Sábado, 27 de Novembro de 2010

Tiago Guillul, ao vivo em Guimarães


Tiago Guillul lá se dignou subir à província. Pedro e Paulo, Berlim Norte, lá estiveram a testemunhar o encontro entre o artista e a terra que é nossa e que foi também de sua Mãe. Talvez por isso alimentei por alguns dias a esperança de ver uma cover de Un Canto a Galicia do grande Julio Iglesias... nada feito.
Guimarães esteve à altura. Já vi aquela sala mais cheia, mas notava-se esta noite que quase todos estavam para ver o Guillul, o que não aconteceu em muitas outras ocasiões.

Concerto propriamente dito, começo com um momento Ídolos. Se eu fosse aquele juri bonacheirão e de mau feitio atiraria "Tiago, tu não cantas puto, pá !". Confesso que cheguei a temer pela noite depois de Roma e Avinhão. De qualquer maneira, hoje tudo me parecia desafinado. Até o Samuel Úria e sua guitarra em Something, pelo que a desafinação pode muito bem ter sido só na minha cabeça.

Bom, mas a verdade é que nada disso interessa. Porque a verdade verdadinha é que Guillul e a sua banda trouxeram a Guimarães a essência da música, aquele ar de garagem de quem toca sem mais nenhuma pretensão que não a de passar um bom bocado com os amigos, e isso agrada-me sobremaneira. O baixo que parou, o feedback no micro, faz parte e até isso me pareceu bem. Claro que não será bem assim, porque havia convidados e há que dar um espectáculo. Depois da entrada meio em falso de Roma e Avinhão, aquele momento velvetiano das Igrejas cheias ao domingo tudo mudou. Pensei demoradamente em Moe Tucker, e quando dei por isso já tudo estava nos eixos.

Gostei de Nabucodonosor e até da música das muralhas, que não aprecio particularmente. Não posso ainda assim de deixar de concordar com o meu Irmão Pedro, que acertadamente diz que as músicas de IV ainda assim sobressaem. É um facto, porque, voltamos aos Velvet, aquela do Lou Reed, Beijas como uma Freira, a dos Lacraus foram dos pontos mais altos do serão tardio.

O Pedro queria Folclore, eu queria a do Rodrigo, mas nem tudo é perfeito.

Podes voltar Tiago, sempre que te apetecer.


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Quarta-feira, 24 de Novembro de 2010

Mais unidos que nunca

Celebremos o facto de nós e a Irlanda estarmos mais unidos que nunca, com a curta metragem Henry & Sunny, do Irlandês Fergal Rock, protagonizado pelo português Paulo Bragança, cuja rebeldia bem falta faz ao cada vez mais plástico mundo do fado.

Todos os quinze minutos agora online, para que todos possamos ver e enternercer-nos.

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Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010

Tradição



Já cá havia falado dele, desse incansável recolhedor de memória que me levou de novo à igreja de S.Lourenço, vizinha da minha terra, onde miúdos nos ríamos da forma esquisita como cantavam na missa.

Giacometti agora foi democratizado, e sai todas as segundas com o Público. Nem um número perderei. A nossa identidade está nesta gente simples e a tradição não vai ficar em mim, que ainda vi desfolhadas e andei de carro de bois, vi cantares ao desafio e ouvi(demasiados) ranchos.

Enquanto escrevo isto e vejo o primeiro episódio a minha filha espreita por trás do ombro curiosa...«o que é isso?»

Isto, é o início de uma longa história de um país que existiu há não muito tempo.

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Domingo, 21 de Novembro de 2010

Sou de Sande S. Martinho.


E estes senhores também queriam ser.

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Sexta-feira, 19 de Novembro de 2010

N' América


América, o grunge, e Fuzzy.

Acho que posso assim de certa forma resumir o que de novo no campo do rock me trouxeram os 90's. De um lado todo um movimento com epicentro em Seattle, já motivo de alargado debate cá na casa. Nirvana e Pearl Jam, os expoentes máximos.


Depois chega Fuzzy, primeiro álbum dos Grant Lee Buffalo. Um denominador comum os une: Neil Young. Os de Seattle elevaram-no a padrinho do grunge, e verdade seja dita ele já andava de camisa de flanela há anos.
Grant Lee Philips entendeu-o nas entrelinhas, o misto de delicadeza e rudeza das letras, o compreender que a guitarra não serve apenas para soltar a raiva, mas também está ali para ser domesticada e deixar que dela se extraia a vital melancolia. Fuzzy, o tema-título, Jupiter and Teardrop, America Snoring, Stars N' Stripes, fazem parte de uma outra história americana que o grunge não conseguiu contar nem cantar, longe das suas angústias pós-adolescentes infelizmente enterradas em heroína...

Para os Grant Lee Buffalo Fuzzy foi o brilhante início de uma carreira começada e acabada nos 90's da qual constam 4 álbuns de uma das melhores bandas de que tenho memória. É um crime passar ao lado.

Dantes ainda achava piada ao facto de não muita gente conhecer os Grant Lee Buffalo. Agora, acho que me irrita...


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Segunda-feira, 15 de Novembro de 2010

Declaração de Princípios





There's room at the top they are telling you still
But first you must learn how to smile as you kill

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Sábado, 13 de Novembro de 2010

Caro Beck




Eu sei que não te tenho escrito muito nos últimos tempos, mas continuo a estimar muito a tua amizade.



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Segunda-feira, 8 de Novembro de 2010

My Generation




No fim da luta, há-de sobrar sempre algo para contar.

Os anos 00' se calhar até nem foram assim tão maus.

Esta fica. Estas ficam.

Brilhante interpretação de "You've Got to Love" de Florence and The Machine pelos The XX, acompanhados pela menina Florence, ela própria.

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Sexta-feira, 5 de Novembro de 2010

Já Não Há Heróis


Interessante conversa sobre os Heróis do Mar (dos quais falei há não muito tempo) no blog Minoria Ruidosa.

Queria comentar, mas o que quero dizer é muito para a caixa de comentários. A dado ponto, Miguel Vaz escreve em resposta a um comentário aqui do Pedro Berlinense:

Durante as últimas décadas, são muitas as bandas que têm usado a herança dos Heróis do Mar. Desde os Sétima Legião às bandas da Amor Fúria, acho que é inegável o impacto que a banda teve na música portuguesa

A Sétima Legião herdeira dos Heróis do Mar? São praticamente contemporâneas, sendo que os Heróis do Mar nasceram em 81 e a Sétima Legião em 82.

Os Heróis do Mar, como está bem explicado no documentário «Brava Dança» nasceram como uma certa reacção ao ambiente académico de extrema esquerda que existia no fim dos anos 70. Com a pacificação e normalização da sociedade portuguesa perderam esse foco e o elemento «choque» que mais ou menos inocentemente perseguiram sem saberem no que se metiam. Tiveram o grande mérito de trazer um sentido estético e profissionalismo a um embrionário meio pop português.

A sua obra, marcada pela busca do sucesso comercial, misturada com arroubos de vanguardismo, foi bastante irregular. Paulo Pedro Gonçalves considera que só «Macau» foi uma obra maior.

Desintegraram-se pelo esvaziamento da sua missão. Deixaram algumas grandes canções, e a sua maior descendência foram os «Madredeus», a vitória da tendência tradicionalista dos Heróis do Mar.

Outras bandas com aparência Heróica, quase não vejo para além das da Amor Fúria - o caso d'Os Golpes é até um caso raríssimo de reencarnação.

Os Heróis do Mar viram a sua missão esvaziada, os Golpes pegam num tema, o de olhar para um Portugal tradicionalista, e glorificam-no. Nada de mal, e até poderão ter sorte porque a soberania nacional parece estar de novo ameaçada pelo difuso inimigo dos «mercados» e poderá ser necessário pegar em lanças contra esses moinhos de vento.

O factor choque não existe, porque não há uma rejeição dos velhos valores nacionais como existiu a seguir ao 25 de Abril, na sequência de o Estado Novo ter explorado esses valores nacionais até ao osso. Não creio que esta nossa indisposição contra estes políticos(os de sempre diz a nossa História) chegue para gerar esse choque.

Mais facilmente voltaremos às canções de protesto que clamem por um novo 25 de Abril.

Deixo-vos com o sonho mal disfarçado d'Os Golpes(We could be Heroes, just for one day...):


Bowie no seu melhor, acompanhado do seu companheiro dos tempos de Ziggy, Mick Ronson, falecido menos de um ano depois desta performance.

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Quarta-feira, 3 de Novembro de 2010

geek time


Na semana em que a vida de um programador vai rebentar nas salas de cinema, chego a sonhar que um dia ser programador ainda vai ser cool.

«Land of Lisp» não é uma canção de um álbum, é o título de um livro de programação, coisa inédita, lançado com um videoclip. O livro vai-se tornar uma obra de culto no universo geek, e o vídeo põe toda a gente a sorrir, e os geeks, que entendem as piadas, a rebolar. Lisp é uma linguagem de programação indie, usada por poucos, inspiradora de muitos...assim como os Velvet Underground das linguagens de programação...

Este poderá ser o post mais estranho que um dia chegarão a ver...a não ser que saibam o que quer dizer load ""

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