Quarta-feira, 31 de Março de 2010

A do Tiago Guillul, claro

Parece ganhar forma uma discussão sobre qual a canção que deve simbolizar a senda da selecção de Portugal no mundial de futebol da África do Sul.


Eu não ligo muito às músicas, e pouco ao mundial, se bem que a recorrência irritante daquele loop dos Black Eyed Peas esteja a a causar danos até na minha descendência directa que pergunta até quando tem que ouvir aquilo.

Tendo que escolher, escolho a do Tiago Guillul, claro. Uma das razões não menores é a alegria de ver o mainstream ultrapassado pela direita.

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Segunda-feira, 29 de Março de 2010

Call me



Jorge liga-me quando puderes.

Amanhã à tarde de preferência :)

*Sábado vamos ás minas de Carris, queres vir????

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Domingo, 28 de Março de 2010

Hipocrisia (Quase) Neo Con

Eu cá não ligo nada a marcas, à aparência,nem à opinião dos outros mas tenho:

Um Panda
Um Sony Vaio
Um iPod Nano
Umas All Star (Falsificadas)
Uns óculos à Dylan
Um casaco à James Dean
Uns Pins dos Beatles
Uma conta no Facebook
Um maço de tabaco Ventil
Um brinco na orelha (raramente)
Umas Takeshy Kurosawa



Uma lata descomunal



Anarchy in the UK - Sex Pistols

video

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Ainda não gosto disso...

Depois de uma semana em que percorri todas as actividades das quais fugi nas aulas de trabalhos manuais, desde a carpintaria à metalomecânica, e na qual voltei a recordar os dias passados a chegar martelos e chaves de fenda ao meu pai quando ele arranjava alguma coisa em casa, fica o desabafo: ainda não gosto disso. E mais prometo solenemente que não mudo de casa nos próximos 20 anos.


É tempo de fazer um intervalo, e apesar das pontas dos dedos me doerem, a vontade de ouvir qualquer coisa pacificadora é mais forte, e cá está uma canção lindíssima dos Walkabouts, banda formada em Seattle em 84, com um pico de reconhecimento nos 90, com um guitarrista(Chris Eckman) que adora Lisboa, e que até já gravou uma versão do José Mário Branco no álbum Train lives at eigth.



Impossível esquecer o momento em que conheci a voz de Carla Torgerson, quando apressado ouvi pela primeira vez um dos álbuns da minha vida, no caso o segundo dos Tindersticks, mas esses merecem uma atenção maior. Vão tê-la.

Ainda não gosto disso...SocialTwist Tell-a-Friend

Sexta-feira, 26 de Março de 2010

Os 25





Agora é que a corrida estoirou, e os animais se lançam num esforço
Agora é que todos eles aplaudem, a violência em jogo
Agora é que eles picam os cavalos, violando todas as leis
Agora é que eles passam ao assalto e fazem-no por qualquer preço

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Quarta-feira, 24 de Março de 2010

"This is a Big Fucking deal"

E não é que o homem tem razão?


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Terça-feira, 23 de Março de 2010

Luz primaveril


Ao ouvir a entrevista de Samuel Úria ao programa Pessoal e Transmissível da TSF voltei ao meu primeiro contacto com a música de Úria em Fevereiro de 2009, e ao entusiasmo pela sua música.

Na verdade senti um efeito «Reveal» ao ouvi-lo na rádio. Reveal é um álbum de magníficas canções dos R.E.M de 2001 no qual as canções foram ofuscadas pela produção. Eu e outros fomos reconhecendo a grandeza das canções de Reveal quando as vimos despidas, às canções. Ao ouvir algumas das canções de Nem lhe Tocava só à guitarra o espírito delas manifestou-se, e a luz primaveril entrou.

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Segunda-feira, 22 de Março de 2010

Obama SuperMan II




"Obama faz história com aprovação da reforma da saúde "


Este senhor é grande. Muito grande. Ainda alguém questiona o Nobel da Paz????


http://publico.pt/Mundo/obama-faz-historia-com-aprovacao-da-reforma-da-saude_1428713

Obama SuperMan IISocialTwist Tell-a-Friend

Domingo, 21 de Março de 2010

A propósito da Cover do Peter Gabriel

Esta senhora tem algumas covers engraçadas, via YouTube. Tudo mais ou menos no mesmo registo, mas algumas valem a pena.






A propósito da Cover do Peter GabrielSocialTwist Tell-a-Friend

Sábado, 20 de Março de 2010

Imortal é-se quando se não morre

Imortal é quando não se morre. Mas é um autêntico paradoxo quando, para além de se não morrer, se renasce constantemente.


«Heroes» é uma canção paradigmática, gravada no epicentro da fase berlinense de David Bowie. Com uma base de piano, é pedido ao recém chegado do avião Robert Fripp, guitarrista, que improvise em cima do tema, a título de experimentação, e ele fa-lo repetidamente, de várias posições do estúdio Hansa, em Berlim. Brian Eno passa o som pelo seu sintetizador EMS, e Tony Visconti grava. As improvisações acabam por ser definitivas e à última da hora Bowie sozinho no estúdio tenta escrever uma letra. Quando vai à janela vê Tony Visconti a beijar Antonia Maas, corista no álbum, de modo furtivo dado ser casado, com o muro de Berlim por detrás. Nasce daí, em cerca de cinco minutos, uma das letras mais emblemáticas de Bowie. O nome da canção é uma homenagem a Hero dos NEU! A forma como é gravada a voz, com microfones a várias distâncias no estúdio com válvulas que abrem quando o volume da voz atinge um pico é uma inovação que marca inconfundívelmente esta música.

Apesar de não ter sido um grande sucesso na altura, «Heroes» veio-se a revelar imorredoura. E mais que isso, renasce constantemente das entranhas de outros artistas.

Agora foi a vez de Peter Gabriel, com uma versão que não envergonha esta grande canção.

Esta é A canção.



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Sexta-feira, 19 de Março de 2010

Primus inter pares

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Quinta-feira, 18 de Março de 2010

Vamos perder-nos

Gosto de jazz. Forcei-me a gostar, e aprendi a ouvi-lo quando o grande João, bartender do bar do Instituto da Juventude de Viana me disse «o Jazz não se ouve, sente-se», a propósito do quádruplo álbum de Miles Davis ao vivo em Estocolmo que eu catrapiscava noite após noite na sua prateleira(para abreviar, ele deixou-me copiar os cd).


De Davis a Coltrane foi um pulo(Trane tocou na banda de Davis), e que parelha mágica. Thelonious Monk veio na cadeia de Coltrane também, Herbie Hancock foi aparecendo(acho que também tocou com Davis)...Lady Day(Billie Holiday), Ella Fitzgerald, e muitos outros me ajudaram a gostar definitivamente de Jazz.

Hoje é a doçura opiómana de Chet Baker que vos trago. Que trompete, e que voz.

Let's get lost...




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Quarta-feira, 17 de Março de 2010

Faz frio na Suécia


Hipnótica e cortante, a voz de Fever Ray descreve paisagens interiores. Não há calor na sua voz, só factos e unidades discretas de informação. Mas a beleza não tem que ser quente e acolhedora. É de cristal a frieza dos The Knife.


Os The Knife não são muito atreitos à exposição mediática, e são até aversos às honrarias de plástico que todos os anos são distribuídas cada vez menos aparentemente com fundo lógico ou artístico. É o declínio e último estertor de um império de editoras multinacionais.

A internet vai de hype em hype, em ondas de efemeridade, e é difícil de acompanhar.

Apesar disso, o coração bate.





E para quem ainde tiver paciência de ver Karin aka Fever Ray com dEUS:

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E tudo os Vampiros levaram





Em 1999 já os GNR eram vampiros ao fim de semana.


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Terça-feira, 16 de Março de 2010

Oeiras - Liverpool - Cidade do México





Selecção de Estrelas. Nem sempre ganha, mas quase sempre dá espectáculo. Vamos esperar pelo resto do plantel.

Com os Beatles aqui ao lado.

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Segunda-feira, 15 de Março de 2010

Era a última carta restante para jogar

Permitam-me que use de um falso intimismo para lhes dizer que gosto muito desta música dos 'The Doors'. Hoje algo novo me plantou esta melodia velha na cabeça. Jim Morrison, di-lo no fim desta canção, estava em busca de um novo amigo, o Fim. O seu amigo já vinha a caminho e tardou apenas três meses.


Jim Morrison é uma lenda, um intelectual do Rock, e uma má cópia de Rimbaud e Baudelaire, apesar de eu ter comprado alguma dessa má poesia. Os 'Mestres & as Criaturas Novas' incendiaram-me o imaginário numas férias na Póvoa de Varzim, no término dos meus 17 anos.

'Hyacinth House' é uma brincadeira que cresceu até se tornar quase num Requiem, 'someone is following me' refere-se ao cão de Krieger que seguia Jim para todo o lado durante os ensaios. Toda a letra versa sobre a dependência e a necessidade de mudar de vida. Às vezes é preciso.

Mas já tinha jogado a última carta do baralho, não é?

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E sabe tão bem



Por estes dias ouço em alta-rotação, até porque não poderia ser de outra maneira, Crazy Rhythms álbum de estreia (1980) dos The Feelies. Crazy Rhythms é indie rock, puro um pouco acelarado, guitarras cruas como nunca ouvi, a beber directamente da fonte dos Stooges/Iggy Pop. Da mesma escola de gente como os Violent Femmes, Mark Mulcahy, Pixies e claro dos R.E.M. cujas semelhanças são indisfarçaveis. Por isso não é de estranhar que o 2º álbum, The Good Earth para o qual parto sem demora tenha co-produção de Peter Buck.

Com gente deste calibre quem quer saber dos Vampire Weekend ?

O passado continua a ter mais futuro que o presente. Triste sina...

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Domingo, 14 de Março de 2010

Encontramo-nos em Berlim

Em Berlim, lugar mítico, ponto de encontro entre guerras. Cabarets e miséria, prazeres, overdose e desilusão, onde o sonho e a dor são possíveis.

Foi bom, foi o paraíso. Agora o piano vai tocar até ao fim...até ao fim.

Lou Reed, John Cale e Nico. Os protagonistas de um triângulo amoroso que talvez tenha ditado o fim dos geniais Velvet dos primeiros tempos.

Reencontram-se passados alguns anos, e cantam «Berlin», mesmo antes de a música ser editada no álbum homónimo de Reed.

O que restará de sentimentos desses velhos tempos? Não sei, os olhares cruzam-se e parecem dizer-se algo, mas eu de fora não sei decifrar. Viajam por paisagens ignotas, como no barco bêbado de Rimbaud.

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Quinta-feira, 11 de Março de 2010

Pós Modernos, versão João César Monteiro

Houve tempos em que me levantava do meu beliche, vestia a farda, descia pelo varão e saltava para o carro à desfilada com os pirilampos ligados ao alarme de um novo disco dos GNR. Os tempos são outros, mas tal como com os R.E.M, nunca cesso de ter esperança.

Eu sou daqueles que a Inês Menezes não gosta(conferir entrevista a Guillul na Radar; eu cá gosto muito da Inês Meneses desde aqueles duetos fabulosos com o Fernando Alves nas manhãs da TSF), porque sou exigente com o standard que os GNR deviam manter por respeito a si próprios. Cair numa espécie de sarjeta Stoniana tal qual aconteceu com os Xutos não seria o que desejaria aos GNR. Dizer que o Reininho se acomodou, só não é exacto porque o álbum a solo o desmente em boa parte, e eu fui dos que comprou a rodela de plástico, porque gostei do que ouvi. A colaboração com o Alexandre Soares deu-me saudades dos GNR.

O último grande álbum desta grande banda foi para mim Pop Less, já do ano 2000. Mudaram um pouco o som, mas deram-lhe uns ares Burt Bacharach que não me desgostaram de todo, eu que tinha a colaboração do Burt com o Costello ainda fresca nos ouvidos. As letras foram, depois de muito tempo adultas e incisivas (acaba às Portas de Benfica o Mundo pequeno dessa gente - felizmente já vivo a Norte desse pequeno mundo, aí uns 100 metros). Canções lúdicas e deliciosamente experimentais como Pop Less, simplesmente lindas como Essa Fada, ou com produção exímia como Bem Vindo ao Passado. Achei que era a entrada dos GNR num certo público etariamente mais velho e mais sofisticado. Deve ter vendido pouco porque o próximo álbum, Ao lado dos Cisnes (bem ao lado) atacou furiosamente(sem êxito pelo que sei) a camada adolescente que faz as delícias bancárias do Zé Pedro Doutor Rock'n'Roll.

Há uns GNR que expandem a mente, mesmo sem receita médica. Aqui estão eles com a realização pós-moderna e post mortem de João César Monteiro. Venha o novo álbum. Espero por ele (a temer, a tremer).

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Quarta-feira, 10 de Março de 2010

Um ano são quantos dias?

Muitos certamente. Uma brincadeira de três irmãos chamada faseberlinense, despoletada por dois concertos assistidos pelos três no mesmo dia - um do Tiago Guillul na Fnac do Braga Parque, e outro mais amplo, incluindo FlorCaveira e Amor Fúria na Casa das Artes de V.N.Famalicão, - durou esses dias todos. Continua uma brincadeira centrada na música, da que gostamos e de outra que até respeitamos mas que não gostamos por aí além. Não temos pretensões que não sejam irmos trocando umas ideias, essencialmente entre nós os três, embora não deixe de ser interessante que um número pelo menos para mim inimaginável de pessoas nos vá seguindo diáriamente. Para esses, obrigado pela paciência, e as desculpas pela qualidade por vezes sofrível.


Neste ano que passou apenas lamento que tenha esfriado um pouco o ambiente fremente que se desenhava há um ano. Dos artistas que vimos nesses concertos de há um ano, os da FlorCaveira parecem prosperar e ganhar notoriedade de dia para dia, merecida e bem gerida. Fiquei muito à espera do álbum do Samuel Úria, que acabou por chegar há pouco tempo. Não era o que eu esperava, mas também ainda não me sinto ambientado o suficiente com esse álbum heterodoxo para reflectir sobre ele. Não me sinto atraído a ouvi-lo muito, mas assim foi com o Songs for Drella, por isso não me precipito. O som evoluíu imenso, e pelo que me contam, ao vivo o espectáculo é notável. Da Amor Fúria, temos ouvido falar pouco ou nada nos últimos meses, e parece que vem aí mais Feromona. De resto, o deserto e David Fonseca.

B Fachada não estava nos concertos de 14 de Fevereiro de 2009, mas comprei lá o Viola Braguesa. Sem ser o guardião da constância, B Fachada prometeu e cumpriu bastante. O super-hiper-mega grupo Diabo na Cruz, apesar de muito promissor no conceito, não me entusiasmou, talvez por eu ter nascido no meio do folclore. Parece que faz muito sucesso aqui na malha urbana da capital (aqui na zona da Grande Lisboa onde moro há um rancho minhoto que faz muito sucesso, mas usa lenços e trajes dos chineses e tem pessoas trajadas como pescadores da Nazaré infiltradas - para o pessoal da cidade aquilo é exótico). Acredito que pelas pessoas que o constituem, o conceito evoluirá para paisagens mais genuínas (um mesito na Serra D'Arga poderá ajudar).

Guillul tem um álbum a sair próximo, aguardo-o com curiosidade.

Na música internacional, quero ouvir já(ainda bem que me lembrei) o novo dos The Knife, e o resto aborrece-me imenso(a idade não perdoa).

Falando em novidades, parece que vi o azul do céu hoje. Sigo o seu caminho com uma canção vintage.




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Segunda-feira, 8 de Março de 2010

PESADELO ! Em Peluche


aqui.
Aviso já que a coisa não promete. Mas a capa é tão fofinha. Oh...

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Domingo, 7 de Março de 2010

Quase ganhou!


O estreitamento das relações entre Portugal e a Venezuela segue a bom ritmo. Agora até no festival da canção.

Ora vejam bem na foto se não é Hugo Chavez, himself, a tocar uma guitarra portuguesa que lhe foi oferecida pelo amigo José. Prenuncia-se que a guitarra de fado será próxima grande exportação para a Venezuela a seguir ao Magalhães.

Não consta que o rei de Espanha tenha sido convidado para interpretar o seu êxito «por que no te callas» escrito a meias com Tony Carreira(e com um rapaz mexicano que não é citado nos créditos).

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Virou !





E andamos nós entretidos com Rancho Eléctrico e com gajos a dançar "Roque Tradicional Português".

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JUMP JUMP JUMP




Com a onda saudosista que por aqui vai, admira-me que isto ainda não tenha cá vindo parar.

*Já agora, se alguém conseguir dar uma explicação cabal da diferença entre RAP e HIP HOP, é bem-vindo.

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Sexta-feira, 5 de Março de 2010

Tom Zé, o Plagiador

Se há alguém que nos ensina pelo processo reverso ao da edificação, esse alguém é Tom Zé. Ele não constrói as nossas crenças, apenas as desconstrói, infundindo ideias subversivas nos nossos aparentemente inabaláveis edifícios lógicos, abrindo fissuras onde elas seriam menos esperadas.

Pensamento lateral, descentrado. Tom Zé é o verdadeiro excêntrico no bom sentido, e também é um confesso plagiador, ora oiçam (Jobim que se cuide):



E como bónus, aqui fica uma descrição da actuação de Tom Zé na minha amada terra, que é Guimarães.

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Quarta-feira, 3 de Março de 2010

Crescendo uma canção

Já fiz crescer feijões, e até vou crescendo filhos, mas invejo o talento dos que crescem canções(das boas, que das fracas até eu).

Uma das maiores epifanias da minha vida em termos de audiofilia, foi a compra da Antologia 2 dos Beatles, lançada em 1995. Escolhi este volume em particular porque apanha a fase de 66 a 67, sem dúvida a mais fascinante da banda, pois que apanha 'Revolver', 'Sgt Pepper's' e 'Magic Mistery Tour'.

Para além de muitas canções de ensaios ou demos que lá se ouvem e não ficam nada, mas mesmo nada a dever às versões produzidas e lançadas, tal a qualidade das composições e dos músicos, acontece no início do segundo disco o momento mais mágico a que já assisti na música: o crescimento de uma obra prima, desde a gravação da demo no intervalo das filmagens de uma película que Lennon rodou em Espanha, até à sua versão quase definitiva.

«Strawberry Fields Forever» é o tema, e o youtube estava lá.



PS: Mais algumas incontornáveis da antologia 2 (é que nem dormi de noite por as ter deixado de fora do post):

«Tomorrow Never Knows», gravada com samplers e sequencers? Não, isso não existia em 66.


«I am the walrus», despida de orquestra, mas poderosa:


«You know my name», a canção brinquedo de Lennon e McCartney, gravada aos bocadinhos durante três anos:


Termino com a música que o Paulo referiu nos comentários deste post. A maior banda do mundo divertia-se à grande:

Crescendo uma cançãoSocialTwist Tell-a-Friend

Terça-feira, 2 de Março de 2010

Alguns foram, outros permanecem

Chegamos a uma fase da vida em que necessariamente temos que assistir à penosa e inexorável decomposição da nossa infância. Lentamente, as pessoas que a preencheram vão-se perdendo no nevoeiro. Estamos anos sem já nos lembrarmos delas e um dia a notícia do seu desaparecimento chega. É um pouco de nós que vai com eles.

Não encontro melhor canção do que «In my Life» dos Beatles para descrever esse sentimento de perda. É a música preferida de Paul Simon dos Beatles, e a sua autoria foi disputada por Lennon e McCartney, mas nunca cabalmente esclarecida.

Esta canção é dedicada às seguintes pessoas, que nomeio com as alcunhas oralizadas, sem ordem de importância: Sequinho, Cuf, Fim Bolas, Sejoaquim do Taburno, SeCarmindinha, Mitó, Manel Tarão, Tio Neca, Papi, Mami, Minguinhos, João Niscro, Manel Saruga, Jerónimo Mendes, Manel Fina e Ana Raínha. De outros me lembrarei ou me lembrarão.

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Folhas Caídas


Enquanto espero pelo hipotético novo trabalho dos Mazzy Star, cultivo a minha paixão platónica por Hope Sandoval, redescobrindo Bavarian Fruit Bread, aquele que bem podia ser o 4º de originais dos Mazzy Star, e antecessor de Through the Devil Softly, trabalho de 2009 e que vai já no embalo.

Hope Sandoval não muda aquele registo de voz enebriante e é também isso que me condena à escravidão. O resto está à vista.

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