Segunda-feira, 25 de Abril de 2011

Viva o 25 de Abril!


Escrevo aqui para comemorar a liberdade que tenho de escrever aqui o que quero.

Escrevo também para homenagear um homem, um homem que ficará na História, e que hoje, depois de ouvir o seu discurso e ter lido a sua entrevista ao jornal i, fiquei com a impressão de que está mais vivo e atento do que nunca, parecendo ser dos poucos que vê o quadro mais vasto do contexto europeu, e que coloca a tónica certa na afirmação dos pontos pelos quais devemos ser orgulhosos do nosso país.

Conheço muitas pessoas que odeiam Mário Soares, e que o culpam por muitas coisas a começar pela descolonização. Não concordo, mas aceito que as acções de um governante beneficiam sempre uns em detrimento de outros. No caso da vida política Portuguesa, acho que sob a visão de Mário Soares, o país ficou mais equilibrado e mais justo.

Concordo com Almeida Santos que disse que Mário Soares é o mais ilustre português vivo, e continua felizmente activo - parece-me por exemplo que está a fazer aquilo que o Presidente da República deveria estar a fazer há muito, que é tentar comprometer os vários agentes políticos num plano comum de médio e longo prazo para se criarem bases de desenvolvimento para Portugal.

Vejo os comentários e o aproveitamento que foi feito da entrevista, vejo tanto ódio pronto para distorcer o que está cristalinamente expresso, e cada vez penso mais que as três prioridades de Portugal são educação, educação e mais educação. Quando as gerações mudarem, as pessoas civilizadas e mínimamente letradas terão elevação e capacidade de ver um pouco mais longe que as quatro linhas de um campo de futebol, cuja metáfora como jogo boçal de campo de batalha parece ser a medida de todas as coisas por cá.

Até lá podiam ler o magnífico livrinho da Fundação Francisco Manuel dos Santos, Filosofia em Directo, até é pequenino e custa pouco mais de 3 euros em qualquer Pingo Doce.

E já agora, porque não subscrever a iniciativa do Compromisso Nacional? É hora de juntar forças, porque a batalha vai ser dura.

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Sábado, 23 de Abril de 2011

TV on the Radio

É sempre assim...
Basta morrer alguém.
Pois que ainda não o tinha dito, mas os TV On The Radio são, a par dos Animal Collective, uma das minhas bandas preferidas da nova geração dos anos 00.
Desperate Youth, Blood Thirsty Babes e principalmente Return to the Cookie Mountain são dois álbuns obrigatórios para entender os 00.
Malgrado a morte de Gerard Smith, baixista da banda, os TV On The Radio lançam agora um novo de originais: Nine Types of Light. Ouvi uma vez e parece-me estar aí um bom conjunto de músicas.

Num conceito inovador, o álbum está disponível para ver e ouvir. E com um toque português... estejam atentos.

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Sexta-feira, 22 de Abril de 2011

Zé Leonel



Porque os 90's também foram feitos disto

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Gerard Smith

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Quarta-feira, 20 de Abril de 2011

Como no Amor e na Guerra

Do alto do miradouro vêm-se as luzes da cidade, como se estivessem do outro lado do mar. Há o silêncio tranquilizador, e eis que chega um carro com um par de namorados. A visão é simbólica do momento, com tanto aparente vazio lá à frente. É falsa a sensação, claro. Ao contrário do que parece, a solidão perfeita é quase impossível de encontrar.
A cadência lenta do esfolhear do livro ecoa cada virar de página, reverberante. Tudo é escuro ou brilhante, num jogo de opostos, como no Amor e na Guerra.

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Terça-feira, 19 de Abril de 2011

Ilusão de sintonia

Sempre que te escrevia, eu sabia sempre exactamente o que te queria dizer. Por exemplo, eu escrevia: «O tempo está um pouco melancólico hoje, as nuvens nem sequer se decidem pelo cinzento definitivo e tão-pouco pela chuva incolor».
De ti chegava-me a resposta: «Não tenho conseguido ir à livraria para encontrar aquele livro de que te falei.  Talvez lá vá na segunda-feira.»
Eu sabia exactamente o que tu querias dizer com aquelas palavras, aliás, será óbvio para qualquer leitor atento que não é de não poderes sair cedo que me estás a falar. Do que me estás a falar, é precisamente daquele rio indefinido que voga subterrâneo sob as nossas palavras, confuso e revoltoso, e nunca conclusivo.

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Domingo, 17 de Abril de 2011

Os Bons

Uma das coisas que distingue a obra dos grandes músicos da obra dos outros assim-assim, para já não falar dos medíocres, é o facto de por muito que os ouçamos, temos sempre algo para descobrir. No fundo nada mais que um bom investimento. Compramos um disco, ouvimos e ouvimos, retemos algumas músicas que sobressaem, mas sabemos que lá mais para adiante, uns anos à frente, há-de aparecer qualquer coisa nova que nos passou.

Assim como também estas peças soltas que aparecem de vez em quando. Parece que brotam.

B Fachada - Brutos de Tradição Oral Contemporânea - 02 from Tiago Pereira on Vimeo.

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Sábado, 16 de Abril de 2011

As chaves

Ela estava novamente ensarilhada naquele novelo de pensamentos, mas agora era tempo de procurar as chaves para sair para as aulas - tinha-se perdido outra vez na internet; foram horas a conversar com ele.
Desta vez ele estava com uma história nova: queria que os dois escrevessem uma história a duas mãos, e que depois fossem para um local público e representassem os diálogos pré-escritos, ali num cenário com pessoas a viverem a sua vida, inconscientes de dois actores que retiravam o máximo prazer de estarem a fingir cada palavra e cada gesto, com o risco de o acaso de repente lhes estragar o enredo. Ela não sabia o que pensar, - talvez que a ideia fosse um bocadinho louca, - mas quando se ligasse de novo logo se veria. Agora precisava de se libertar desses pensamentos, já estava atrasada.

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Sexta-feira, 15 de Abril de 2011

Este Blog atravessa o Atlântico.

Há Vida para alem de Ana Júlia.

Muita vida

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Segunda-feira, 11 de Abril de 2011

Este Blog faz uma pausa na sua actividade política. Prometemos voltar dentro de momentos

Uma bonita canção ão ão ão.




Nuno Prata - Um dia não são dias não.

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Domingo, 10 de Abril de 2011

Da ordem do paranormal


Nunca, mas nunca devemos subestimar a capacidade de sermos surpreendidos.

P.S. A internet é uma chatice...fica lá tudo gravado e acessível a toda a hora.
Do facebook do candidato:





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Sábado, 9 de Abril de 2011

Um lugar

No final de contas, o que precisamos é de um bom lugar para estar.
Não é perfeito, mas é nosso.
Temos de o estimar.

É urgente a revolução. A revolução de hoje tem um nome: responsabilidade.

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O Acrobata

Comentando o post anterior do Pedro:

É um gosto ouvir o José Sócrates discursar. Faz campanha como ninguém. E fez muitas coisas, muitas delas muito certas, como as de enfrentar muitos corporativismos na educação, saúde e justiça.

Mas há uma coisa que não lhe perdoo. Influenciou o meu voto prestando-me informações para eu basear a minha decisão que eram falsas. Desde aí tem feito infelizmente das manobras verbais, dos truques estilísticos e do marketing o seu modo de vida.

Votaria em Sócrates novamente sem hesitar, se confiasse nele. Mas ele não é íntegro.

Mas a sensação de desespero cívico aumenta quando olho para o principal opositor de Sócrates, que não consegue mostrar mínimamente ao que vem(porque o objectivo é apenas o PSD ocupar os cargos deixados pelo PS, ou então tem uma agenda escondida para depois das eleições). Fora de questão.

Paulo Portas? Outro excelente comunicador, outro mentiroso. Tem um discurso que aqui e ali fechamos os olhos e parece o do bloco de esquerda(estamos a falar do CDS!), mas tem as suas ideias e as suas simpatias bem escondidas para aplicar quando se apanhar no governo.

O resto da esquerda...não foram eles que se sentaram discretamente com os outros citados acima para apoiarem o aumento do financiamento aos partidos com dinheiro vivo? Todos são dúplices, está visto. Prezam muito os privilégios conquistados e tudo fazem para os manter. E além disso, vem desse lado alguma ideia realista para enfrentar a situação de desespero em que o país se encontra?

Há pelo menos uma questão que me arde na mente:
Porque é que ainda não há círculos uninominais neste país? Porque não posso escolher o meu deputado, para depois lhe pedir contas?

Nenhum dos partidos com assento no Parlamento me serve, porque eu me fartei, e tenho filhos e me preocupo com o futuro deles e com o meu, e elevei a fasquia da exigência.

Em conversa com amigos a minha questão tem sido: posto isto, o que fazer? Como levar esta nova demanda de exigência mais longe, como influenciar o futuro? Votar em branco? Votar nos partidos sem assento no Parlamento? (Não votar para mim é inconcebível). Aderir a movimentos cívicos de pressão? Onde estão?

Como diz Bono em «Acrobat»:

Juntar-me-ia a um movimento, se houvesse um no qual pudesse acreditar; beberia pão e vinho, se houvesse uma igreja onde pudesse recebê-los, porque deles preciso agora.
Há dois meses para reflectirmos, e é positivo que debatamos.

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"A receita"

As notícias das 2h00 da manhã da RTPN começaram com a seguinte afirmação:

"Já está decidida a receita da ajuda externa a Portugal.
- PEC IV
- Redução da despesa do estado
- Plano de privatizações ambicioso

Se calhar a receita estava certa...

Façamos um favor a nós mesmos e paremos com reaccionarismos absurdos e típicos de quem simplesmente ignora a realidade. Ou então podemos continuar a privilegiar a mentira snob e bem falada, aliada ao poder de alguns nos meios de informação.

Nos dias de hoje parece que o que vou dizer é pecado, mas eu vou dizê-lo à mesma. Sou pouco dado a intelectualismos balofos que se esgotam em si mesmos e que rebentam mal se lhes chega ao pé com uma agulha e além disso nunca gostei muito de alinhar com a carneirada.

Podem acusar o Primeiro - Ministro de muita coisa, mas não se pode acusá-lo de não estar a defender os interesses do país, e está a fazê-lo com uma coragem e uma energia louváveis.

Se está ou esteve a fazê-lo bem, cabe aos portugueses decidi-lo. Eu já decidi. Sócrates foi, e continua a ser, de longe, a melhor opção para governar o meu país. Principalmente agora, em tempos que se adivinham difíceis.

Novas medidas de austeridade com base no PEC IV - RTP Noticias, Vídeo

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Sexta-feira, 8 de Abril de 2011

Ainda a entrevista do Soares dos Santos


Comentando o comentário do Paulo ao meu anterior post:

Há uma coisa de que Portugal precisa: racionalidade.

- Racionalmente, a economia está globalizada; devia ser a coisa mais natural do mundo que as empresas se localizem onde têm melhores condições para dar lucro, pois não são outra coisa que máquinas para gerar lucro para quem nelas investe. Portugal tem que ser competitivo fiscalmente. A Irlanda recusou ao FMI baixar o IRC e por isso ficou com piores condições...mas eles querem manter-se competitivos.

O Grupo Jerónimo Martins quer expandir para outros países baseado no sucesso da Polónia - isso é de criticar? Nos próximos anos eu sei onde ele não vai crescer.

Não vi Soares dos Santos a criticar o facto de ser tributado, mas o facto de sendo tributado em duplicado(na Polónia e Portugal), sendo que em Portugal  teria que pagar ainda mais do que no lugar onde gerou os lucros.

Se os governos continuarem a mentir às pessoas enquanto o Titanic afunda será uma ideia assim tão afastada a de  que podemos entrar em situações de instabilidade social e saques(visto que os cortes são certos como a morte e quanto mais tarde mais cruéis?)

As ideias fortes da entrevista foram, como a entendi:
- Tem que se criar um sistema de gestão profissional no estado, com isto querendo dizer com profissionais recrutados pelo mérito, com objectivos, avaliados e pagos a preços de mercado(sem demagogias).
- É necessário elaborar-se um plano estratégico para o país cujas linhas gerais têm de ser acordadas pelos grandes partidos para o longo prazo.
- Há que criar emprego, e flexibiliza-lo também para dar acesso aos melhores aos cargos(aqui vi prudência porque não se pode comparar directamente com os EUA), mas o modelo nórdico de flexigurança talvez já fosse mais comestível.
- Urge revitalizarem-se sectores, como a indústria, que foram completamente esquecidos nos últimos anos.

Não ouvi a sua manifestação de amor ao seu país com estranheza, porque:

- Ele criou a fundação Francisco Manuel dos Santos, que por sua vez criou a PORDATA, a maior base de dados sobre a evolução de Portugal coordenada pelo António Barreto - uma ferramenta importantíssima para entender a evolução do país.

- Essa fundação está a editar a 3 euros e picos uma colecção fantástica de reflexões sobre o estado do País em diversos sectores. Queremos falar sobre o futuro do país?, é lermos esses livrinhos para entendermos melhor e podermos sugerir e agir sobre reflexões bem fundamentadas.

- O Grupo Jerónimo Martins foi o grupo que mais aproveitou o programa Novas Oportunidades, para reforçar as capacidades dos seus trabalhadores e ser mais competitivo pela qualidade da sua força de trabalho.

- O Soares dos Santos, em vez de comentar sentadinho, juntou um grupo de empresários que durante um ano e meio diagnosticou uma série de problemas e propôs medidas ao governo. Umas seriam boas e oportunas, outras menos, talvez...o Primeiro Ministro nem as leu....é sintomático. É preciso os cidadãos influenciarem o governo, que não é o pai sabe tudo de todos nós, fornecendo-lhe ideias e pessoas competentes e vigiando a execução. Os partidos fazem as palhaçadas dos estados gerais para fingirem que fazem isso.

O Grupo Jerónimo Martins e o Soares dos Santos não são perfeitos e, não nos esquecendo que as empresas têm responsabilidades sociais, não podemos olvidar nunca que não são a Santa Casa da Misericórdia.

Comparando a visão e filosofia deste senhor, as medidas que propõe, as suas iniciativas e actos concretos, e a sua competência demonstrada em resultados com as dos políticos que temos cuja única carreira visível foi a de subir nas Jotas, confesso que prefiro um milhão de vezes ouvi-lo a ele.

Como diria Lennon...the Dream is Over. Temos que agir e tirar este país das mãos dos aprendizes de feiticeiro.





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Quinta-feira, 7 de Abril de 2011

Cada minuto é ouro

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Quarta-feira, 6 de Abril de 2011

O mensageiro



- Estás a gozar!
- Não. Acredita. De vez em quando, na esquina da Avenida da República com a Miguel Bombarda estão espalhados papéis manuscritos à volta da cabine telefónica. Da primeira vez que vi imaginei uma estudante - daquelas que se sentam nas primeiras filas nos auditórios e escrevem até quando o professor tosse -, a correr apressada para atravessar a zebra e papéis a voar à sua volta. Da segunda vez que vi o fenómeno repetido, semanas depois, fiquei ainda mais intrigado. Mas a vergonha de ser visto por algum colega a apanhar folhas enlameadas do chão venceu. Um dia a curiosidade assumiu o comando e apanhei uma das folhas. Li um parágrafo apressado para logo depois largar a folha, não fosse o autor estar à pesca em alguma esquina e abordar-me. Ao ler, a minha imagem da estudante apressada logo foi substituída pela do homem no vídeo de Everybody Hurts a largar páginas (poemas?) de um viaduto. A página começava assim:

«Você não alcançará a salvação se não repetir esta mensagem, transmita esta energia ao maior número de pessoas que conseguir. Copie o texto que se segue e deixe-o num local público (...)»  - e por aí seguia.

Fiquei atónito, eram mais de dez folhas disto! Instintivamente, atacado de uma compaixão momentânea, saquei de uma esferográfica e escrevi bem legível: «www.facebook.com».

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Segunda-feira, 4 de Abril de 2011

Quimeras


Todos à volta da mesa do bar. Um bar estranho aquele, com mística de sacristia e retórica profana, brotando por entre cerveja, vodca, fumo e música alta.
Rapazes e raparigas, com um entusiasmo ainda só levemente pós-adolescente. Na mesa grandes nomes: Nietzsche, Sartre, Kierkegaard e outros que apelam à juventude pela utopia; a juventude vai mudar o mundo, mas não antes da tarde do dia que aí vem.
Copos e esquiços de namoros em breve baralhados e de novo dados - o rapaz que namora com uma das raparigas, mas que suspira pela Joana D'Arc que fuma como se estivesse na capa de um Best Of dos The Smiths, a rapariga que namora com o rapaz, mas que suspira pelo outro rapaz que cita Zaratustra furiosamente.
Noites de leveza e de grande expectativa, um porfiar de desejo de recriação do mundo; uma ânsia de grandes causas. Uma dor de cabeça certa na manhã seguinte.

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Sábado, 2 de Abril de 2011

Leonard Cohen

A evidência:

"Leonard Cohen foi galardoado com o Prémio Glenn Gould, nome do virtuoso pianista que ficou famoso, entre outras, pelas interpretações de Bach. O júri foi unânime em considerar que as músicas de Cohen transcendem a cultura canadiana e tocam toda a humanidade.
O prémio, agora na nona edição, é atribuído de dois em dois anos e vista distinguir artistas que contribuam para enriquecer a condição humana e representem os valores da inovação, inspiração e transformação. Por outro lado, é um tributo ao também canadiano pianista Glenn Gould (1932-1982)."


A curiosidade:

"...tem a possibilidade de escolher um jovem artista para apadrinhar, o qual receberá o Glenn Gould Protégé Prize..."

O que interessa:



Leonard Cohen é o meu artista preferido.

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O dia informal

«Não posso pedir tanto de mim própria», era uma frase que lhe emergia do pensamento ocasionalmente, enquanto fumava no piso térreo, depois de ter visto mais um job «batido» no terminal e assumido mais uma vez, numa imagem que vem da antiga Grécia, o peso do mundo nos ombros.
Hoje é sexta-feira, o dia da roupa informal, e sobre a mesa do abrigo dos fumadores tinha aberto por entre os anéis de fumo um livro de Emily Dickinson:

Sépala, pétala, espinho
Na vulgar manhã de Verão,
Brilho de orvalho - uma abelha ou duas -
Brisa saltando nas árvores -
E sou uma rosa!
Não lia agora - já vimos -, estava absorta nos seus pensamentos, mas hoje de manhã sentira-se livre, e numa pequena afirmação de revolta, trouxera para o dia informal a sua t-shirt dos Nine Inch Nails.

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Sexta-feira, 1 de Abril de 2011

O palco

Acontecia-lhe frequentemente - com os papéis espalhados pela mesa da esplanda, quantas vezes com o Código Civil a prender as folhas para que não voassem -, perder-se em ilusões de vida artística, imaginar-se sentada no camarim, fitando o espelho enquanto se ia transfigurando na personagem que dentro em pouco pisaria o palco para satisfazer as ânsias do público que conseguia pressentir intermitentemente quando abriam a porta.

Um amigo chegaria, desejava-lhe sucesso, trazia-lhe flores; dizia-lhe: - nunca pensei que cantasses, quando andavas pela faculdade! - Ela sorria, e lembrava-se do desencanto pelos calhamaços e pelas características das normas jurídicas. Estava muito nervosa, a hora aproximava-se.

Oh! Tenho que a apanhar!- gritou ela. Uma folha soltou-se com o vento e voava em direcção à marina.

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