Sexta-feira, 30 de Abril de 2010

Entre a paixão e o desespero


A música abaixo está algures entre a paixão de Nick Cave e o desespero de Leonard Cohen. A frase não é minha, estava num comentário do Youtube, mas concordo com ela.

Numa manhã como a de hoje, algo sombria com apenas pequenas résteas de sol, trata-se de uma música apropriada para ouvir na esplanada do Centro Cultural de Belém, antes ou depois de visitarmos a exposição da Joana Vasconcelos, enquanto se aprecia um gin tónico.

Hoje não há CCB para mim, muito menos gin tónico, mas a exposição já vi e vale a pena. Para dizer mais, é espectacular. É como voltar a Portugal de 1980, com todo aquele imaginário desses anos repescado. Nesta exposição conseguimos ver que Portugal mudou bastante.

O dia começa melancólico, mas previsivelmente acabará com ritmo.

Entre a paixão e o desesperoSocialTwist Tell-a-Friend

Quinta-feira, 29 de Abril de 2010

Especial


Eu não gosto de futebol.

Este homem é o melhor do mundo na sua arte.

Este homem é um grande líder de outros homens.

Ser-se português não é handicap nem desculpa.

Senhor Mourinho, pode vir governar Portugal se faz favor? Agradecia.

Já escrevia Nietzsche:

O homem precisa ser superado. Por isso necessitas amar as tuas virtudes, porque por elas morrerás”.

EspecialSocialTwist Tell-a-Friend

Quarta-feira, 28 de Abril de 2010

Ai Alemanha, Alemanha, de que é que tu estás à espera?


“A União Social Cristã (CSU) da Baviera, partido coligado com a União Cristão Democrata (CDU) da chanceler Angela Merkel, exigiu que a Grécia abandone a união monetária europeia devido à crise financeira que enfrenta.”

Esta frase é retirada de uma notícia da Agência Financeira e é o reflexo do egoísmo Europeu, particularmente dos nossos parceiros Alemães.
Antes de mais nada, uma pequena recordação histórica:
A Alemanha, causa das duas Grandes Guerras Mundiais, é a prova viva do sucesso do processo de integração europeia. Se no final da 1.ª Guerra Mundial a Alemanha foi severamente punida pelo tratado de Versalhes (ignorando os aliados os conselhos do Presidente Americano Woodrow Wilson), levando a um atrofio da economia alemã e ao consequente desvio populista que nos leva à génese da eleição de Hitler e consequentemente à 2.ª Guerra Mundial, no final desta 2.ª Guerra a Alemanha dividida pelos acordos de Ialta e Potsdam foi reconstruída e levantada pelo dinheiro Americano do Plano Marshal. Depois, rebocada pela visão de Robert Schuman e Jean Monnet (Ministro dos Negócios Estrangeiros e Presidente Francês em 1951, respectivamente), que queriam criar um movimento de integração europeia e evitar outra guerra, a Alemanha Ocidental foi um dos países fundadores da CECA (Comunidade Europeia do Carvão e do Aço), organização embrionária da União Europeia. Mais tarde, impulsionada pela visão do seu Chanceler Helmut Kohl, a Alemanha reunificou-se e a Alemanha Oriental foi objecto de ajuda por parte das instituições europeias (é certo que nesta altura já a Alemanha Ocidental era um dos principais pagadores do bolo europeu). É impossível prever o caminho da Alemanha e da Europa sem o caminho traçado por Schuman e Monnet, mas este seria certamente diferente.

Hoje, a Alemanha está relutante em ajudar a Grécia (culpada, sem apelo nem agravo da situação em que se encontra). Não vou aqui discutir a questão dos mercados e das Agências de Rating, essencialmente porque não me sinto na posse de todas as habilidades para o fazer, mas vou sim apontar o dedo a esta Alemanha egoísta, muito diferente da Alemanha de Kohl e de Gerhard Schroeder. Politicamente, ninguém mais que a Alemanha tem obrigação de ajudar. Ninguém aqui está a pedir que a Alemanha suporte todos os desvarios económicos dos seus parceiros europeus. Pede-se sim solidariedade de quem pertence a uma União política, económica e monetária que passa neste momento por enormes dificuldades. A Grécia é o que todos sabemos, Portugal tem um problema gravíssimo de défice orçamental, Espanha é uma bomba prestes a explodir onde 20% da população activa depende da construção num país em que as casas valem…nada. Enfim, este é um enorme desafio que a Europa tem pela frente, e o que se pede à Alemanha é solidariedade e confiança, e não se lha pede a qualquer preço. À mesma escala pedem-se medidas concretas e sacrifícios aos países em dificuldades. A Alemanha e a Europa têm de acreditar nos seus parceiros.
Imaginemos por um momento apenas que um dia, Schuman e Monnet não tinham acreditado na Alemanha.




*este artigo vai ser publicado na edição de Maio do Jornal Reflexo

Ai Alemanha, Alemanha, de que é que tu estás à espera?SocialTwist Tell-a-Friend

Terça-feira, 27 de Abril de 2010

Hiroshima meu amor

Este post é uma homenagem singela ao Miguel Vaz do blog Minoria Ruidosa, que escreveu que faz tanto sentido comemorar o 25 de Abril como Hiroshima.

Penso que ele se estava a referir aquela música dos Da Vinci(ou ao filme do Alain Resnais, ou ao livro da Marguerite Duras), e concordo plenamente, faz sentido celebrar Hiroshima.






[Polygram - 1982]

Com um agradecimento ao blog Viva80s

Hiroshima meu amorSocialTwist Tell-a-Friend

Sobre o calor


Os cães da luxúria perseguem Matt Johnson. O dia de ontem lembrou-me desta transpirante música, plena de calor sufocante, metáfora de outros calores.

Guitarra e harmónica de Johnny Marr, uma das minhas preferidas, sem dúvida. Todo o álbum em que habita é um imenso campo de batalha entre a racionalidade e o desejo, ou talvez melhor definido, uma imensa tentativa falhada de racionalizar o desejo.

«Dusk» é de audição obrigatória.

Para ver o vídeo é só mais um clique. Vale a pena!

Sobre o calorSocialTwist Tell-a-Friend

Segunda-feira, 26 de Abril de 2010

A caixa de Annie

Assisti ontem ao filme «Criação», um belo filme sobre o caminho trilhado por Darwin até à publicação da sua origem das espécies. Foi difícil, porque a perda aos 10 anos de Annie, a filha curiosa e inquisitiva de Darwin não pode deixar de causar suores frios a qualquer pai que assista ao filme. Annie, na sua cândida esperteza e no seu declínio físico atravessa todo o filme, e serve de base à compreensão de Darwin e da sua esposa Emma, cujo caminho bifurcou após a morte de Annie, seguindo o caminho dela para Deus e o de Darwin para a ciência. Por fim a longa indecisão de Darwin publicar a sua obra que mudou o mundo foi ultrapassada...e Emma não foi alheia, mas não quero estragar o filme para os que ainda o verão.

«Annie's Box» é um dos temas da ópera criada pelos The Knife, «Tomorrow in a Year» em conjunto com Mt. Sims and Planningtorock para a companhia de teatro dinamarquesa Hotel Pro Forma.

Li nas críticas sobre o álbum que é muito árido e experimental, e eu não acho, mas eu já ouvi «Tilt»
e «The Drift» do Scott Walker assim como boa parte da obra de Brian Eno nos anos 70 e gostei. Acho que esta obra sairia engrandecida com a experiência visual associada, mas mesmo como está gosto muito.


Ah, e claro que acredito que foi Darwin que criou o mundo, pelo menos o meu.

A caixa de AnnieSocialTwist Tell-a-Friend

Domingo, 25 de Abril de 2010

A eterna juventude: Sonic Youth, 23-04-2010, Coliseu do Porto


A minha história com os Sonic Youth começa, como não podia deixar de ser, nos 90's com Dirty. Já estes senhores levavam mais de 10 anos de carreira e alguns álbuns seminais como EVOL, Sister, Daydream Nation e Goo. De Dirty para a frente, para além de dissecar os supracitados, acompanhei regularmente a carreira singular dos Jovens Sónicos, com incidência especial em A Thousand Leaves e Murray Street. São para mim uma referência. Um caso à parte.


De modo que me fiz acompanhar ao concerto de 6ª feira no Coliseu do Porto pelo João Paulo, amigo de longa data, grande guitarrista e companheiro de outras lutas. Doutorado em Sonic Youth, diga-se.

O line-up, dizem-me, incide sobre The Eternal, o mais recente e excelente álbum da banda, "a começar com as três melhores músicas do álbum" acrescenta JPaulo. Termina com dois encores a acabar o serviço do corpo do concerto já de si extasiante, um autêntico vendaval. Agora sim, alguns dos esperados e velhos êxitos, dos quais reconheço e destaco Death Valley 69. Brutal e apoteótico. Pelo meio, Lee Ranaldo, espectáculo dentro do espectáculo na sua entrega genuína à exploração das infinitas potencialidades da guitarra. Um espanto.

Qual Douglas, ponta-de-lança do meu Vitória sem um golo sequer marcado na Liga, sucessivamente falhei oportunidades de baliza aberta para ver os Sonic Youth. Sexta-feira finalmente não errei o alvo, cumpri um desiderato com 15 anos e assisti a um concerto de rock na verdadeira acepção da palavra. Nada mais do que gente jovem de 50 anos (impressiona a cara de menino do Thurston Moore !!) com guitarras e baixo em punho e uma bateria lá atrás a entrarem-nos pelos tímpanos dentro. Dizem-nos simplesmente: O ROCK É ISTO !!

Uma análise sociológica final para a heterogeneidade da sala. Vi uma senhora dos seus mais de 50 anos embevecida, sorriso matreiro de câmara meia escondida a gravar o concerto, outros tantos da mesma faixa etária com aquele brilhozinho nos olhos e o brinco na orelha que por vezes distingue o povo alternativo, vi muitos da minha geração. E surpreendentemente vi muitos Sub-23. Mesmo muitos, mais do que o que esperava. Gente muito jovem que continua a dar esperança ao Rock, e que com certeza se está marimbando para os imitadores do Paul Simon, sapatos de vela, polos Ralph Lauren e por aí fora.

Não tocaram, mas gostava que tivessem tocado, a Juventude contra o Fascismo.



A eterna juventude: Sonic Youth, 23-04-2010, Coliseu do PortoSocialTwist Tell-a-Friend

Sábado, 24 de Abril de 2010

Argento vivo


É o título português de um livro de Neal Stephenson, parte de uma triologia que na versão em inglês que conheço é só um livro, QuickSilver.

Neal Stephenson é um autor grandioso, e o seu Snow Crash de 92 adivinha e enforma o que viria a ser o mundo virtual Second Life.

Jaz ali na minha prateleira o seu último, Anathem, um opus de cerca de mil páginas sobre o planeta Arbe, no qual milhares de anos antes dos acontecimentos relatados no livro, com a sociedade à beira do colapso, os intelectuais recolhem a mosteiros, retendo apenas acesso controlado a ferramentas e novas tecnologias. Mas um dia eles saem...

Por falar em argento, ou seja prata, ontem estive quase acidentalmente na Fábrica do Braço de Prata, um local fabuloso de cultura, com três salas a debitar música ao vivo em simultâneo e estantes repletas de livros e paredes repletas de arte. E só cinco euros para usufruir desde um competente quarteto de jazz , declamação de poesia e a música de Cabo Verde até ao chorinho. É para regressar.

Argento vivoSocialTwist Tell-a-Friend

Quinta-feira, 22 de Abril de 2010

Estou a gravar o silêncio




"He was a genius. It's a word that's used too often, but there's no way it's overused for Martin"


É com estas palavras de Anthony Howard Wilson, Tony Wilson para amigos e melómanos, que deparo logo que abro o livrinho que acompanha Zero: A Martin Hannett Story 1977-1991, disco adquirido a preço amigável e que dá uma perspectiva geral da obra do genial produtor. Aliás, o booklet só por si merecia os €7,5.

Martin Hannett foi o visionário na cabine dos Joy Division, lapidando o diamante que já eram os Warsaw. Liberta o baixo de Peter Hook, amestra o talento inato de Bernard Sumner, conjuga as palavras de Ian Curtis e com aquela batida marcial, seca e concisa de Stephen Morris preenche a atmosfera da gélida caverna que é o inigualável som dos Joy Division. Closer e Unknown Pleasures são o que se sabe, duas obras primas, do mais primo que há.

Foi também co-fundador e arquitecto sonoro da lendária Factory Records, figura central de Madchester e Manchester dos anos 70 e 80. Por isso é sem qualquer surpresa que nesta compilação se encontram Joy Division, New Order, The Durutti Column, Happy Mondays, OMD ou Buzzcocks. Já com alguma surpresa encontro gente consagrada, como os saudosos e à altura desconhecidos U2, Psychedelic Furs ou Nico, com os The Invisible Girls para uma versão mais guitarrada de
All Tomorrows Parties.
Com estes partilharam o génio e a loucura de Martin Hannett uma mão cheia de bandas ou artistas, com tanto de desconhecidas como de interessantes. O poeta punk John Cooper Clark, Basement Five, Jilted John, Slaughter and The Dogs e os Section 25, com a espectacular
Friendly Fires ( a dar nome aos... Friendly Fires) são nomes para ir descobrindo.


Os Stone Roses também


De todos eles Martin "Zero" Hannett, conseguiu extrair melhor que ninguém a essência e inocência. Deve ter sido um génio. Parece-me que sim.



Estou a gravar o silêncioSocialTwist Tell-a-Friend

O palhaço de Deus


Esse é um título do qual nunca me esqueci de um livro da Assírio & Alvim sobre David Bowie, mas não é sobre o venerável Bowie que venho falar hoje, mas sim sobre novidades do filme Henry and Sunny, protagonizado por Paulo Bragança.

Henry and Sunny, a curta metragem protagonizada por Paulo Bragança, encontra-se em fase de submissão a vários festivais em Portugal. O trailer, uma entrevista com Paulo Bragança e outros materiais podem ser acedidos no site português do filme.
Link para o site português de Henry and Sunny
O filme tem uma política de exibição bastante aberta, pelo que encorajo quem tenha algum evento no qual se encaixe a exibição desta curta de 15 minutos a contactar a produção(os contactos estão no press pack acessível num link a vermelho).

O palhaço de DeusSocialTwist Tell-a-Friend

Terça-feira, 20 de Abril de 2010

Luz Branca / Calor Branco

Escrevi uma vez algures que os LCD Soundsystem seriam porventura os naturais herdeiros dos Velvet Underground. Têm pinta, são de New York e um tanto ou quanto desalinhados. A ideia não colheu.

Tudo bem que se vão esforçando, mas tanto ?

Luz Branca / Calor BrancoSocialTwist Tell-a-Friend

Feliz 30º aniversário

Os R.E.M. celebram 30 anos de carreira em Abril. Há cerca de dez anos lembro-me de andar pelas ruas de Vigo, Galiza, a procurar a filial da SEUR, o único local onde se vendiam bilhetes para o concerto da banda no Recinto Ferial de Cotogrande. Foi complicado pois ninguém conhecia os 'are i em', mas a salvação chegou quando ouvimos falar em 'Los Ren' na rua e finalmente percebemos.

O concerto, num recinto relativamente pequeno, foi bom por podermos ver a banda bem de perto, e em forma na digressão de Up. Não foi sem surpresa que vimos Mike Mills aparecer com um cachecol de Portugal ao pescoço para gáudio dos que tinham atravessado o rio Minho. Ele explicou que tinha adorado o público português no concerto anterior, precisamente o do Pavilhão Atlântico.

Curiosamente os Galegos não acharam mal...

Feliz 30º aniversárioSocialTwist Tell-a-Friend

Segunda-feira, 19 de Abril de 2010

Uma orgia à moda Baptista.

A FlorCaveira em peso no palco do MusicBox.

Uma orgia à moda Baptista.SocialTwist Tell-a-Friend

Hoje sem falta



Comprar o novo dos Mão-Morta. Arranjar maneira de assistir ao concerto do dia 29 no Coliseu dos Recreios.

Espero um grande disco dos Mão-Morta. O universo simbólico deste disco é irresistível: a obra «Atrocity Exhibition» de J.G.Ballard, que morreu precisamente há um ano.

Gosto da escrita de Ballard, que põe a descoberto as facetas do lado escuro do indivíduo. Crash, que conheci primeiro nas imagens de Cronenberg, foi uma fonte de perplexidades para mim, e é um dos meus livros de culto. Atrocity Exibhition já tinha antes flamejado Ian Curtis, que nele fundeou a canção que abre Closer da Joy Division.

Dos Mão-Morta espero standards elevados e não me intimido com o avanço Pop do primeiro single. Ele vai simplesmente atrair muitos inocentes à teia da aranha.



Hoje sem faltaSocialTwist Tell-a-Friend

Apocalypse Now!

Apocalypse Now!SocialTwist Tell-a-Friend

Domingo, 18 de Abril de 2010

O abissínio



PARTIDA

Demasiado visto. A visão percorreu todos os ares.
Por demais sofrido. Rumor das cidades, à noite, ao sol, e sempre.
Por demais sabido. As estocadas da vida. - Ó Rumores e Visões!
Partida no afecto e no ruído novos!

Jean-Arthur Rimbaud, Iluminações

Excitação! Foi descoberta por acaso uma nova foto de Rimbaud, sentado plácidamente no terraço do Hotel Universo, em Áden. Se o visse na rua não o reconheceria, mas à sua poesia sim.

Fica a música desse filho de Rimbaud, que viaja também por Arábias desconhecidas.

O abissínioSocialTwist Tell-a-Friend

Sexta-feira, 16 de Abril de 2010

Holocausto



O vídeo aí em cima é apenas um pequeno resumo de uma grande obra, maior do que qualquer outra que vi até hoje.
Já li muito sobre o holocausto, já vi alguns documentários sobre o holocausto, já vi filmes sobre o holocausto, mas The Last Days é devastador.

O documentário, premiado pela Academia com o Óscar para melhor documentário em 1998, centra-se no testemunho de cinco judeus húngaros, sobreviventes do holocausto e que encontraram guarida nos Estados Unidos da América. É principalmente a descrição de pequenos pormenores que cada um deles viveu (a história de Irene com os diamantes é emocionante), a forma como passados tantos anos ainda não conseguiam perceber o porquê de tanto ódio, a perplexidade como recordam momentos que até para eles que os viveram continuam surreais, que faz deste documentário uma obra nada menos que obrigatória.

A verdade é que o ser humano é pródigo na tentativa de extermínio de povos inteiros, desde o Genocídio Arménio, ao Massacre de Srebernica, e outros tantos a que vamos assistindo.

Porquê ?

HolocaustoSocialTwist Tell-a-Friend

Quinta-feira, 15 de Abril de 2010

A angústia adolescente


A visita de um amigo anónimo aqui ao post anterior do nosso blog lançou uma interessante retrospectiva sobre tempos passados.

Partilho com o amigo anónimo a sorte de ainda ter conseguido preservar grande parte do meu catálogo de música(saí de casa dos pais antes de o mais novo se interessar), e tanto eu como o Paulo César, que somos um pouco mais velhos que o Pedro(aí uma década no meu caso) ainda somos do tempo em que comprar um disco era dia de festa. Por isso ainda me lembro claramente dos primeiros quatro discos de vinil que compramos: 'Automatic for the People', R.E.M, 'Ten', Pearl Jam, o álbum negro do Metallica, e 'Rhytm of the Saints' de Paul Simon. Depois veio a era do CD com a Sony FH-B155 que está a tocar Waterboys atrás de mim.

Os anos passam e coincidência partilho também com o anónimo o privilégio e as angústias da paternidade de duas crianças e a falta de tempo, mas como pode testemunhar por aqui, a música continua a merecer o respeito de sempre.



A angústia adolescenteSocialTwist Tell-a-Friend

A minha vida não cabe num post

A propósito de uma conversa com o Vidinho e o Fernando da Cristininha fui parar a um vídeo dos LX - 90. Para lembrar o Fernando dos seus tempos antigos e para mostrar ao Vidinho por onde andou o aclamado DJ Vibe antes de o ser, quando ainda era Tó Pereira (ou DJ Tó, como aparece nos créditos).

Dai aos Heróis do Mar foi uma passo óbvio.

Quando dei por mim estava a revisitar algumas das músicas com as quais cresci. Aquelas músicas que ouvia no quarto do Paulo e do Gusto, primeiro na aparelhagem Sony que o Pai há não muito tempo roubou do meu quarto e mais tarde na Pioneer (penso que não me engano) que está agora no quarto do Paulo e que veio do café.

Aquelas tardes intermináveis a tirar os CD's do Paulo(aqui começou a saga de destruição do património discográfico do Paulo) e a ficar, ora deitado na cama a ouvir a altos berros, ora em cima dela a fazer as vezes de vocalista.

Foram esses os primeiros passos que dei na música. Foi com essas músicas que o "bichinho" cresceu. Foram essas, algumas ouvidas até à exaustão, que gravei em cassete para ouvir no Walkman Sony do Paulo a caminho para a escola, entre a Pedreira e o Ciclo, via Alvite. Foi ao som dessas músicas que me encheram de maluco os meus amigos, que não compreendiam porque é que eu ouvia aquilo. Algumas delas já não as ouvia há anos. Lembrei-me do primeiro CD que me deram de prenda. "Resistência ao Vivo no Armazém 22", oferecido pelo Paulo. Enfim. Foi a partir daqui que comecei a perceber as Siglas que os meus irmãos escreviam na parte de fora dos livros e dos cadernos da escola. As tentativas de converter o Carlinhos, que pacientemente me aturava, nos tempos em que o tio Tónio saia ás 10h e ele esperava por ele lá em casa.

Enfim

Foi uma bela viagem, cheia de imagens que tenho pena não poder transportar para este post.

Este Post é sobre tudo e sobre nada. A música que lhe dá vida acaba por ser o que menos importa.













A minha vida não cabe num postSocialTwist Tell-a-Friend

Terça-feira, 13 de Abril de 2010

Dois heróis portugueses

O Mitó era o Belarmino da pintura, o Belarmino era o Mitó do boxe. Belarmino morreu atropelado, o Mitó morreu atropelado. Ambos tinham na cabeça façanhas inalcançáveis, ambos sabiam dar à sola na face do perigo. Ambos viviam um certo tipo de grandeza na miséria, ambos representam um certo tipo de portugalidade.


Ao Mitó podemos recorda-lo nas estórias que presenciamos, numa ou noutra rara fotografia ou no retrato que lhe desenhei à socapa enquanto ele via televisão na tasca, ao Belarmino podemos vê-lo no grande filme de Fernando Lopes.

Fica a homenagem aos dois, com Linda Martini.

Dois heróis portuguesesSocialTwist Tell-a-Friend

"Ateus britânicos querem Papa preso quando visitar Reino Unido"


E nós?

http://publico.pt/Mundo/ateus-britanicos-querem-papa-preso-quando-visitar-reino-unido_1431872

"Ateus britânicos querem Papa preso quando visitar Reino Unido"SocialTwist Tell-a-Friend

Jimi Hendrix 1.0.1







Jimi Hendrix 1.0.1SocialTwist Tell-a-Friend

Sábado, 10 de Abril de 2010

Como se diz em Sande, "nem pás solas"





Prometo que vou reservar tempo para uma audição mais cuidada de "Californication", mas numa "parada" rápida pelo álbum, a primeira coisa que me veio à cabeça foi o titulo que podem ver acima. Nem pás Solas.

Como se diz em Sande, "nem pás solas"SocialTwist Tell-a-Friend

Sexta-feira, 9 de Abril de 2010

A arte do lapidador

Nos comentários do post com a cover do John Frusciante, o Pedro diz de forma sacrílega que os Red Hot Chili Peppers merecem ser lembrados pelo Blood Sugar Sex Magik e por um par de canções do Californication.


Fui fazer o trabalho de casa e ouvir os citados e mais o último Stadium Arcadium, sendo que estou agorinha mesmo no encore do concerto no Slane Castel. Os Chili Peppers são uma grande banda.

Quando Flea foi a casa de um John Frusciante a quem chamar ser vivo começava a ser abusivo, e o convidou para reintegrar a banda, ele sabia que esta é a única encarnação genial que a banda poderia ter. O falhanço do regresso de John seria o fim da banda, tout court. Dave Navarro tinha levado a sua exuberância e exibicionismo e desiquilibrado a balança, Kiedis desaparecia às semanas e chutava em hotéis baratos. O panorama era sombrio.

Frusciante renasceu miraculosamente - era para casos como este que o Vaticano devia olhar -, e seguindo a máxima de Saint-Exupery que postula que o bom escritor é aquele que já nada consegue retirar ao texto, John veio mostrar que o grande guitarrista também pode ser aquele que já nada pode retirar de guitarra à canção. Em Californication, os riffs minimalistas salpicam cada canção com genialidade e a coesão da banda é admirável. É para mim ainda melhor no todo do que o Blood Sugar. Stadium Arcadium é uma explosão de trabalho de uma banda de boa saúde e com um Frusciante hiperactivo. Nas primeiras audições enfastiei-me cedo, ao ouvir por alto nas idas para o trabalho. Hoje ouvi com atenção. Muito boas canções, grande requinte musical, mas grande de mais...é impossível ouvir aquilo até ao fim de uma assentada, até porque as melodias de Kiedis são um tanto ou quanto previsíveis, por isso talvez a melhor estratégia deva ser ouvir às fatias.

Sem Frusciante os Chili Peppers que aí vêm põe-me apreensivo, sabendo que o motor de criatividade da banda(depois da OD do primeiro guitarrista) sempre foi o par Flea/Frusciante. Com o Navarro há aí sim uma ou duas músicas.

Celebremos 10 anos dos Chili em grande com um Frusciante renascido dentro e fora da banda.

E agora oiçam-me este riff.

A arte do lapidadorSocialTwist Tell-a-Friend

A prova que em Portugal também se fazem excelentes videoclipes.

E boa música já agora. Em Berlin espera-se pelos próximos passos da Feromona.


SocialTwist Tell-a-Friend

Quinta-feira, 8 de Abril de 2010

A canção da sereia

Com nascente na pena de Tim Buckey, pai de Jeff, Song to the Siren foi ouvida pela primeira vez no seu álbum de tonalidades experimentais Starsailor, de 1970. Mais tarde os This Mortal Coil, colectivo de músicos da 4AD marcariam o som dos anos 80 com uma versão desta canção.

John Frusciante, ex-guitarrista dos Red Hot Chili Peppers e um daqueles que já viu o inferno e voltou para contar, nunca escondeu o seu amor às grandes canções, e é com amor que aborda Song to the Siren, lançada no ano do seu nascimento.

A canção da sereiaSocialTwist Tell-a-Friend

Quarta-feira, 7 de Abril de 2010

A queda ?


Cheira-me que está a cair o último bastião de liberdade musical em Portugal. Vou esperar para ver e, possivelmente, decretar a hora da morte.

É caso para dizer que sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço.

A queda ?SocialTwist Tell-a-Friend

Terça-feira, 6 de Abril de 2010

Pay my respects



Pay my respectsSocialTwist Tell-a-Friend

Viagens na minha terra

Os 40 dias que precedem a Páscoa, são na tradição da maioria dos portugueses dias de sacrifício e purificação. No meu caso deixei a parte da expiação dos pecados para a véspera da Páscoa, e fi-lo da melhor maneira, acompanhando a malta do 4teambtt num dos seus passeios de BTT pelas serranias circundantes da Citânia de Briteiros, bem ali entre Guimarães, Braga e Póvoa de Lanhoso.

Seguinto trilhos monteses, incluindo a via romana para Aquae Flaviae(Chaves), na qual tive a oportunidade de beijar o chão - e acreditem não foi na tentativa de imitar o chefe de estado do Vaticano -, encontramos desde pastores bucólicos a tascas do antigamente. A paisagem da minha terra é insuperável, e quem não visitar o Minho fica com uma visão manca de Portugal.

Fiquei fã dos passeios de BTT com contexto, a convalescença progride lentamente.

Na foto 2/3 da faseberlinense, eu próprio e Paulo César. Crónica e fotos para os mais interessados.



Viagens na minha terraSocialTwist Tell-a-Friend

Domingo, 4 de Abril de 2010

A do Estebes, como num pudia deixar de ser


Está lançada a discussão sobre a música que deve acompanhar a Selecção Nacional, se assim podemos chamar a um colectivo luso-brasileiro, até à África do Sul.

Apreciei a dupla jogada do Tiago Guillul, com a entrada a pés juntos sobre os Black Eyed Peas e a tentativa de contornar a barreira do alternativo rumo a territórios mainstream outrora ocupados apenas por gente como Tiago Bettencourt ou João Pedro Pais, mas vai daí não reconheço à música das muralhas qualquer significado ou conotação futebolística.

Pois bem, o meu irmão diz a do Tiago Guillul, claro, eu digo A do Estebes, como num pudia deixar de ser.

Enquanto eu seguia o México '86 em frente à televisão como um polícia e elegia Diego Armando Maradona como o melhor futebolista de todos os tempos e tempos que hão-de vir (sem direito a discussão) e ídolo no que à bola diz respeito, o meu irmão entretinha-se a desenhar a giz o Pique, esse aí de cima, na parede de casa.

A do Estebes, como num pudia deixar de serSocialTwist Tell-a-Friend

Quinta-feira, 1 de Abril de 2010

Fados com Ph, portanto Phados


É, felizmente cada vez menos, o segredo mais bem guardado da música portuguesa, que nem a colaboração com Rodrigo Leão dando voz a Pasión conseguiu desvendar.

Não gosto muito destas comparações, mas uma espécie de Paulo Bragança de saias, que acaba por ser o nosso Caetano, com alma que nunca mais acaba. Singular a interpretação de O Quereres, bem como de Gaivota, a fazer corar de vergonha o colectivo Amália Hoje, sem mais comentários...

Que a onda cresça e Phados tenha sucessor.

Senhoras e Senhores, Lula Pena

Fados com Ph, portanto PhadosSocialTwist Tell-a-Friend

Paulo Bragança e o palhaço que há em nós


Chegou a segunda de três partes da entrevista de Paulo Bragança, enquadrada na sua participação na curta Henry and Sunny, do realizador Irlandês Fergal Rock.

Nesta segunda parte, Paulo fala da sua participação no filme Tráfico de João Botelho e da sua empatia com Henry, um palhaço muito conhecido mas desempregado, que como Paulo diz a certa altura, veste a sua pele.

Estou curioso de ver este filme em Portugal.

Henry & Sunny - Paulo Braganca Interview Part 2 from HenryandSunnyFilms on Vimeo.

Paulo Bragança e o palhaço que há em nósSocialTwist Tell-a-Friend