s há muitos e é preciso ajudá-los. Com sismos ou sem sismos. No Darfur já morreram milhares de pessoas, entre a fome e os assassinatos étnicos. Na Somália mata-se por comida. Isto só para exemplificar.
Ajudemos os Haiti’s por esse mundo fora, sempre e como nos for possível. Não esperemos que a natureza nos obrigue. A nossa humanidade deveria chegar para nos obrigar.


**Este artigo foi por mim publicado no Jornal "Reflexo", na sua edição de Fevereiro de 2010.**

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