Terça-feira, 31 de Agosto de 2010

Há petroleo em Marrocos


Este mês decidi falar-vos de outro ângulo. De um ângulo mais pessoal e próximo. Decidi escrever nestas linhas uma pequena experiência de um dos nossos concidadãos que escolheu fazer vida lá fora. Vou falar-vos da experiência do Manuel.
Manuel é um trabalhador Taipense que, como tantos outros, faz vida além fronteiras.
Por estes dias em que vos escrevo, muitos partem para França, Alemanha, Suíça, entre outros. Mas nos últimos anos um dos grandes focos da emigração Portuguesa é África.
Neste caso particular Marrocos.
O Reino de Marrocos, situado no Norte de África, é neste momento um dos mais atractivos mercados para a produção das empresas europeias. Ao abrigo dos mais variados acordos celebrados com a UE , e com o enorme e essencial benefício de uma mão-de-obra baratíssima, Marrocos é um pequeno paraíso ás portas da União Europeia.
Manuel leva já quase um ano de vida na cidade Portuária de Tânger. O choque inicial já lá vai. Á chegada a África, “Petróleo”, como carinhosamente aqui o vamos tratar, presenciou aquilo a que podemos chamar um pequeno choque de civilizações. Depois de ultrapassado o mediterrâneo, a oeste do estreito de Gibraltar, numa travessia entre Tarifa e Tânger, a entrada em Marrocos é um abanão. A corrupção e a mendigagem saltam à vista. Se queres passar sem problemas tens de pagar. Depois de pagar, tens que dar, porque enquanto não deres alguns Dirhams (Moeda Marroquina), ou preferencialmente Euros, não te consegues livrar dos que mendigam, na esperança de levar a vida com o dinheiro dos Europeus. Depois de ultrapassados estes trâmites “legais”, “Petróleo” chega a Tânger. Nos primeiros dias, outro abanão. O trânsito caótico sobressai, mas a corrupção policial, as vestes dos transeuntes, principalmente das mulheres, e a deficiente alimentação dos locais, não fica atrás. As visitas ao Marjá (o InterMarchê lá do sítio) para a alimentação diária foram dando para matar as saudades de casa, se exceptuarmos a total ausência de carne de porco das vitrinas.
Meses foram passando, e entre visitas esporádicas a casa, “Petróleo” lá se foi habituando aos modos e à vida nas terras do rei Mohamed VI. A corrupção policial é já um habitué, as “luvas” ao empregado do condomínio uma obrigação, e a desordem natural das estradas um pequeno obstáculo no caminho para o trabalho.
Por estes dias, o que mais causa confusão é o Ramadão, nono mês do calendário islâmico, no qual os Muçulmanos praticam um Jejum diurno.
Os horários dos supracitados Marjá’s são alterados, as bebidas alcoólicas deixaram de estar no compartimento habitual, que agora se encontra fechado a sete chaves, os turnos na fábrica foram alterados, de modo a que se consiga conciliar a produção de obra com a qualidade de vida dos trabalhadores, os estabelecimentos nocturnos estão altamente condicionados, entre outras limitações. Assim vai a vida na Mouraria.
O artigo que este mês vos escrevo não tem um final per se. Tem como objectivo primeiro ser uma estória que achei oportuno contar. É a história de mais um dos nossos que decidiu ganhar a vida além fronteiras, com todas as dificuldades e com todas as virtudes que isso acarreta. O “Petróleo” parte de novo para a sua aventura na louca e desordenada Tânger no inicio de Setembro. Que vá e volte, com mais estórias para contar, acompanhado por Deus ou por Alá.


*Este artigo vai ser publicado na edição de Setembro do Jornal "Reflexo"

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Sábado, 28 de Agosto de 2010

Summer days






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Domingo, 22 de Agosto de 2010

Cem Soldos on the Rocks


Ontem foi dia de loucura, ou seja, de sair da toca e ir ao festival Bons Sons, o qual já havia aqui anunciado.

Com a minha filha pela mão, que do alto dos seus oito anos já quer ver mundo, lá fui eu no intuito de usufruir do poderosíssimo cartaz de sábado: Lula Pena, Norberto Lobo e B Fachada. Havia ainda uma tentativa de reconciliação com a música dos Diabo na Cruz, pensando eu que ao vivo as impressões discográficas se dissipariam.

A Lula, foi pena, mas o espectáculo foi na igreja de Cem Soldos, com espaço para aí umas duzentas pessoas. Abarrotada, claro, e eu com uma princesa pela mão, sem condições para me meter em apertos. Ela às minhas cavalitas lá ouviu qualquer coisa, eu pouco mais que nada. Terei de comprar o disco. Norberto Lobo idem aspas, nem tentei.

Depois de dar uma volta pela pequena feira que lá havia, e depois de ter de ter empatado mais quatro euros em fósseis que a minha filha achou extremamente raros e valiosos, lá fui para o palco Giacometti para ouvir de novo o B Fachada.

B Fachada está a ganhar estrutura, e o seu reportório começa a ter uma solidez invejável, tanta que Viola Braguesa foi completamente ignorado, e Um fim de semana no pónei dourado já foi tocado de raspão com o Zé do Cadillac. Ficou-me a tristeza de não ouvir Tradição, Anda que está dura ou Conceição, mas o concerto estava limitado a cerca de uma hora e havia escolhas a fazer, e B Fachada fê-las apostando no reportório recente de alta qualidade.

O concerto foi muito bem interpretado, a qualidade vocal inatacável. O auxílio de Martim no contrabaixo e de Mariana na bateria enriqueceu muito a guitarra trovadoresca de Bernardo. A praça estava cheia, calorosa, e tivemos encore. Quem já se habituou a ouvir Jorge Palma ao vivo perdoa os arranques em falso e as paragens a meio da música, que só acrescentam ao charme rebelde de B Fachada, que depois de uma pequena sondagem às meninas se mostrou indisponível para casar. Realço a cover de Etelvina de Sérgio Godinho, que já anda por este blog também.

Levar a rapariga a casa, porque Diabo na Cruz às dez e meia não é coisa para a petiza. Jantar e voltar ao recinto...com a petiza, que tinha ficado tão bem impressionada com B Fachada que queria mais. Eu pensei: Diabo na Cruz, música simples, mexida...ela vai gostar.

Os Diabo na Cruz entraram em palco e o concerto começou. Infelizmente a minha opinião inicial não se desfez, achei que a música tradicional que inspirou o reportório devia ser mais transformada, enriquecida para ganhar sustentação para a instrumentação que lhe puseram em cima. As canções como estão parecem música folclórica electrificada, mas como essa música tem pouca riqueza harmónica, a coisa não me soa bem, apesar de os músicos tentarem criar uma malha de rock musculado por cima dos ritmos básicos do folclore. Acho que a viola braguesa de B Fachada está um pouco desfazada nos arranjos. A música estava bastante alta, e a meia hora perguntei à minha filha: «Estás a gostar?» Ela tímida temendo desapontar o pai disse «sim....mas acho que gostei mais do outro que fomos ver», hum...um pai sabe certas coisas só pelas vibrações: «Queres ir embora?», «sim». Fim de Diabo na Cruz para nós.

PS: Relendo o post, senti que faltava qualquer coisa. E o que falta é dizer que ouvi coisas boas no espectáculo dos Diabo na Cruz, banda que acho fazer falta no longo prazo. Bico de um prego soa muito bem, talvez porque é das músicas que mais se aproxima do que eu gostaria de ouvir, com uma instrumentação mais folk. Não creio que seja impossível a fusão da linguagem tradicional e do rock, os Humanos mostraram bem isso recentemente(vide Muda de Vida ou Maria Albertina). Os loucos estão certos também é uma canção muito boa. Espero pelo próximo registo, no qual gostaria de ouvir mais instrumentos tradicionais e músicas de raiz tradicional, mas não necessariamente presas à estreiteza formal do folclore.

E foi assim:

Lula?, foi Pena, e o Lobo estava cercado

A feira exótica:
A assistência de B Fachada
B Fachada


Diabo na Cruz
Hotel Oliveiras


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Sunday Morning Regular Post

Hoje:
Search & Destroy


Iggy & The Stooges + Apocalypse Now + Full Metal Jacket

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Quarta-feira, 18 de Agosto de 2010

Barco Rock Fest 2010


Começa hoje. Parabéns ao MAT (Movimento Artístico das Taipas)

http://www.barcorockfest.com

http://blog.barcorockfest.com

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Domingo, 15 de Agosto de 2010

Direcção -> Tomar


Tomar é desde há muitos anos também minha terra, como o são Guimarães, Lisboa ou Viana do Castelo. Aparentemente nunca se passa muito por cá, mas quando se passa, passa em grande. Já cá assisti a Lloyd Cole e a Cristina Branco...

Quando cheguei para o fim de semana, fui surpreendido por um cartaz fantástico de um festival que vai decorrer no próximo fim de semana, o «Bons Sons».

Do melhor e mais adorado pela malta aqui do faseberlinense vai estar neste festival, um desbundar de boa música lusófona.

Lá estarei, e ir a Tomar será um prazer ainda maior.

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Across the Universe


Em Agosto de 1960 os Beatles passam a ser os Beatles de vez. Entre altos e baixos, entre mortes dramáticas e vidas preenchidas, fica uma obra que, estou certo, perdurará eternamente.





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Sexta-feira, 13 de Agosto de 2010

A morte do artista



A morte de um artista também pode ser um motivo plausível para a descoberta da sua obra. É mais ou menos isto o que se está a passar em relação a Vic Chesnutt.
Embora não me fosse totalmente estranho, pela associação dos laços de amizade com Michael Stipe (que lhe produziu dois álbuns) e Kristin Hersh, o conhecimento da sua obra é no entanto ainda reduzido, e resumia-se até à sua morte a meia dúzia de músicas, uma delas daqui.

Começo o caminho ao contrário e atiro-me ao álbum homenagem de 1996, SWEET RELIEF II - GRAVITY OF THE SITUATION THE SONGS OF VIC CHESNUTT, que reúne covers, entre outros, dos R.E.M., Smashing Pumpkins, Sparklehorse, e esta pérola cantada por Joe Henry e Madonna. Como eu gosto destas coisas improváveis

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Terça-feira, 10 de Agosto de 2010

California


A equipa de Henry and Sunny, curta metragem que, não me canso de alardear, foi protagonizada por Paulo Bragança, voz única que faz a ponte entre o fado e a música Pop como poucos fizeram para lá de Variações, está de partida para Hollywood, com as nomeações de melhor curta, melhor actriz e melhor realizador debaixo do braço para o Feel Good Film Festival.


Um prémio seria a justa recompensa pelo trabalho e dedicação que foram postos na criação desta curta metragem, a ver vamos. Pode ser que assim o filme chame a atenção dos nossos festivais.

E por falar em gente de Dublin a cantar a California, aqui vai:

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Domingo, 8 de Agosto de 2010

No dia em que o Meno Rock morreu.


Foi com estas músicas que me introduzi, ainda muito novo, nas estórias do ultramar. Foi por aqui que ganhei a curiosidade de ir perguntando o que era aquela coisa do ultramar, onde o pai tinha andado. Fui recolhendo muitos e muitos testemunhos dos que por lá andaram e dos que por cá ficaram ao longo dos anos. Virtudes de tasqueiro. Alguns desses testemunhos ficaram marcados na memória, como as histórias do Manel Ferra na Guiné, do meu Chefe Teixeira aos biqueiros a um cubano ou ainda da Bertina Pires a dizer que em Sande se tremia e se temia quando se via um "jipe da tropa", porque era sinal que algum dos nossos por lá tinha ficado. O pai, bem sabemos, teve sorte na "abalada". Foi e veio sem um tiro disparado (mais coisa menos coisa). Outros nem tanto. Os que lá ficaram, ou ainda os que vieram e trouxeram consigo marcas inapagáveis, as suas famílias que sofreram com a sua ausência, mas sofreram muito também com o seu regresso. Lembro-me de alguém me contar, não consigo precisar quem, que ainda hoje o seu pai acorda de noite aos berros: "Olha os pretos! Olha os pretos!".

Este ultramar foi o cemitério da velha senhora, mas foi também, infelizmente, o cemitério de uma geração inteira. Quantos sonhos foram roubados com esta guerra sem sentido.

Se algum amigo da falecida quiser interromper as férias para a defender, faça o favor. Sinceramente (sem qualquer registo de ironia), fascina-me a defesa do indefensável.

Pobres do Menos e do Bertos que viram essa velha roubar-lhes a vida e a juventude.





Em jeito de homenagem:

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Isto é hardcore



Era uma vez os Pulp, embriagados de Oscar Wilde e secretos devotos de Scott Walker.

Que saudades de bandas que fazem música para gente comum, assim como eu.



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Quarta-feira, 4 de Agosto de 2010

Sai da minha nuvem



Há cerca de um ano, a Google lançou com toda a fanfarra uma ferramenta colaborativa chamada Wave.


Talvez não seja algo muito familiar para as pessoas fora do mundo das tecnologias, mas para mim este é o sinal de que mesmo o sacrossanto Google não é de confiança.

Conheço pessoas que gastaram muito tempo a entender e a evangelizar esta ferramenta, e hoje a Google anuncia que afinal vai para o lixo.

Para mim é o fim da ilusão de que é seguro ter a nossa vida apostada na «nuvem» da qual nada controlamos, por isso Google, sai da minha nuvem.

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Terça-feira, 3 de Agosto de 2010

Entre Braga e Nova Iorque



Eu tenho um anjo, anjo da guarda / I have a Guardian Angel

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Segunda-feira, 2 de Agosto de 2010

Barco Rock Fest 2010



Rumo à Guimarães CEC 2012, numa irredutível aldeia vimaranense cresce um festival.

Este ano não quero perder os Paus.

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