Domingo, 31 de Julho de 2011

Berlim Reunificada


Triste vida a nossa quando celebramos efusivamente meias horas de conversa com os nossos irmãos. Este mundo é uma chatice.

Já começa a ser tradição que o Jorge e o Paulo a toquem mal para que eu a assassine por fim com a minha voz.

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Sábado, 30 de Julho de 2011

O som da idade

- Pai! Esse senhor é mais velho que o avô! De quando é essa música?
- Anos 80, entre meados e fim dos anos 80.
- Já eras nascido?
- Sim, estava a entrar na adolescência...
- Iiiih! Quanto faltava para eu nascer?
(Risos) - Muito!
- Como era o mundo nessa altura?
- Havia a guerra fria, os músicos faziam grandes concertos para salvar os etíopes da fome...
- Os mesmos que mostraram ontem na televisão?
- Os pais desses, talvez...
- Os festivais também são para salvar as pessoas da fome?
- Não, nem da física nem da mental...



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Quinta-feira, 28 de Julho de 2011

À míngua, de excesso


E eu que sou o rei de toda esta incoerência,
Eu próprio turbilhão, anseio por fixá-la
E giro até partir... Mas tudo me resvala
Em bruma e sonolência.


Se acaso em minhas mãos fica um pedaço de oiro,
Volve-se logo falso.., ao longe o arremesso...
Eu morro de desdém em frente dum tesoiro,
Morro à mingua, de excesso.
(...)

De Mário de Sá Carneiro, disse David Mourão Ferreira ter tanto a «aspiração de altura, o desejo de ascensão a um espaço ilimitado, quanto a consciência de um desenrolar trágico para o fatal movimento, destinado á queda».

Foi Mário de Sá Carneiro, quem no início do século XX, em conjunto com Fernando Pessoa e outros, deu a maior pedrada no charco estagnado da literatura portuguesa, lançando a revista Orpheu, com a plena consciência das vagas de choque de escândalo que esse arrojo iria provocar.

Na sua ânsia de altura, de ir mais além, qual Ícaro o artista eleva-se sem aceitar aviso ou conselho, isola-se perante o pasmo de todos, mas nesse isolamento a sua fragilidade exponencia-se e logo se torna pasto para o inclemente astro rei.

Esta vida é um baloiço,
Sempre, sempre a baloiçar
Não me falem que eu não oiço
Se o que eu quero é balançar
(...)



Nestes versos Paulo Bragança levanta ainda chamuscadas do chão as asas de Mário de Sá Carneiro, inspirando-se na primeira estrofe do poema «O baloiço»(a canção partilha o título), e olha os céus.

Se no seu primeiro álbum, «Notas sobre a Alma», já sobressalta os puristas do fado com ousadias como a de cantar «Remar Remar» dos Xutos e Pontapés, uns bons anos antes de eles próprios terem afadistado o «Homem do Leme», Paulo Bragança, em «Amai», fita a abóboda celeste e eleva-se, deixando um rasto indelével ainda brilhando no firmamento da música portuguesa.

No céu aberto não há limites, e Bragança usa dessa liberdade para com Rui Vaz e Carlos Maria Trindade confrontar o mundo com o além-fado.

Além-fado porque já não se prende aos formalismos e às tradições, além-fado porque não se fica confortável na fronteira do aceitável para os guardiões do templo; antes irrompe pelo templo, quebra as velhas tábuas e com elas constrói algo de mais rico e abrangente, o que para muitos só pode ter o nome de heresia.

Mais tarde viria ainda polir o diamante, oferecendo-nos «A Névoa», que não sei se é fado, se não é. Para mim é a continuação do caminho do além-fado.




Não estamos habituados neste país a estas ousadias. Vivemos no reino do «respeitinho» e mesmo os artistas - os que deveriam ser livres, quiçá alumiar-nos com a liberdade que temos cerceada no jogo social, - jogam o jogo do «respeitinho» nunca arriscando, ou então soterrando ideias mais subversivas em tais camadas de abstracção que se tornam ininteligíveis. Temos Mão-Morta, temos Pop Dell'Arte, a espaços tivemos Xutos e GNR, temos Paulo Bragança.

Quando procuramos na música sementes para o pensamento, é cada vez mais difícil encontrar essa música-desafio. Em Paulo Bragança encontramos a melhor poesia, expressa e sublimada, com ecos de Pessoa, Sá Carneiro ou Teixeira de Pascoaes; encontramos a inovação e as raízes, num fluxo coerente. O «Fado Mudado» tem o potencial de enriquecer o fado na mesma medida que «Heroin» dos Velvet Underground e «The End» dos Doors enriqueceram a música rock. No entanto continuamos a ouvir fado adocicado enaltecendo uma qualquer Lisboa de quimera. Onde está o fado, essa música subversiva? Está cheio de design, estilo o bons arranjos...mas falho de alma.




Eu ia terminar vociferando contra o facto de ser impossível encontrar o álbum «Amai»(e todos os outros) nas lojas de discos, mas tendo a pensar que é uma ilusão pensar em lojas desse tipo nos termos em que se pensava antes. Antes podemos chamar-lhe supermercados de discos. As editoras estão moribundas (e na minha perspectiva, Deus as leve). Mas, é trágico, há toda uma geração privada de conhecer esta obra importantíssima da música popular portuguesa dos anos 90. Será que este álbum subversivo pede a atitude subversiva de o fazer circular clandestinamente de iPod em iPod? Haja interesse.

O exagero,
é a devoção
daqueles que amam por perdição
Amai!


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Domingo, 24 de Julho de 2011

Requiem


I saw the best minds of my generation destroyed by madness, starving hysterical naked,

dragging themselves through the negro streets at dawn looking for an angry fix,

angelheaded hipsters burning for the ancient heavenly connection to the starry dynamo in the machinery of night,

who poverty and tatters and hollow-eyed and high sat up smoking in the supernatural darkness of cold-water flats floating across the tops of cities contemplating jazz

Excerto the «Howl» de Allen Ginsberg

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Quarta-feira, 13 de Julho de 2011

50 canções que tens de ouvir antes de morrer


6 - Joy Division - Atmosphere


Fruto do génio demasiado negro do malogrado Ian Curtis e do louco e precoce génio de Martin Hannett, Atmosphere é daquelas canções que te assombram para a vida. Cada esquina que cruzas ela está lá. Está lá aquela voz assombrosamente projectada por Curtis, estão lá aqueles cristais de Hannett, a partirem-se na imensidão do universo, parecendo transportar-te para um mundo novo e negro que te abarcará. Esta canção engole-nos, manda em nós, exige-nos, hipnotiza-nos, embebedamos a alma e o coração com um licor negro mas doce, forte mas com um trago que lambuza. Esta canção não se pode ouvir muitas vezes. Esta canção mata.

Acima está um lindíssimo vídeo realizado já depois da morte de Curtis. Bela imperfeição.

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Segunda-feira, 11 de Julho de 2011

Cândido, o desenhador

A tabela periódica dos elementos, uma série de desenhos de físicos e químicos famosos desenhados por nós, os alunos. O Rutherford, fui eu que desenhei. Pensava que era o melhor desenho, mas o Cândido apareceu com um desenho fabuloso do Einstein; uma surpresa para todos.

Remoí durante semanas, e ele apareceu com mais um desenho, de Newton - outro desenho que não parecia ao nosso alcance, miúdos do 8º ano. Nunca vi o tipo a desenhar, nunca, e ele nem tinha aquela pinta meio distante de quem gosta de artes...

Um dia na aula de biologia tivemos que desenhar, e o Cândido - nessa aula o ingénuo, - desenhou como sabia para o seu trabalho. E o que sabia era pouco(um cão ridículo e infantil).

Ainda hoje estou para saber quem lhe fez os desenhos.

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Quinta-feira, 7 de Julho de 2011

Claridades

Não sei se chegarei a perdoar o que me fizeste. Fui a tua casa mas já não sabia qual era o meu papel no teu filme. Num momento que deveria ser de reencontro, as mesmas caras alegres receberam-me à porta, fizeram-me a festa de sempre. No exterior tudo estava igual. Mas as sombras tinham caído sobre nós, e aquela casa, sendo a mesma estava escura, e o prazer de a visitar tinha morrido.

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Segunda-feira, 4 de Julho de 2011

Portugal Underground

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