Segunda-feira, 31 de Maio de 2010

Raiva contra o fim da luz

«Do not go gentle in to that good night». Tela musical de John Cale sobre um poema de Dylan Thomas, aquele a quem Zimmerman foi buscar o nome. Galês contra Galês.

Ás vezes tento perceber e contemporizar com a vaga de copianço e banalização que atravessa a música popular de hoje. Não posso esquecer que essa vaga é reflexo de um tempo em que as pessoas mais novas estão saturadas de informação e não se conseguem governar nela. É o déficit de atenção permanente. Mas em muitos casos o que se vê é mesmo preguiça e oportunismo, apanhar a energia de comboios já em locomoção. A cadeia alimentar tem o seu interesse: Os africanos criam, Paul Simon inspira-se, os Vampire Weekend ripam, e de quê classificar o que fazem aqueles que copiam ainda dos Vampire Weekend? O problema não é beber influências, é não se passar do copy and paste das mesmas. Os The Verve podem falar bem disso, porque os Stones não são de modas.

Salvaguardando as devidas excepções, na geração zero, vai-se pouco ao fundo das questões, lê-se e investiga-se pouco(é a prática do «consome e passa ao próximo»). É fácil vender-lhes como novas, ideias sobre as quais ainda não assentou bem a poeira dos dias.

Para os que realmente querem ir fundo, não há melhores dias, com tudo tão disponível tão rapidamente. Há que aproveitar.

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Sábado, 29 de Maio de 2010

Dennis Hopper



Assistia ontem no canal ARTE ao excelente documentário Dennis Hopper Créer (ou crever), que grosso modo faz uma retrospectiva sobre a obra artistica do actor, realizador, fotógrafo (as capas dos Best Of I e II dos The Smiths são dele, por exemplo). Notável, acima de tudo inquieto, viveu a sua arte e a dos outros como poucos. E hoje morreu.
A morte continua a fazer anjos.

Monstruosa interpretação em Apocalypse Now

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Sexta-feira, 28 de Maio de 2010

Death makes angels of us all

13 anos passaram sobre o dia em que de forma abrupta e absurda o mundo ficou mais pobre. Jeff lançou-se ao rio e não mais voltou.

Para trás deixou um legado incomparável. Referência para muitos, respeitado pelos melhores, imitações falhadas...

Grace é o expoente máximo. O melhor disco dos 90’s.

O melhor disco de todos os tempos ?

Para mim seguramente o mais marcante. Porque passados todos estes anos continua excessivamente belo. Pede para ser ouvido, chama por mim de forma irresistível. Continua o provocar o corropio de emoções de há 16 anos.

Comprei-o em 1994, compreio-o em 2004, espero comprá-lo em 2014.

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Quinta-feira, 27 de Maio de 2010

Meus queridos 80


Os meus 80's foram ouvidos nos 90's, ao retardador.

Ai que prazer estar horas na biblioteca municipal a ler o Querelle, do Jean Genet.

Que saudades de quando até o plástico era autêntico. Agora até o autêntico é de plástico.

É a fuga total ao significado. O grau zero da escrita, lá diria Barthes.

Contento-me porque se prepara o caminho para o que há-de vir, a busca voraz do significado.

Mudando de assunto, não é que à procura dos Pop Dell'Arte encontrei uma mina?





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Quarta-feira, 26 de Maio de 2010

Saudades do futuro

Aquando da última reunião Berlinense, falava com o Jorge e veio à tona o abuso das referências por parte de alguns ajuntamentos musicais do nosso tempo. É uma verdade que dói.

O objecto da cópia vai muito além da falta de originalidade. Assenta numa preguiça talvez involuntária que de certa maneira entupirá a veia criativa de muita gente, que provoca não só a náusea sonora que vamos comendo no dia a dia mas a pasmaceira total neste País musical que, como o supracitado Jorge já por estas bandas referiu, até chegou a ter à mostra a seringa para injectar sangue novo a esta urge musical.

V, de Tiago Guillul é talvez o estandarte daquilo que acima escrevi. Pergunto-me como será possível passar de uma obra de indiscutível qualidade(que estará por muitos e muitos anos na prateleira da qualidade da música portuguesa) no anterior IV, para a absurda confusão musical de V. Tiago Guillul arrisca-se a ser o Hugo Leal da música Portuguesa.

Ainda hoje me parti a rir com a crítica do Galopim (que tem honras de 5.ª feira Santa em IV) no Sound + Vision. Mas o gajo entendido em música é ele, e a mim só me resta rir quando ele diz que V "é um disco que, se musicalmente procura atingir caminhos nunca antes visitados desta forma, nas ideias e relação com a sua identidade, mantém-se fiel a quem não deixou de ser".

Não me vou alongar muito mais porque, sinceramente, não me restam muitas mais palavras para descrever o que ouvi e, com muita pena o digo, voltei a ouvir. Apenas dizer que ainda há por ali alguma coisa a aproveitar, e não foi inocentemente que "São Sete Voltas..." foi a primeira a sair cá pra fora.

Acredito sinceramente que sem a pressão mediática e sem o folclore que foi criado à volta da FC, Tiago Guillul volte em breve com a qualidade que fez dele e do resto do pessoal de Queluz e SDB a coqueluche da nova musica Portuguesa.

Mas ó Tiago, que seja rápido.

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Terça-feira, 25 de Maio de 2010

Escapou-me, mas já a apanhei


Eu costumo ser um rapaz atento às fichas técnicas dos álbuns, e já aqui falei de Heathen, de David Bowie, como um álbum de um certo regresso à sua fase berlinense, e também de reflexão sobre as suas influências e influenciados.

Hoje ao ouvir os primeiros quatro álbuns de Neil Young(muito melhores do que aquilo que esperava), dei com uma canção muito familiar justamente no álbum de estreia de 1968, gravada também por Bowie justamente em Heathen.

Foi uma surpresa. Escapou-me esta homenagem de Bowie a Neil Young, mas agora já registei. E para terminar o fio de nos liga a Heathen, fica a versão dos Pixies, eles próprios brindados com uma versão de uma canção nesse álbum(Cactus).



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Sábado, 22 de Maio de 2010

Keep on playing those mind games

foto: marca.com

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Sexta-feira, 21 de Maio de 2010

Guilty Pleasures Part III - Ho god! Kill Me






O gozo que eu levarei por este post provavelmente não valerá o esforço de o explicar, por isso.

Digo apenas que por vezes o Mainstreem é invadido por grandes músicas.



Mentira!!

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Quinta-feira, 20 de Maio de 2010

Uma revolução? É para já (de pai para filha)


A caminho de levar a minha filha à escola, vamos a ouvir a Antena 1(how cool is that?) e ouvimos que no facebook foi lançado um movimento para os portugueses se vestirem de preto durante dois dias e colocarem bandeiras pretas nas janelas, «causa» que vem também aliás na primeira página do i de hoje, como constatei ao dar a minha vista de olhos relâmpago aos jornais antes de chegar ao trabalho. Pelos vistos no facebook apela-se a que se faça uma revolução.

A pequena, atenta, logo perguntou: pai, vais por uma bandeira preta na janela?

A resposta não foi simples, e à boa maneira socrática começou com uma pergunta:
- Filha, o que é Portugal? Ela respondeu prontamente,
- É um bocado de terra onde moram pessoas...
- Então o que faz Portugal piorar ou melhorar?
- As pessoas...?
- Sim, filha, Portugal é o conjunto daquilo que as pessoas fazem, e existem duas maneiras de fazer as coisas mudarem: uma delas é cada uma das pessoas de Portugal tentar melhorar um bocadinho a sua maneira de participar no país, desperdiçando menos, aprendendo coisas novas, estando atenta às ideias que os políticos levam à prática, informando-se e criticando ou apoiando sabendo do que se está a falar e ainda pensando que temos que aprender mais para fazermos melhor, e com isso termos de comprar menos coisas às pessoas do estrangeiro. A outra forma de tentar fazer as coisas mudarem é andar vestido de preto e colocar bandeiras pretas na janela, com isso dizendo que nós queremos que as coisas melhorem, mas que devem ser outros a ter o trabalho de as melhorarem. Qual das duas maneiras achas que resulta? E qual achas que é mais fácil?

Claro que uma criança de oito anos compreendeu perfeitamente porque é que a resposta final foi: «Não, não vou colocar nenhuma bandeira na janela».

Portanto, amigos do facebook, eu encontrei a minha revolução, que é lutar contra essa vossa mentalidade preguiçosa que pensa que são sempre os outros, políticos à cabeça, que devem zelar para que o país melhore, como se fossem eles que todos os dias o fazem funcionar.

Viva a Revolução! Vamos trabalhar!

Como dizia Lennon, «é melhor mudares a tua mente»

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Quarta-feira, 19 de Maio de 2010

É disto que a gente vem falando

"Os vagabundos do rock and roll adolescentes enchem as ruas de todas as naçoes. Entram pelo Louvre e atiram ácido para o rosto da Mona Lisa. Abrem as jaulas dos jardins zoológicos, as portas dos manicómios, prisões, rebentam condutas de água, levantam o chão das casas de banho dos aviões de passageiros, fazem pontaria aos faróis, deixam os elevadores apenas presos num dos cabos, entopem os esgotos, atiram tubarões e raias, enguias e candirus para as piscinas..."



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Terça-feira, 18 de Maio de 2010

Ian não morreu

Fugiu, faz hoje 30 anos.

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Por vezes apetece

Acordamos de manhã e vemos as ruínas do país, incluindo do país pop rock, no qual só parecem ser lançadas mediocridades em cima de mediocridades, cópias de vampiros de fim de semana e outros copy pastes promovidos à categoria de criações, e pensamos que na verdade precisamos é de dormir até que o tédio desapareça.





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Domingo, 16 de Maio de 2010

A feira do livro já valeu a pena


Em primeiro lugar, deixa que te diga Neil, que acho deplorável que os gostos musicais de hoje te tenham relegado para as prateleiras de saldos. É um sinal dos tempos, pois parece que tudo o que é anterior a 2000 se esconde por detrás de uma densa névoa. De qualquer forma nada de lamentos porque essa peripécia trouxe-me a tua mais que valorizada companhia.

A leitura já avançou uma centena de páginas e já vou na fase Crosby, Stills, Nash & Young, o máximo que os americanos conseguiram de aproximação aos Beatles, diz o autor.

Fica uma amostra.


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Sexta-feira, 14 de Maio de 2010

Portugal é grande


E eis que das profundezas mais profundas de Portugal, daquele Portugal desertificado, envelhecido, enfim, esquecido, surge esta maravilha que é Senhor Galandum dos Galandum Galundaina.

Este álbum faz mais pelo mirandês que dez dicionários. Os músicos fizeram, e bem, a opção por enriquecer o leque instrumental para além do tradicionalmente usado, e com isso expandiram e engrandeceram enormemente o seu alcance. O engrandecimento é maior ainda com as participações notáveis de Sérgio Godinho e da cantora galega Uxia, entre outros.

Isto sim é roque em role. Obrigatório ouvir.

Ó diabos, botai os olhos nisto!


Este maravilhosa música moderna mirandesa traz-me à memória outros cantos mirandeses:

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Quinta-feira, 13 de Maio de 2010

Wouldn't It Be Nice?


“Pet Sounds” é daquelas coisas que nos atinge tão rápido quanto forte.
A Obra-prima de Brian Wilson é deliciosa.

Depois de ouvir “Rubber Soul”, dos Beatles, Wilson meteu os pés ao caminho e disse: “Desafio-me a fazer um grande álbum”. “Rubber Soul” sai nos States em Dezembro de 1965 e imediatamente Wilson começa a compor. Todas as faixas do álbum são compostas entre Dezembro de 65 e Janeiro de 66, com excepção de Sloop John B, numa pareceria entre Wilson e o recentemente contratado Tony Asher, um escritor de Jingles (o Charlie Harper lá do sitio).

No entretanto, os restantes Beach Boys andavam em digressão no pacífico e quando voltaram deram de frente com grande parte do álbum já alinhavado. Inicialmente houve muita resistência por parte dos restantes membros, mas depois de Wilson os convencer que iriam ser maiores que os Beatles, a resistência desapareceu. Gravado no inovador sistema de Phill Spector, o hoje famoso Wall of Sound(Brian Wilson terá dito que deu nome ao álbum pelas inicias de Phill Spector) , Pet Sounds é considerado unanimemente um dos melhores álbuns de todos os tempos. O NME, o Times e a Mojo dizem mesmo que é o melhor. A mim, Pet Sounds apanhou-me pelo lado mais forte.

Um dia, ainda no velho Saxo, com o Paulo ao volante, ouvi o registo ao vivo de Brian Wilson, gravado em Londres, durante três noites em 2002. A coisa já ia a meio. A primeira música que ouvi foi “God Only Knows”. Lembro-me de ter pensado que aquilo devia ser um concerto com uma orquestra ou algo parecido. Mesmo ao vivo aquilo era tão perfeito…

Depois foi consumir. Já quando era eu a conduzir o Saxo lembro-me de ter os 2 álbuns (Pet Sounds+Pet Sounds Live) na caixa de 6 cd que aquela bela máquina suportava. Mais uma vez o que o Vidinho não sofreu. “Foda-se. Tou cheio de ouvir isto!”

Os tons psicadélicos com que Wilson pintou este álbum tornam-no estranhamente belo. Músicas como "You Still Believe In Me", “Don’t Talk (Put Your Hand on My Shoulder)” ou “Let´s Go Away For a While” são disso bom exemplo. A cereja no topo do bolo é indubitavelmente “God Only Knows”. Com uma melodia que embala qualquer recém-nascido, “God Only Knows”, que Paul McCartney jura ser a sua música preferida, foi uma inovação a vários níveis. A sua estrutura melódica e as harmonias vocais foram algo nunca visto à altura, e se a isso juntarmos a complicada produção com que Wilson a vestiu, temos uma canção singular. De salientar também os estranhos instrumentos que Wilson foi escavar para embelezar as palavras de Asher. Trompas Francesas, assobios de treinar cães entre outras coisas que eu tenho dúvidas que tenham tradução para Português.

Pet Sounds é seminal. Não o considero o melhor álbum de todos os tempos porque haverão sempre os Velvet, mas está, sem dúvida, no topo das minhas preferências. À parte tudo o que significou para a música, Pet Sounds terá sempre lugar na minha caixa de 6 cd’s.

Ficam aqui duas das minhas preferidas.



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Quarta-feira, 12 de Maio de 2010

Tão longe e tão perto


Saiu a terceira e última parte da entrevista de Paulo Bragança no seguimento do lançamento da curta metragem Henry & Sunny.

Paulo Bragança fala na sua ligação à Irlanda e das suas expectativas para o futuro como cantor/fadista.

A páginas tantas Paulo revela que é difícil retomar a carreira, ainda mais fora do seu país.

Aqui no nosso país, meu e do Paulo Bragança, temos um desafio: dar a conhecer a música de Paulo Bragança a uma geração que cresceu na sua ausência e que merece saber que levar a música portuguesa mais além não se faz só de guitarra eléctrica em punho.

Contra todas as adversidades é remar, remar!



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Segunda-feira, 10 de Maio de 2010

Mazgani, Guimarães e a América




Situemo-nos: Song of The New Heart é um excelente disco, melódico que flutua sobre ambientes melancólicos, onde notoriamente pairam os fantasmas de Leonard Cohen e principalmente Jeff Buckley.
Comparemos: Fiquei positivamente intrigado e um pouco curioso com Tell the People, o EP lançado pela Optimus Discos, onde o registo cru e sujo é bem diferente de Song of The New Heart.

Foi esta curiosidade que me levou na passada 6ª feira novamente ao CCVF para ver Mazgani a apresentar o novo Song of Distance. Para quem esperava o jovem introspectivo, carregado de dores de alma e a sofrer de males de amor que Song of The New Heart sugere, foi com surpresa que Guimarães acolheu um pequeno iraniano saltitante, frenético e comunicativo. Ora bem, para mim até demais, eu que dispensava os “bora lá malta”, “é assim malta: vamos curtir bué”e outras formas de linguagem “lá de baixo”.
O certo é que criou uma empatia singular com o público, deu para cantar por entre nós e até em cima das mesas , deu para pôr gente a dançar. Para quem se expressa em inglês vislumbrei até um momento bem português, um semi-fado eléctrico, guitarras sentadas e Mazgani de pé, atrás, mãos nos ombros dos guitarristas, qual fadista. Faltou ao momento a mãozinha no bolso, o cantar em português. Nada que deslustre.

Mazgani fez-se acompanhar da formação mais ou menos clássica de bateria, contrabaixo e na guitarra Pedro Gonçalves, metade dos Dead Combo, produtor de Tell the People e Song of Distance, co-responsável pelo actual som de Mazgani. Competência e consistência a toda a prova.
O concerto começou de forma arrojada com Mazgani a saltar palco fora para o meio do público, megafone em punho literalmente a arremessar-nos com Thirst. A partir daí, para além das restantes (e boas) músicas que compõe Tell the People, desfiou o que deve ser o grosso do alinhamento Song of Distance, confirmando a mudança de rumo com a certeza que funciona muito bem ao vivo. É notória a aproximação aos sons mais rudes de Tom Waits, aos tons mais negros do gospel que reconhecemos em Nick Cave, já herdados de Johnny Cash, e até às composições mais contidas de uns Spain. De todos eles Mazgani certamente surripia um pouco, mas não cai na tentação do "pastiche".

Mazgani tem já uma identidade própria.

Gostei.

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Parabéns Gusto


3.º Classificado na Super Especial
5.º Classificado à Geral


Rally Caldas das Taipas Capital das Cutelarias

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Domingo, 9 de Maio de 2010

Que besta suja será preciso adorar?


O título foi retirado de A morte de Rimbaud de Al Berto. Esse poema foi lido em voz alta no evento Filhos de Rimbaud e está dentro do livro último de Al Berto, Horto de Incêndio, do qual também já bebeu Jorge Palma o Acordar Tarde. Imperdível.

Num documentário que vi há dias, perguntava-se a Iggy Pop contra quê fazia aquela música tormentosa. Ele respondia que era contra aquela realidade Hippie dos presidentes de multinacionais por vir, contra aquela enorme mentira.

Contra qual mentira nos rebelamos hoje?

Nota pessoal sobre os Stooges: Há uns 15 anos, procurar pelos Stooges em Viana do Castelo era como procurar punks de camisas Tommy Hilfiger, mas numa feira de saldos qualquer arranjei uma coisa chamada Stooges Raw mixes vol 1. que eu pensei ser uma colectânea. Por muito, muito tempo, andei sem perceber que o título era literal e se tratava mesmo de misturas cruas. Depois de andar anos a ouvir aquilo, ouvir o que realmente foi editado oficialmente é como ouvir China Girl do Iggy Pop e a seguir a versão do David Bowie.

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Sábado, 8 de Maio de 2010

Eno e Byrne



Estou na mailing list do David Byrne e há uns meses largos recebi a boa notícia da sua nova parceria com Brian Eno.

My Life in the Bush of Ghosts foi o opus que trouxe os samplers para corrente principal da música, Everything that happens will happen today ressoa no projecto The Long Now, interessante já agora, no qual Eno é um proponente. É um álbum em que o experimentalismo de My Life in the Bush of Ghosts não está muito presente. É sóbrio, e para reouvir, apanhando cada fio de novelo que ficou solto da audição anterior.


O passo seguinte é ver o que é que o Byrne andou a fazer com a Imelda Marcos nesse triângulo com Fatboy Slim.

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Quinta-feira, 6 de Maio de 2010

O que é National é bom


Já lá vai algum tempo (2 anos?) que vi com o resto da malta berlinense o concerto excelente dos The National no palácio Vila Flor em Guimarães.

Os membros da banda despretensiosamente vieram para o meio do público conversar no fim do concerto, e creio que há umas fotos nossas com os gémeos que eu nunca vi.

Adiante, os The National estão de volta, a crítica gosta e eu também.

Cá ficam três vídeos, artefactos cinematográficos filmados num castelo abandonado, que são um excelente cartão de visita para o novo dos The National.








E os créditos, porque os artistas da câmara fizeram um belíssimo trabalho:

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Quarta-feira, 5 de Maio de 2010

No Livro das caras

Este blog pode ser seguido e discutido no Facebook. Apareçam por lá!

PS - Os vídeos não são exibidos no FaceBook.

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Terça-feira, 4 de Maio de 2010

Os NiN morreram, destruam-se os anjos

How to Destroy Angels: "A Drowning"














Os Nine Inch Nails acabaram, das suas cinzas nasceram os How to Destroy Angels.

A senhora da voz é a esposa de Trent Reznor, a música tem o estilo reconhecível de Reznor, mas a doçura compensa. É bom.

É ouvir:




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Us Kids Know


Innocence & Despair









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Domingo, 2 de Maio de 2010

Carta aberta


Caros artistas do Rock,

Sou um pai de família enfastiado na casa dos 30, estou apanhado na rodinha do hamster, tenho que ser um bom cidadão e pagar as minhas contas. Preciso de uma droga chamada Rock que me permita escapar da vida aborrecida que levo. Antigamente havia alguma dela pura no mercado, genuína, mas a de agora está toda traçada com pseudo-componentes e intuitos comerciais. Sinceramente, já não dá a mesma pedra.

Precisava mesmo de me plasmar naquela energia demente que me fazia sonhar em ser o rebelde que nunca poderei ser, mas os Mão Morta andam a escrever músicas de Vampiros. Outros são apenas burgueses como eu que se dão ares da pesada com boxers Armani por baixo...já não é o que era.

Estou desesperado e em abstinência, Alguém pode ser miserável, transformar isso em arte e esfarrapar-se no palco por mim? (eu depois tiro os acordes e imito).

Obrigado

Carta abertaSocialTwist Tell-a-Friend

Sábado, 1 de Maio de 2010

Neil Young e a Fé


Neil Young criou para si uma constelação à parte no mundo da música popular de tão grande que é. De Harvest a Harvest Moon, passando por Rockin in a Free World o génio cintila na música deste Canadiano.

E não é que ele é um homem de Fé?




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