Domingo, 27 de Junho de 2010

Esta é para amanhã

Amanhã é dia para ver a realidade Portuguesa com um certo distanciamento, em direcção a outro tipo de realidade Portuguesa.


Portugal é grande, mesmo com o mar pelo meio. Pena que ainda ninguém tenha posto no youtube a música «Porto Santo» da Sétima Legião.

Ficamos com os Byrds, e não ficamos mal.



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Doutor Soares




O ensaísta Eduardo Lourenço classificou-o "a figura mais importante do país desde o 25 de Abril". "Foi a alma da resistência democrática do país. Devemos-lhe, quase a título pessoal, o facto de estarmos a viver num país que não é aquele país amordaçado contra o qual o jovem Mário Soares lutou"

Junto-me à homenagem e, desculpe Eduardo Lourenço, vou mais longe: é a figura mais importante do país do século XX e ao que vejo do século XXI.

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Quinta-feira, 24 de Junho de 2010

"Eu Não Vos Quis Impressionar"


Nunca pensemos que é demais lembrar António.

António Joaquim Rodrigues Ribeiro morreu há 26 anos. Como todos bem sabemos deixou marcas inapagáveis na música e na sociedade Portuguesa. Hoje, só porque sim, apeteceu-me lembrar António.

Variações não nasceu à frente do seu tempo. Nasceu à frente do nosso.

O resto está aqui embaixo, neste excelente documentário realizado por Maria João Rocha.












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Quarta-feira, 23 de Junho de 2010

O retorno da ideologia


A ideologia carece de voltar. É bom que as pessoas se pensem como agentes de mudança no país e no mundo(o velho lema «pensa globalmente, age localmente») e tomem posições.

É preciso que se pense, reflicta, debata e se façam escolhas. No meu entender é necessário que numa realidade em que os países(e Portugal ainda mais) deixaram de ter soberania económica, se pense na soberania cultural, e em criar cérebros para o futuro, os cérebros que farão esses sim avançar o país.

Portugal tem ainda uma taxa de analfabetismo acima de 10%, e o estado da educação é lastimável e tem-se vindo a agravar nos últimos 20 anos. A filosofia e a história perderam completamente o crédito que tinham porque não aparentam ter qualquer utilidade para os tecnocratas. Mas agora a tecnocracia está a colocar a União Europeia em perigo. A educação é a única salvação a prazo.

É necessário que a cultura e o pensamento sobre o mundo voltem, é preciso ler, é preciso escrever, é preciso pensar e pensarmo-nos.

E é preciso fazer isso tudo sem tentações de se voltar a Utopias perdidas. Aqui o meu amigo Sérgio conta-vos onde leva esse caminho.

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Tempestade Cerebral

Juntaram o mestre Sérgio Godinho com o verdadeiro rosto da nova música portuguesa. Aquele que vingará quando a geada cair.



Entretanto haverá festa na moradia um dia destes.

I can't wait.

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A Madrinha do Punk Rock

Patti Smith é conhecida como a madrinha do punk. Criada numa forte tradição religiosa e tendo tido uma formação Bíblica, abandonou a religião enquanto adolescente, e veio mais tarde a introduzir a sua versão de «Gloria» de Van Morrison, do álbum «Horses» com "Jesus died for somebody's sins, but not mine".

«Horses» foi produzido por John Cale, ex-Velvet Underground, grupo que Smith idolatrava, não sem tensão envolvida. É um excelente álbum, que contém canções imperdíveis como esta «Gloria», «Horses» ou «Redondo Beach» de que Morrisey veio a fazer uma versão.

O trabalho de Smith foi ainda a razão de Michael Stipe dos R.E.M ter decidido entrar numa banda, e ele próprio fez uma digressão como mero corista na banda de Smith nos anos 90, após a morte do marido de Patti Smith, Fred «Sonic» Smith. Patti Smith participa na canção «E-Bow the Letter» do álbum dos R.E.M «New Adventures in Hi Fi».

«Because the night» foi o maior sucesso de Patti, escrito em parceria com Bruce Springsteen.

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Segunda-feira, 21 de Junho de 2010

O homem multiplicado


Tinha outro assunto reservado para hoje, mas a actualidade não perdoa.

Foi com grande gosto que vi hoje pelas ruas de Lisboa multiplicado o Homem que escreveu o «Homem Duplicado». Achei um gesto de bom gosto este agradecimento a quem tão bem escreveu sobre Lisboa.

Um reconhecimento que apelou a mais de 20.000 pessoas, e que seria de esperar dedicado a alguém que levou o nome de Portugal tão longe; ao único autor deste universo de mais de 200 milhões de pessoas que teve concedida a honra de receber um Nobel da Literatura, e que levou a sua obra a 56 países.

Só a alta visão de um grande homem de estado poderia aconselhar ao nosso Presidente da República transformar esta homenagem numa questão pessoal.

Ora ao New York Times isto não passou despercebido, e pudemos ler no título de uma notícia na edição online:

In Portugal, Saramago’s Funeral Draws 20,000 Mourners, But Not the President.

Logo no primeiro comentário, um leitor de Toronto não falha o alvo e dispara, em reacção ao fim da notícia que cita Cavaco expressando que não tivera o privilégio de conhecer o Sr. Saramago:

On the other hand Saramago was obviously privileged to have never had to meet the President.

Foi sem dúvida um fim de tarde bem disposto com o humor Canadiano. Mas no seu humor certeiro, um Canadiano que não sei quanto conhecerá da realidade portuguesa, acabou por chegar ao cerne da questão: Saramago ficará indelevelmente marcado na história cultural deste país. Cavaco Silva terá talvez uma nota de rodapé, gravada em betão, e com gestos como este mostra bem a sua fibra de presidente de todos os Portugueses.

Talvez as pessoas comecem a perceber as consequências da tecnocracia pura, alheia à cultura e às outras forças que animam e distinguem um povo. Talvez este gesto do Presidente seja o princípio de algo.


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Sexta-feira, 18 de Junho de 2010

Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa somos nós

Esta foi a fotografia que saiu na capa do Diário de Notícias no dia seguinte ao da atribuição do prémio Nobel da Literatura a José Saramago.

Não sei como soube, mas lembro-me de caminhar extasiado e comovido, atravessando o largo de S. Domingos em Viana do Castelo, nesse dia de 98.

O «Memorial do Convento» veio primeiro, numa das primeiras edições baratas em quiosques, da RBA, depois foi o hilariante «Evangelho Segundo Jesus Cristo», «O Ano da Morte de Ricardo Reis», a «Jangada de Pedra» e «O Ensaio Sobre a Cegueira». Ainda repousam por ler na minha prateleira «Todos os Nomes», «A Caverna» e «A História do Cerco de Lisboa». Hoje é o dia em que começarei a ler «Todos os Nomes».

Não partilho dos seus ideais políticos, nem de algumas das suas visões, nem de algumas coisas que fez, mas era um dos grandes que nos restava. Agora é menos um.

À medida que me vou afastando dos anos 90 cada vez mais me convenço que foi a década de ouro entre muitas décadas da vida Portuguesa. Uma década em que se ousou ter esperança.


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Um Homem morreu

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Morreu o Homem das convicções fortes


Morreu José Saramago.

Pode gostar-se ou não dele. Normalmente ou se ama ou se detesta Saramago, mas numa coisa temos que concordar. Bem ou mal, este homem defendeu aquilo em que acreditava com a maior das convicções. Fazem falta homens destes.

Adeus Saramago.

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Quinta-feira, 17 de Junho de 2010

Samo



Basquiat, o filme de Julian Schnabel e um dos grandes filmes dos 90's, é um retrato mais ou menos fiel daquilo que foi Jean Michel Basquiat, principalmente a sua faceta de pintor genial, ele que foi também músico (com Vincent Gallo formou os GRAY)e poeta de rua com a lata de spray sempre à mão. A sua ascensão e queda, ao fim de contas nada mais que a fórmula auto-destrutiva aplicada vezes sem conta por tantos artistas que se foram na casa dos 20.
Outro dos motivos de interesse é a perspectiva que nos dá do underground nova-iorquino dos anos 80, onde passados tantos anos sobre o fenómeno Factory, Andy Warhol continuava a ser o visionário e farol de uma geração de gente com talento.

É também oportunidade para no meio do elenco com nomes como Benicio Del Toro, Gary Oldman, Willem Dafoe e até Courtney Love rever Dennis Hopper e David Bowie, brilhante e hilariante no papel de Andy Warhol.

E de repente, numa banda sonora genial, apercebo-me que um homem como Shane MacGowan consegue escrever uma música como Summer in Siam.
Constato que lhe devo ainda centenas de horas de audição.

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Quarta-feira, 16 de Junho de 2010

Bad kids all my friends are bad kids





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Terça-feira, 15 de Junho de 2010

Porto7 Festival


Vai decorrer de 16 a 20 de Junho, no Teatro Rivoli, no Porto, o festival de cinema Porto7.

No próximo Sábado, dia 19 à noite, vai estrear finalmente em Portugal a curta metragem protagonizada por Paulo Bragança, Henry and Sunny.

As entradas são gratuitas, por isso quem estiver nos arredores do Porto tem aqui uma boa sugestão para o Sábado à noite. Eu conto lá estar.

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Segunda-feira, 14 de Junho de 2010

The Loves of a Blonde



Loves of a Blonde
Milos Forman

Czech Republic

1965

82 minutes

Black and White

1.33:1

Czech


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Domingo, 13 de Junho de 2010

Artistas da Minha Terra

Ontem fui ver o José Cid em Tomar, e não me arrependo. Um espectáculo a gosto popular, é certo, mas produzido com um enorme bom gosto.

Na voz de suporte estava Zé Perdigão, que já tinha sido anotado no meu Moleskine mental aquando da edição dos seus «Fados do Rock». Ontem fiquei a saber que é vimaranense, e fiquei com mais um motivo de orgulho, por ter um artista com uma voz destas vindo de Guimarães.

No vídeo abaixo José Cid explica como com humildade Zé Perdigão se aproximou dele e o deixou descobrir uma excelente voz. Inclusivé revela também como estes «Fados do Rock» eram um projecto destinado a Paulo Bragança, que não estava disponível para o fazer.

Gostei muito da postura e da voz de Zé Perdigão. José Cid pediu ontem atenção para o seu novo álbum que está para chegar, e eu vou ter essa atenção.



Há um outro artista de grande qualidade que quero referir. Manuel d'Oliveira é mais um vimaranense de gema, de qualidade internacional na guitarra clássica. Vemo-lo aqui a tocar com Carles Benavent, baixista que acompanha Paco de Lucia.


2012 está perto, e é impressionante o conjunto de nomes internacionais que têm passado em Guimarães, nesse excelente palco que é o Palácio de Vila Flor e não só. Ainda esta semana ouvi na rádio que Guimarães se está a tornar no palco cultural do Porto, e merece-o porque em Guimarães existe preocupação e amor à cultura.

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Sábado, 12 de Junho de 2010

Nascido no tempo certo


Pois é, faz hoje seis anos, iniciou-se o Europeu de futebol em Portugal, e em Guimarães, durante o jogo entre Portugal e a Grécia, mesmo no tempo certo, um bébé nasceu.

Parabéns Alexandre!

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Sexta-feira, 11 de Junho de 2010

África do Sul


Eu dispenso o futebol, mas se este voto de confiança da comunidade internacional representada aqui pela FIFA ajudar a África do Sul a mudar o rumo de um caminho que lentamente parece levar ao Zimbabwe, para mim está muito bem este mundial.

Celebremos a África do Sul.


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Bom Dia Mundo.

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Quinta-feira, 10 de Junho de 2010

A hug for Mountain View, CA




Derreto-me todo quando dou por ela que tenho fãs n'ámérica.
E já agora uma vista de olhos nos DODOS. Vale a pena.


A hug for Mountain View, CASocialTwist Tell-a-Friend

Quarta-feira, 9 de Junho de 2010

Queres ser o Daniel Johnston?


Pois se eu fosse a ti, não queria.

Queres que a tua banda sejam os novos Strokes?
Se fosse a ti e à tua banda, não queria.

Queres que a tua banda sejam os novos Vampire Weekend?
Se fosse a ti e à tua banda, não queria.

Queres encontrar-te nos 80's com o David Fonseca?
Não sei se o joio compensa o trigo.

Queres surrealizar por aí?
Apeteceu-me rimar com Dali.

Queres ser o John Malkovich?
Assim já falamos.


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Terça-feira, 8 de Junho de 2010

V (cinco), Tiago Guillul


Ouvi o V, novo do Guillul.

Ora bem, não tenho termo de comparação com os Vampire Weekend, simplesmente não os ouço, pelo que não posso atestar as semelhanças apontadas pelo rapa-panelas. Mas não, nem assim vou ouvir os Vampire Weekend

Sei é que o piscar de olho às sonoridades africanas por parte do Guillul, mais via Talking Heads diria, já vem de trás e é bem notório em IV. Não vislumbrei essa confusão musical, pelo contrário até me soou bem agradável, musicalmente falando. Nabucodonosor, Canção para o Doutor Soares, Sete Voltas são músicas que por mérito próprio vão ficar no ouvido. Até a simpática Barreiro Rock City.
Adivinha-se o vício em Roma e Avinhão, a coisa mais Variações desde o Variações.

A minha parte de desilusão prende-se mais com aquilo que mais admiro no Guillul, que é a capacidade de surpreender e "dizer alguma coisa" nas letras que escreve. Confesso que esperava mais do que ouço em V, aí sim, achei um pouco confuso, vago e muito (very much mesmo) repetitivo. Sacudindo o pó..., O meu carcereiro, Agora, Canção para Maria..., esta ainda assim uma música muito bonita, são disso exemplo. Ou isso, ou estou num outro patamar de percepção, mais baixo é claro.

Prefiro ainda assim levar o Tê em consideração e pensar que V é um bom disco. Não abusemos, mas é um bom disco

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Domingo, 6 de Junho de 2010

Não me falem que eu não oiço




Este poema, «O Recreio» de Mário de Sá Carneiro partilha os primeiros versos com a canção que mais gosto do Paulo Bragança.

É uma canção que fala de seguir-se por vezes só, contra todas as lógicas e contra todos os conselhos, ao sabor dos acontecimentos.

O que seria da vida sem nenhum devaneio?


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Sexta-feira, 4 de Junho de 2010

Que a dose fatal de ópio e beleza


Hélia Correia escreveu o soneto que Janita Salomé musicou, e Cristina Branco transformou na dose fatal de ópio e beleza que é a sua interpretação.

Vi-a ao vivo em Tomar, aqui há uns meses, e não é humanamente possível ficar-se indiferente ao talento, sensibilidade e bom gosto desta bela mulher.

De bom grado negaria três vezes todos os álbuns pop rock que este ano vi nascer em Portugal e ouvi, só para ficar com esta música, que é mais que música: é um implante que nos fica para a vida.

Outras paixões já tive em tudo iguais
À que hoje a ti sem dó me mantém presa
Paixões como não as não sentem os mortais
Como as não gera a pura natureza

Amei, por montes de urze e vendavais
Já de um rio ensombrado me fiz presa
Já meus filhos matei, já bebi mais
Do que a dose fatal de ópio e beleza

E tempo atrás de tempo, era após era
no esquecimento eu deixo doce abrigo
e um novo corpo novo ofereço a nova ferida

Sabendo exactamente o que me espera
Que uma vez mais me encontrarei contigo
Pois tu és sempre o mesmo em cada vida

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Terça-feira, 1 de Junho de 2010

Norte e Sul



O artigo que este mês assino é essencialmente um exercício de ginástica histórica. É-o porque cada vez mais tenho a noção de que as gerações mais novas, incluindo a minha, não têm um conhecimento adequado da realidade histórica de um mundo em constante ebulição. Para estas gerações, o que hoje acontece é um facto do presente, nunca, ou quase nunca, associando este facto aos seus antecedentes. Muito por culpa da nossa deficiente comunicação social, é certo, mas muito também por culpa própria. Por falta de vontade de aprender, por preguiça mental. A Internet, que nos faculta trabalhos prontos a entregar ao professor, em vez de ser o local onde vamos buscar a informação para produzir, também tem a sua culpa.

Toda esta assunção porque as Coreias estão outra vez de candeias ás avessas e muitos de nós não sabemos sequer porquê.

Posto isto, vamos lá à ginástica.

Ocupada pelo Japão desde 1910, a Península da Coreia foi dividida pelos aliados após a rendição nipónica no final da 2.ª Guerra Mundial. A divisão foi feita no famoso paralelo 38, sendo que o norte ficou sob a alçada Soviética e o sul sob domínio Americano, embora em 1948 em ambos tenham sido instaurados governos soberanos.

Em 1950, pouco depois do “divórcio” dos aliados da 2.ª Guerra Mundial, a Guerra-fria aqueceu um bocadinho. A Coreia do Norte (hoje República Popular Democrática da Coreia) apoiada pelo bloco comunista, China e URSS, invade a Coreia do Sul (a subida ao poder de Mão Tse-tung foi decisiva para a aprovação de Estaline a esta invasão). Os EUA imediatamente responderam na defesa da sua área de influência. Convém realçar aqui que a península da Coreia era à altura uma zona vital para a estratégia geopolítica dos dois blocos. Esta Guerra estabeleceu um padrão para aquilo que viriam a ser os conflitos da Guerra – fria, na qual as duas potências “usavam” alguns países para travar as suas guerras.

As Coreias estão ainda hoje, tecnicamente, em guerra, uma vez que após o final das hostilidades, em 1953, nunca foi assinado um armistício. O regime do “Querido Líder” Kim Il-Sung, supremo líder do Norte até 1980, altura em que entregou o poder ao seu filho Kim Jong-Il, nunca assinou o tratado de armistício proposto em 1953.

A península da Coreia está, como já referi, dividida pela DMZ (sigla inglesa para Zona Desmilitarizada) no paralelo 38, e estão mais uma vez abertas as hostilidades entre o norte e o sul, depois do naufrágio de uma corveta Sul-Coreana a 26 de Março, supostamente afundada propositadamente pelos vizinhos do norte. Neste momento a Coreia do Norte está a ficar sem margem de manobra, uma vez que o seu grande aliado, a China, acaba de anunciar que “não tenciona proteger os autores” do ataque à corveta Sul-Coreana. A tensão entre os dois países já está a baixar, mas a comunidade internacional espera por uma assunção de culpa por parte da Coreia do Norte.

Desde 2000, ambos os países assinaram uma série de acordos com vista a uma reunificação pacífica, mas se isto significa um passo em frente para a normalização da península, episódios como os que acima relatei são dois passos atrás.


*Este artigo vai ser publicado na edição de Junho do Jornal Reflexo.

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