Uma história para esta música, vou pensando um minuto aqui outro ali. Lembro-me dos ecos deste disco de Jimi Hendrix, que comprei ao namorado da Rute, guitarrista de conservatório que queria vender o Hendrix para comprar o Pat Metheny. Com alegria lhe fiquei com a obra prima de Jimi, por estas alturas de 67 a voar em nuvens de ópio(67 foi pródigo em boas canções opiáceas). Por entre estas canções se engendraram os Princes do futuro.
Celebro os setenta anos do profeta relembrando um dos seus melhores discos, lançado já a sua voz estava gasta, nos 90's.
Time Out of Mind é uma pérola da música popular e marca o reencontro de Dylan com os grandes discos, reencontro extendido até Love and Theft, outro título maior da discografia do mestre, lançado em 2001.
Aqui cheguei com Martins Sarmento, orgulho Vimaranense. Caetano aportou com Fernando Pessoa. Não admira pois que séculos atrás de séculos esta frase continue a fascinar.
É de Portugal que falamos, é Portugal que nós queremos
Em busca de uma jornada Vitoriosa
O Barco! Meu coração não aguenta Tanta tormenta, alegria Meu coração não contenta O dia, o marco, meu coração O porto, não!...
Navegar é preciso Viver não é preciso...
O Barco! Noite no teu, tão bonito Sorriso solto perdido Horizonte, madrugada O riso, o arco da madrugada O porto, nada!...
Navegar é preciso Viver não é preciso
O Barco! O automóvel brilhante O trilho solto, o barulho Do meu dente em tua veia O sangue, o charco, barulho lento O porto, silêncio!...
Não devo andar longe da verdade quando imagino que toda a gente que aprende a tocar na guitarra uma canção de um artista que admira, tem aqui e ali a fantasia de um dia subir ao palco para a tocar para esse artista.
Paul Simon chamou Rayna Ford, que lhe tinha confessado ter aprendido a tocar guitarra com uma das suas canções, a toca-la em palco com a sua banda. A sua sensibilidade foi tanta que lhe deu todo o espaço para ela ir ganhando confiança, ultrapassando o terror do irreal de estar ali naquele momento. Segundo a segundo ela vai entrando na música, e até se sai bem.
Também aprendi guitarra com o intuito de tocar muitas músicas de Paul Simon, e também aprendi muito sobre a vida ouvindo-as com atenção. Magnânime.
Enquanto na América do Norte o grunge explodia, também nas Américas mais a sul, Brasil concretamente, uma revolução estava em marcha. Da cabeça de Chico Science, ou talvez do satélite lá instalado, saltava o manguebeat. É espreitar:
Não conhecendo o movimento e bandas a fundo, acredito que Afrociberdélia, 2º trabalho de Chico Science com a Nação Zumbi, está para o manguebeat como Nevermind está para o grunge, ainda que Da Lama ao Caos, 1º álbum de Chico Science & Nação Zumbi seja apontado historicamente como um clássico, já que marcou o arranque em força do manifesto.
Afrociberdélia é um álbum excepcional. Uma potente explosão de criatividade, fusão, incrivelmente caótico e vanguardista, veículo de mensagem. Acima de tudo muito punk. Enfim, coisas que o Pedro Álvares Cabral originou: Europa ↔ África ↔ Brasil ↔ Maracatu. E que é que Isaac Asimov tem a ver com isso ?
Chico Science faleceu em 1997, tinha 31 anos. Deixou uma obra curta mas grossa.
Ó pra ele com o Gilberto Gil, o mestre que colaborou em Afrociberdélia
Vivia culpado, e toda a gente o desencorajava de alimentar esse sentimento. Era absurdo, era retorcido. «Olha, não consegues arranjar preocupações, tens de as inventar?» - dizia-lhe a namorada sem saber mais o que dizer. Mas ele sofria, sofria porque sentia culpa, culpa por ter prazer ao ouvir música, música que para ser arte nasceu da tragédia pessoal de muitos daqueles autores, música que foi esculpida a partir da matéria bruta da dor.
Por vezes descendo a alameda pensava na sorte que apesar de tudo tinha, de poder incorporar por breves minutos todos aqueles sentimentos-limite; imaginar-se no limiar do suicídio ou num devastador triângulo amoroso, tudo isso em pequenas doses que duram apenas até à próxima faixa.
Quando o silêncio vinha, de novo a culpa espreitava. Soubera ele escrever canções.
Patti Smith ganhou o Polar Prize 2011, conjuntamente com o Kronos Quartet. Dizem que é uma espécie de Nobel da música
I was down in georgia Nothing was as real As the street beneath my feet Descending into air
The cauldron was a-bubbling The flesh was lean And the women moved forward Like piranhas in a stream They spread themselves before me An offering so sweet And they beckoned and they beckoned Come on darling eat
Eat the summer cannibals Eat eat eat You eat the summer cannibals Eat eat eat
They circled around me Natives in a ring And I saw their souls a-withering Like snakes in chains And they wrapped themselves around me Ummm what a treat And they rattled their tales hissin' Come on let's eat
Eat the summer cannibals Eat eat eat You eat the summer cannibals Eat eat eat
I felt a rising in my throat The girls a-saying grace And the air the viscous air Pressed against my face And it all got too damn much for me Just got too damn rough And I pushed away my plate And said boys I've had enough And I laid upon the table Another piece of meat And I opened up my veins to them And said come on eat
Eat the summer cannibals Eat eat eat You eat the summer cannibals Eat eat eat You eat the summer cannibals Eat eat eat You eat the summer cannibals Eat eat eat
Cause I was down in georgia Nothing was as real As the street beneath my feet Descending into hell
So eat eat eat You eat eat eat You eat eat eat Eat eat eat