Quinta-feira, 31 de Março de 2011

Sombras nas palavras da música

Estavam no armário do salão, mal visíveis entaladas entre as revistas de O Independente. As fotocópias da Antologia Poética de Ian Curtis, amarelecidas e silenciosas por mais de quinze anos, voltaram a falar.
- Que curioso, existe um anexo, - já não me recordava -, é a Alegoria da Caverna; o que faz num livro de letras da Joy Division? Em delírios borgianos, ponho-me a imaginar que a Alegoria foi secretamente enxertada naquele exemplar que copiei da biblioteca municipal. O autor de tão estranha obra terá sido um habilidoso leitor que imprimiu e reconstruiu laboriosamente o livro original, induzindo-nos à sua interpretação dos poemas de Curtis, ele que não parava de descrever neles os espectros distorcidos projectados na sua caverna. Esse admirador, um rato de biblioteca, de certeza - como poderia ele conhecer ao mesmo tempo Platão, as Ficções de Borges e Ian Curtis? - tinha Tlön, Uqbar Orbis Tertius ainda frescos na memória, e uma necessidade de comentar Curtis que tinha tanto de irreprimível como de distorcida.
Se tivesse reparado mais cedo, teria sido um belo desporto adivinhar esse estranho por entre as caras fechadas compenetradas na leitura, na biblioteca, mas agora é tarde, como Tlön ou Ian Curtis, a antiga biblioteca é apenas uma projecção na memória.

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Quarta-feira, 30 de Março de 2011

50 Canções que tens de ouvir antes de morrer


4 - Pixies - Head On



Porque passei a tarde inteira com ela na cabeça.
Desta música basta dizer que é original dos Jesus and Mary Chain e que está para os Pixies como as camisolas do Paulo estão para mim, ficam-nos melhor a nós.

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Terça-feira, 29 de Março de 2011

E onde vai dar?

- E onde vai dar? - perguntou ele apontando pela janela da cozinha para o túnel do IC17 quase pronto e com as luzes acesas para trabalhos nocturnos.
- Vai - acrescentei eu com seriedade e sapiência -, descendo para o centro da Terra, e ressurge trezentos quilómetros ao sul do deserto de Gobi, na Mongólia.
Logo a irmã entrou na dança e disse:
- Quero descer por esse túnel se passar na ilha das Flores!
- Na ilha das Flores não passa, mas tem uma saída para a ilha Formosa (a que mais à frente dá para o Japão está em obras). De onde achas que vêm as pessoas que abrem os restaurantes e as lojas? Poupam-se muitos quilómetros da China até aqui por este túnel.

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Segunda-feira, 28 de Março de 2011

A menina das poesias mortas

Fez uma última festa no gato, enquanto ultimava a maquilhagem para a festa. Havia tempo desde que tinha escrito o último poema, ou encontrado tempo para ler. Não devia atrasar-se, com sorte as fotos, iluminadas de glamour e sensualidade ofuscariam um pouco mais as tonteiras de outrora, os idealismos em ruínas.

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Domingo, 27 de Março de 2011

Berlim vai descer em peso à Capital!

Vitória na final do Jamor. Passei uma vida inteira à espera disto!

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Quinta-feira, 24 de Março de 2011

Old Mans

Não sei se é uma necessidade, talvez seja a idade ou uma espécie de "primal scream". Os velhos gurus da distorção estão numa de acústico.

Delicio-me para já com Several Shades of Why, J Mascis inconfundível e sem dinossauros. À primeira audição parece-me recomendável, indie fresquinho e o malandro mesmo assim não se dá sem pedais, há lugar a algumas deliciosas pontas eléctricas.
Como aqui, em What Happened



E espero pelo novo de Thurston Moore. Sabendo de antemão que será produzido por Beck, o que me parece bem
Com o seu quê de Nick Drake

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Quarta-feira, 23 de Março de 2011

Aéreo


Devia estar aéreo quando me chegou às mãos o «novo» de Kate Bush, «Aerial», de 2005. Ouvi superficialmente, e como sempre, à falta de melodias imediatas, ficou para audições futuras.

Normalmente sou persistente com os artistas que respeito, e só desisto depois de várias audições. Desta vez não foi excepção e como acontece com os grandes álbuns, há uma espécie de osmose que se aprofunda a cada audição, e nem três nem trinta audições chegam para transferir da música para mim nem de mim para a música todos os elementos presentes em mim ou na música.

«Aerial» é fantástico, e mais ninguém transformaria em beleza até a leitura do número PI. King of the Mountain tem uma respiração e um sentido de tempo que revelam um domínio musical soberbo, e por aí vamos...ouvir exige-se, mas com persistência.



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Segunda-feira, 21 de Março de 2011

O Disco Sound em Portugal no anos 80


Quem viveu o início dos anos 80 em plena consciência, não pôde de todo fugir aos ABBA, Bonney M e outras bandas que professavam ou pelo menos reminisciam do Disco Sound.

Um aspecto curioso da música portuguesa dessa altura era o de não existir quase nenhuma música de dança (os Heróis do Mar deram um cheirinho, eu sei). Mas venho aqui mesmo contrariar essa ideia. Abaixo os Gemini e os Green Windows...grandes, grandes eram Sérgio...e Madi.

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Sexta-feira, 18 de Março de 2011

Diz-me Paul, serei o único?


O meu problema ao voltar a ouvir Paul Simon, prazer que cultivo há mais de 25 anos, é que sou sempre obrigado a lembrar-me dos Vampire Weekend. Serei o único? Diz-me Paul.

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Quarta-feira, 16 de Março de 2011

90's Maravilhas de um sucesso só, IV

Esta música entrou no meu ouvido num anúncio a um auto-rádio Grundig, estavam os 90's a nascer. Nunca soube quem tocava este portento. Andei quase 20 anos à procura. Para descobrir que Mark E Smith também lhe dava voz. Palavras para quê ?

Os Inspiral Carpets são uma banda com grande culto em Inglaterra, mas por aqui não passou de "I Want You".

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Terça-feira, 15 de Março de 2011

Carta aberta à Dr.ª Maria Filomena Mónica

Como já devem ter percebido, não me identifico com a manifestação de sábado passado, o que não me dá o direito de desqualificar quem a organizou ou quem nela participou. Não concordo, mas respeito. Não acho que tenham pegado pelo lado correcto da questão, mas respeito. Acho que deveriam fazer mais e falar menos, mas respeito.


Gostava de perguntar o seguinte à Dr.ª Maria Filomena Mónica: Qual o conhecimento que tem dos cursos de R.I. que em Portugal existem? Entre o pouco e o nenhum será certamente. Se os conhecesse, saberia que destes saem, acima de tudo, cidadãos bem formados pessoal e civicamente. Podem até não ter uma área de formação muito específica, o que os poderá prejudicar no mercado de trabalho, mas saem, maioritariamente, com uma formação diversa e bem estruturada, com conhecimentos acima da média em áreas muito variadas. Pessoas informadas e conscientes do mundo que os rodeia. É este o produto dos cursos de Relações Internacionais.
Não sei que cólera a moveu contra nós, mas a irracionalidade tem limites, e um pedido de desculpas não lhe ficava nada mal.
Se quiser passar pelo nosso verde Minho será bem recebida e poderá comprovar com os seus próprios olhos que nós, os de RI, não somos os trogloditas que pinta.

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Segunda-feira, 14 de Março de 2011

Comentário a um post sobre estas coisas das gerações...

Foto: Margarida Mendes

Tive acesso a um post interessante: Protesto "Geração à Rasca" - a minha, modesta, opinião, e como quero comentar longamente, faço-o aqui.

Vamos por pontos, e falo directamente para a autora do post, Inês Antunes:

- A crise:
Pelo teu texto parece que estamos num beco sem saída, mirando o abismo e prontos a dar o passo em frente. Não é verdade, esta crise é um fenómeno cíclico, porque as pessoas têm a mania de, quando estão bem, pensar que vão sempre estar melhor, e um dia tem que existir um ajustamento entre aquilo que as pessoas desejam(e endividam-se a preceito por esses desejos) e a realidade. Portugal nunca foi bem governado desde que me lembro e pelo que leio nos livros de História, mas nestes momentos de aperto as falhas notam-se mais, como é natural.

Portugal endividou-se para lá daquilo que consegue produzir para pagar, e agora que os credores descobriram isso não querem emprestar mais. De quem foi a culpa? De toda a gente que viveu de ilusões, governos e particulares, e não só em Portugal. A diferença é que outros países ainda mais endividados como o Reino Unido têm a capacidade de produzir para pagarem o que devem, e Portugal a curto prazo não tem. Portugal vai passar uns anos de emagrecimento forçado, para depois recuperar, seja qual for o governo que lá esteja. É inevitável. Depois o ciclo recomeça.

- A manifestação:
De uma forma um tanto fatalista dizes que as pessoas que se demitiram de agir querem agora fazer qualquer coisa quando já é tarde. Eu estive na manifestação, porque acho que ainda não é tarde, porquê? Porque mudar o que precisa ser mudado é um processo muito lento e gradual, e ainda não vai ser esta geração a colocar isto nos eixos. O que precisa de melhorar é a educação cívica das pessoas(por muito que se diga que os jovens de agora são estúpidos e incultos eu não acredito. Em geral são muito mais formados do que os da minha geração, e como em todas as gerações só uma minoria tem propensão para ser interventiva). Claro que muitos viveram em casulos de conforto e não se prepararam para dificuldades, mas a vida vai obriga-los a ajustarem-se, e vão conseguir, acredita.

A manifestação é um apontamento, uma tomada de consciência. Só existe o agora, e se tomas consciência agora, é agora que tens de começar a agir.

- O sistema político:
Eu já voto há muitos anos, e nunca falhei uma eleição. Até tenho por aqui um cartão de um partido para o qual paguei as quotas uma vez. Dá-me jeito para quando não tenho palhetas e quero tocar viola. Os ideais que professava cativaram-me, já as suas práticas, quando olhei um pouco por dentro, não.

Eu acredito na democracia representativa, mas estes 36 anos mostraram-nos que nem tudo correu bem na construção do nosso sistema democrático, que de representativo tem pouco. Naturalmente não se podem expugnar em três décadas vícios que foram acumulados em centenas de anos, tais como o centralismo, o favorecimento e o elitismo. Voltamos ao meu mantra que é: vai demorar gerações até nos alinharmos com os países mais civilizados, e isso só vai lá com pessoas mais educadas, e mais exigentes.

Eu ainda me lembro de 1980, e acredita que Portugal melhorou muito, mas muito mesmo. Eu acredito que a educação que os meus filhos estão a ter é melhor do que a que eu tive, e sei porque faço os trabalhos de casa com eles diariamente.

- O individualismo:
Há contudo uma característica desta geração que eu comecei a notar nos meus últimos tempos de faculdade, que é o individualismo. As pessoas que só sabiam viver em grupo e que dançavam de braço dado nas discotecas foram substituídas por pessoas olhando para os telemóveis e muito conscientes de todos os seus direitos a tudo, sem parecerem reconhecer nada nem ninguém para além daquelas que fossem as suas necessidades. Esta situação difícil talvez traga o espírito gregário que se perdeu...e isso é bom, acho.

- Moral da história:
És políticamente activa, votas, manifestas-te. Acho um excelente começo. Sendo um optimista incorrigível acredito que as pessoas têm um poder imenso para influenciarem o seu destino, mas para isso têm de deixar de se focar naquilo que não podem alterar directamente, como a Sra. Merkel e a complicada conjuntura eleitoral alemã. Temos de deixar de sofrer com isso e focarmo-nos no nosso ciclo de influência.

Aprendi uma frase que me acompanha há muitos anos: «Pensa globalmente, age localmente». Penso que não é tarde para nada, e não é tempo para desmoralizar. Nada está perdido, porque o ser humano tem capacidade para vencer enormes adversidades(a Europa esteve toda destruída há apenas 60 anos e levantou-se). O Japão está destruído hoje, mas vai recuperar, e tem muito mais para recuperar do que Portugal.

Penso que não é tempo para chorar e encontrar culpados, é sim tempo para agir AGORA, sendo mais atentos e exigentes com o sistema político, sendo menos complacentes quando olhamos para o lado e vemos o próximo a roubar o estado; exigindo dos professores; exigindo mais de nós próprios e da qualidade do nosso trabalho, enfim, alargando as vistas e pensando mais longe, e aproveitando os meios extraordinários de comunicação que temos para juntar mais pessoas e dinamizar os outros a mexerem-se.

Mas isso tu já fizeste, parabéns por isso. Boa sorte!

E agora uma musiquinha que isto é um blog de música!

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Sábado, 12 de Março de 2011

Ainda me lembro de Chernobyl



Ainda me lembro de Chernobyl,  e do manto de morte que se estendeu sobre gerações de inocentes nas redondezas.

Um reactor nuclear acaba de explodir no Japão. A História desenrola-se à nossa frente.

Aguardam-nos tempos de grandes mudanças, parece.

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Sexta-feira, 11 de Março de 2011

O paizinho vai pagar o arranjo do carro



O Pedro escreveu e comentou sobre este fenómeno dos Homens da Luta no Festival da Canção. A minha visão sobre o tema segue-se.

Os Homens da Luta são apenas um veículo para o descontentamento das pessoas. Gosto do humor e da desmistificação dos estereótipos do 25 de Abril e do PREC. Já é hora de avançar para o futuro. Passaram 35 anos e o sistema que saiu da revolução está avariado, tem que se reparar e não pensando «não lhe toco porque é sagrado».

Quanto à qualidade da canção, passo. Desde quando a qualidade da canção é critério para a Eurovisão? (deve ter sido há tantos anos que nem eu me lembro e muito menos o Pedro).

Protestos e que tais. Sim, fazem falta, as pessoas precisam de se sobressaltar, mas só por si não valem nada, porque é preciso agir intervindo cívicamente. É preciso abandonar a ideia de que o nosso paizinho, o estado, vai lá estar para nos resolver todos os nossos problemas. Como intervir? Entrem nos partidos e moralizem-nos, criem associações, arrisquem a criar o próprio emprego. Hã? Dá trabalho? Ok, bora lá para a manifestação.

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Quarta-feira, 9 de Março de 2011

Acerca do Festival da Canção

E de todo o alarido que só ajuda à luta, apraz-me, acima de tudo, registar que O Jel não é doido. É dos melhores profissionais que conheci. É empreendedor. Arrisca. Atravessa-se. Diz que faz, e faz. Há uns meses disse-me que ia à China encomendar uns milhares de leitores de MP3 para vender com o seu novo álbum. E foi. E vendeu-os todos. Não ficou à espera de subsídios...

Se Jel e companhia não são bons representantes de Portugal, vou ali e já venho.

Entretanto, saudades de E Depois do Adeus, uma música séria

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A civilização

A vergonha acabou no Illinois

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Quinta-feira, 3 de Março de 2011

A Revolução tem de dar em Evolução



O mundo está a mudar. Prova disso é a rebelião quase massiva do mundo árabe contra os seus ditadores de há décadas. Estas rebeliões, que já fizeram cair dois ditadores, Ben Alí da Tunísia e Hosni Mubarak do Egipto, e outros vão a caminho, Khadafi à cabeça, são o fim da linha para estes regimes.

Não nos interessa muito estar aqui a discorrer sobre o que se passou até agora. Temo-lo visto todos os dias na televisão. Importa sim tentar perceber qual vai ser o futuro do mundo árabe no pós-revolução. Como já referi, a Tunísia e o Egipto já caíram. Ambos ficaram nas mãos do exército que agora garantirá a transição. O problema parece ser este. Aquilo que inquieta o ocidente, a União Europeia e os Estados Unidos da América principalmente, mas não só, é o que se vai passar agora, depois de dois ditadores que apesar de tudo até tinham boas relações com o ocidente terem caído, principalmente Mubarak.

Por estes dias, em Washington, tenta adivinhar-se para que lado vai cair a revolução no Egipto. Teme-se essencialmente por uma islamização radical que possa pôr em causa toda a paz no médio oriente. O Egipto tem sido um fiel aliado dos EUA na região, principalmente na questão de Israel. O garante de uma paz minimamente aceitável com os países árabes foi Mubarak, e teme-se que com a subida dos islamitas da Irmandade Muçulmana, uns dos impulsionadores da revolta que fez cair o regime, essa paz e relacionamento relativamente estável caia por terra.

Em Bruxelas teme-se pela proximidade. Neste momento os países do sul da Europa estão com a corda na garganta essencialmente por dois motivos: a dependência energética e a possível vaga de refugiados que quererá atravessar o mediterrâneo, principalmente se esta revolução atravessar ainda mais as fronteiras (assumindo que a Líbia é uma questão de tempo) e chegar à Argélia, onde a situação já não é famosa, e a Marrocos. Para dar um pequeno exemplo, a Argélia fornece 40 % do gás natural da península Ibérica, e a Líbia é responsável por 10% do Petróleo que vai para Itália e por 12% do petróleo que abastece Espanha.

O que fazer perante isto? Aqui é que a Europa tem um grande desafio. A UE e todo o ocidente têm que delinear uma estratégia definitiva para esta região. Este é o fim da linha para uma maneira de pensar, e o ocidente tem que patrocinar o inicio de uma nova era. Não com imposição de democracias falaciosas, que já provaram ser desastrosas, ou com dinheiro dado ao desbarato para vir outro ditador corrupto e fazer palácios de ouro com ele. O ocidente tem que criar condições para estes países terem um desenvolvimento sustentável, quer económica quer socialmente, de modo a que a transição permita aumentar o nível de vida e estabilizar definitivamente a região, de maneira a que as pessoas não precisem de se arriscar a atravessar o mediterrâneo para poder comer ou viver em paz. Além de todas estas questões, que podem soar a hipócritas, mas que são realistas e de vital importância, o ocidente tem um dever moral para com estes povos. É hora de deixar de contar apenas a produção diária de crude ou os metros cúbicos de gás, para começarem a contar as pessoas. É hora de começarem a contar os jovens que viram, com a chegada da internet e das redes sociais, um mundo que lhes é vedado e negado, não só por ditadores, mas também por democracias hipócritas que muitas vezes olham para o lado quando deviam agitar a bandeira dos valores morais que, apesar de tudo, deveriam ser a base fundamental das nossas sociedades.


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Quarta-feira, 2 de Março de 2011

Nua e feia, mas enfim, tão bela...

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