Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Eles são os Smix Smox Smux


Já por cá vos falei dos Smix Smox Smux, e até fiz uma pequena previsão daquilo que seria o Álbum de estreia desta tripla bracarense.
Ora bem, eu até citava aqui o cavaco (perdão, o Sr. Presidente da República) e dizia que nunca falho e raramente me engano, mas além de não ser verdade era altamente pretensioso.

O álbum é mesmo bom pá!!!

Pegamos nquelas letras, ora dignas de um puto traquina com 12 anos armado em fino (o Chico esperto, como nós dizemos por aqui), ora afiadas como facas, directas aos assuntos que, e agora citando o grande profeta Filipe Palas, "estão mesmo á nossa frente, só que a maior parte do pessoal não quer ver" e juntamos aquele rock&roll, ora 80's ora blues rock digno de um bar em New Orleans nos anos 60 (oiçam a "malinha"), e ficamos com um óptimo disco nas mãos.

Confesso que sabe a pouco. Confesso que depois de ver um concerto dos Smix Smox Smux o álbum sabe a muito pouco. Não sei até que ponto esta pequena crítica é injusta, porque o álbum está muito bem gravado e produzido, mas não é, definitivamente, a mesma coisa. Em palco estas músicas soltam-se, e não é com aqueles solos muitas vezes chatos "á lá Flak", nada disso. É uma garra imensa e vontade de estar ali e fazer alguma coisa, digna de quem é uma estrela e não sabe, ou não quer saber. É a garra com que o Iggy Pop entra em palco depois de 1500 concertos e, mesmo assim, num mega festival puxa 30 ou 40 pessoas para o palco no "NO Fun".

Altamente aconselhável.

Estou certo que eles vão andar por aí, por isso, se tiverem a oportunidade, não falhem.Vale mesmo a pena.

E já agora, o disco também vale muito a pena, eu é que já tenho saudades de uma noite de loucura rock&roll e das homilias do Palas ao volante da sua guitarra. (ou suas guitarras, pois parece que nos últimos tempos uma por concerto não chega)

Eles são os Smix Smox SmuxSocialTwist Tell-a-Friend

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

dEUS existe


É certo e sabido que o Fase Berlinense, diria que pelo menos aí uns 66,6%, vive mais do revivalismo e do clássico no meu tempo é que era do que propriamente das novas maravilhas da música actual. Da parte que me toca, juro que não é propositado, mas de cada vez que ouço uma coisa nova, e este fim de semana foi St. Vincent, vou a correr ouvir algo de interessante para compensar. Ando estragadinho de todo.

E assim se faz a ponte para o sagrado: dEUS. E mais uma vez a MTV. Tal como tantas outras bandas que hoje continuo a apreciar e que são a base do meu gosto musical, estes belgas entraram tasco dentro via MTV, por entre canecas de quartilho, sardinhas fritas, campeonatos de sueca e queixas do tipo que puta de música é esta ?


O ponto de partida foi aquela coisa estranha chamada Suds & Soda. Aquele violino por entre guitarras distorcidas, baixo e bateria e o Stef lá trás a gritar friday, friday abanou com os meus conceitos de música, quase exclusivamente alimentados de R.E.M., U2 e Grunge, Pearl Jam à cabeça. Completamente diferente de tudo o que eu conhecia até então. Só mais tarde descobri que a banda começou por ser uma simples banda de covers dos Velvet Underground, mesmo estes estranhos para mim na altura.
A descoberta continuou com Hotellounge (be the death of me) e culminou comigo vidrado e completamente viciado no concerto MTV Live N’ Loud, ao que parece agora baptizado como “A hard night’s daze” (anda por aí uma bootleg ), gravado em VHS e infelizmente morto de tanto rolar. Por falar nisso, alguma alma caridosa que tenha essa pérola a pontos de querer partilhar ?

Worst Case Scenario é um dos grandes discos dos 90’s. Uma explosão de originalidade num caldeirão caótico em que a liberdade criativa foi concerteza o mote. Namorou o rock, o pop, até o jazz mas parece que não casou com nenhum. Esta pequena maravilha trouxe os dEUS do guetto de Antuérpia para a grande sala europeia e colocou-os no patamar mais alto da referência musical europeia continental, longe lá das ilhas britânicas ensimesmadas na muito sua brit-pop .


Em 1996 saiu In a Bar Under The Sea. Logo na primeira faixa, e por via das dúvidas o aviso :

“I don't mind whatever happens
I don't mind whatever goes around”,

E o festim continuou , alternando belíssimas peças pop como Little Arithmetics e Disappointed In The Sun, com monstruosas composições quase incatalogáveis como Fell of The Floor Man, A Shocking Lack Thereof ou Theme from Turnpike. O fantasma de Frank Zappa andou por perto...
Foi também o último disco de Stef Kamil Carlens com os dEUS. Muito embora as composições fossem sempre repartidas pelos outros membros da banda, pelo menos assim foram apresentadas, sempre vi na dupla Tom Barman/Stef Kamil Carlens uma força criativa que se completava e fez dos dEUS uma referência na música alternativa e underground europeu. O disco seguinte, The Ideal Crash, é também um disco muito bom, basta ouvir Instant Street, Everybody's Weird ou Sister Dew para o confirmar, mas os dEUS transformaram-se gradualmente no projecto de Tom Barman, o que bem vistas as coisas até não é nada de mau, mas aquela imprevisibilidade e experimentalismo que foram a marca dos dEUS parece ter-se perdido.

Os dEUS continuam a ser uma boa banda e a fazer bons discos, vi-os ao vivo em 1998 em Paredes de Coura e voltei lá 10 anos depois de propósito para os ver e felizmente presenciar um grande concerto. E constatar que os dEUS gostam Portugal, e que o sentimento é recíproco.

Contrariando a sina da música que lhes deu nome, em que Björk cantava nos seus Sugarcubes “Deus does not exist”, dEUS existe, e pelo menos em mim estará sempre presente.


Entre três, algum tinha de ser crente.

dEUS existeSocialTwist Tell-a-Friend

Domingo, 28 de Junho de 2009

Boato



Não é boato. "Boato", o registo ao vivo gravado em Novembro do ano passado no Jardim de Inverno do S.Luís é um prazer para os ouvidos.

Conheci JP Simões via Belle Chase Hotel, os quais na minha opinião continham alguns exageros sónicos e mesmo interpretativos que acabavam por ofuscar a qualidade das composições. Adorei o álbum "Exílio" do Quinteto Tati, com músicas abarcando vários estilos, arranjos mais equilibrados e letras magistrais, certamente nada triviais de serem escritas, e quem diga que é fácil, que experimente levitar sobre o Tejo.

"1970" foi o primeiro álbum a solo de JP Simões. Foi-me oferecido por um amigo a quem o tinham oferecido por ele gostar de Chico Buarque, o que denuncia desde logo a matriz "Buarquiana" deste álbum. Não gostei tanto, porque acho o JS Simões mais brilhante num registo mais ecléctico do que o da circunscrição ao universo de Chico. O Universo de JP vai muito além disso.

"Boato" recupera a história de JP Simões e acrescenta reportório ainda não gravado pertencente à "Ópera do falhado". Um delicioso disco.

Com o seu cinismo e pessimismo inteligentes, JP Simões é a banda sonora ideal para a minha faceta de leitor desses marados franceses todos: Baudelaire, Genet, Bataille e Céline, eles próprios meticulosos exploradores do lado escuro do ser humano. Quando oiço "Boato", sinto-me por vezes na velha Biblioteca Municipal de Viana do Castelo a ler o "Querelle, amar e matar".

Não posso terminar sem referir o excelente programa que JP Simões fez para a 2, sobre as novas bandas, "Quilómetro Zero", no qual pudemos ver os nossos amigos Smix Smox Smux, Peixe Avião e Norberto Lobo entre outros (também com blog), e que demonstra que há vida boa vida musical para lá de Vila Franca,

Se querem uma crítica a sério a "Boato", está aqui.

BoatoSocialTwist Tell-a-Friend

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Waiting for my man


Record Club: Velvet Underground & Nico 'Waiting for My Man' from Beck Hansen on Vimeo.



Já saiu o Sunday Morning, e vai sair o álbum todo da banana, tudo inserido num projecto mais vasto de "coverização" de alguns discos clássicos, assim tipo na galhofa com alguns amigos.

Há coisas fantásticas não há ?

Waiting for my manSocialTwist Tell-a-Friend

Respeito


Morreu há poucas horas Michael Jackson. Todos lhe conhecem os comportamentos aberrantes, menos vão um pouco mais além e lhe vêm a genialidade musical, o absoluto talento enquanto performer e a profunda influência que exerceu na música popular principalmente a partir do início dos anos 80.

A sua música já chegou moribunda aos anos 90, mas o que fez até então garantiu-lhe o lugar no panteão dos maiores.

RespeitoSocialTwist Tell-a-Friend

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Black Or White


But, If
You're Thinkin'
About My Baby
It Don't Matter If You're
Black Or White

Black Or WhiteSocialTwist Tell-a-Friend

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Sons de Braga


Um excelente post, na verdade um trabalho de fim de curso sobre a nova cena musical de Braga, para quem quiser conhecer melhor.

E já agora, um bar de Rock'n'Roll em plena S.Martinho de Sande(Guimarães) que tem um curriculum de fazer inveja a alguns aqui de Lisboa.

Sons de BragaSocialTwist Tell-a-Friend

Muda que muda




Pela amostra, o novo disco do João Coração promete.

Até ver na luta para música do ano, juntamente com Todas as Ruas do Amor dos Flor de Lis, que nos representou no Eurofestival da Canção deste ano, e Conceição do B Fachada.

Muda que mudaSocialTwist Tell-a-Friend

Por falar em encher estádios


Reza a história que o Quim Pastel encheu, 3 vezes, o estádio do Campelos. Será que isto conta no quiz do Facebook "Quem é a próxima banda a conseguir encher estádios em portugal, depois dos Xutos e dos GNR?"

Por falar em encher estádiosSocialTwist Tell-a-Friend

It's only rock&roll (but i like it)


Depois de comprar o álbum com o disco extra, não posso deixar de elogiar a Salomé e a versão da "dentes de lobo" do Guillul.

It's only rock&roll (but i like it)SocialTwist Tell-a-Friend

Casa das Artes de V.N.Famalicão: Amor e Fúria


Pois vamos então hoje falar da grande banhada musical do meu historial de concertos.

O Amor. Desde os meus tempos de Viana, nas k7 dos meus amigos mais melómanos aqui e ali aparecia um rasto da música desolada dos Red House Painters, quantas vezes misturada com a vizinhança da 4AD (Cocteau Twins e quejandos). Aparte esses farrapos soltos eu conhecia mal a obra da banda. Não tinha ainda reforçado a escuridão de algumas noites ao som de Ocean Beach, e o tempo de Old Ramon não tinha chegado. Mais tarde o meu irmão Paulo arranjou lá para casa o duplo Retrospective, ao qual demorei a aderir, pelas vocalizações áridas e pelas guitarras antimelódicas, não tão longe assim do estilo dos American Music Club, mas sem dúvida com mais reverberação e delay, marca registada da 4AD, como ouvimos nos This Mortal Coil. Novos artistas da editora como os Beirut (boa música via minoria ruidosa) já perderam o respeito ao pedal. Como acontece invariavelmente comigo demorei a gostar dos Red House Painters, mas a insistência compensou os franzires de testa iniciais.

A Fúria. No dia 25 de Maio de 2005 V.N. de Famalicão era o alvo. Mark Kozelek (o mentor dos Red House Painters) tocaria nessa noite, com uma tal de Lisa Cerbone que teve a sua noite de glória. Chegamos ao concerto, tudo normal. Entramos na sala...tudo normal. Entrou uma loira de guitarra em punho, muito insegura, ok - temos de a aguentar até ao Mark. A loira toca uma, toca duas, toca três...e parece espantada pelo estoicismo do público assistindo à sua actuação sem arredar pé. Agradece, nervosíssima, esquece-se dos acordes...e continua. Nunca vira tamanha primeira parte, mas lá me aguentava, incrédulo, mais o Paulo. Intervalo, saímos da sala e cá fora temos um comunicado, que resumidamente dizia: O Kozelek pirou-se. A moça da primeira parte pensara que nós sabíamos desde o início e que mesmo assim tínhamos decidido assistir a um concerto só dela sem reclamar o dinheiro dos bilhetes de volta.

A verdade foi que horas antes do concerto o Kozelek meteu-se num táxi, foi para o Porto e desapareceu do mapa astral. A parte oficiosa da história podem ler aqui. Estupefacto e furioso fiquei, e ainda não me esqueci do truque de só afixarem a comunicação a meio do concerto. Já não me lembro se voltamos à sala, ou se fomos logo embora, talvez o Paulo se lembre. Da Cerbone não ficou muita memória.

Foi assim a maior banhada em termos de concertos que tomei, seguida de perto pelo concerto do Morrisey no Coliseu do Porto.

Não deixo de pensar que a sala da Casa das Artes de V.N.Famalicão tem um je ne sais quoi de bizarro, porque entre artistas que desaparecem, outros que mandam o público levantar-se e visões de altas patentes da marinha a dançarem rancho fardadas, já não consigo escolher a melhor história. E foram só dois concertos. Estou ansioso por lá voltar.

Casa das Artes de V.N.Famalicão: Amor e FúriaSocialTwist Tell-a-Friend

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Can't Get Blue Monday Out of My Head


Neste momento reduzo-me a estes posts minimalistas porque não tenho mesmo tempo pa mais, infelizmente.
Mas os New Order são mesmo grandes. Até a Kylie Minogue concorda comigo.

Can't Get Blue Monday Out of My HeadSocialTwist Tell-a-Friend

Domingo, 21 de Junho de 2009

ANDA QUE ESTÁ DURA


Porque é que já ninguém se lembra dos Pop Dell'arte??

ANDA QUE ESTÁ DURASocialTwist Tell-a-Friend

Para lá do Arco-Íris


Hoje venho falar de livros. Neste momento estou para lá de meio do Snow Crash, de Neal Stephenson(1992), o livro que imaginou o Second Life, mas a minha intenção agora é falar de Rainbows End, de Vernor Vinge, um livro de 2006, de ficção especulativa, que nos transporta a um mundo no futuro próximo, cerca de 2050, no qual a singularidade já foi atingida.

Robert Gu é um velho poeta que sofre de alzheimer e está afastado do mundo pensante há anos. Os avanços da tecnologia tornaram possível que todo ele fosse remodelado e surgisse de novo ao mundo na aparência dos seus 20 anos.

Gu está completamente inadaptado às exigências do novo mundo de 2050. A realidade aumentada pelos computadores embutidos na roupa, misturando a realidade tangível com a realidade virtual, a ubiquidade das conexões à rede, as completamente novas formas de interagir e o choque geracional de ter de lidar com uma neta muitíssimo mais poderosa em termos de recursos cognitivos do que ele não são desafios fáceis para ele. E ainda mais difícil de engolir é a necessidade de ir para a escola básica para reaprender tudo e ter que trabalhar com fedelhos tecno-avançados, mas ainda assim fedelhos.

Depois temos Mr. Rabbit, uma entidade virtual que ninguém sabe se é uma pessoa, um computador ou uma entidade super inteligente que funciona em rede. As guerras deixaram de ocorrer em campo aberto para se tornarem guerras pelo domínio e disseminação da informação pela rede, algo que começamos agora a assistir de forma espectacularmente realista quando vemos o twitter a minar todos os esforços do governo iraniano no sentido de bloquear a informação sobre a contestação nas ruas ao resultado das últimas eleições(sigam #iranelection). É estranho ver as cadeias noticiosas a ficarem nítidamente para trás.

Rainbows End é quase tanto um romance como um ensaio especulativo sobre as consequências da crescente predominância da tecnologia nas nossas vidas para o bem e para o mal. Uma grande leitura.

Snow Crash é outro grande livro nesta linha, que nos coloca numa América desagregada e sem governo central, governada por corporações privadas, na qual as pessoas fogem à realidade através de um mundo virtual, o Metaverso. Um vírus informático começa a ser uma preocupação séria, mas disso falaremos depois.

Para lá do Arco-ÍrisSocialTwist Tell-a-Friend

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

BOA SORTE !!!


LET'S ROCK&ROLL THIS SUMMER!!!

BOA SORTE !!!SocialTwist Tell-a-Friend

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Quando é que as pessoas começam a aprender isto????


There's no such thing as bad publicity

Quando é que as pessoas começam a aprender isto????SocialTwist Tell-a-Friend

Este Aleixo...





A vida na grande terra
corrompe a humanidade
Entre a cidade e a serra
prefiro a serra à cidade

António Aleixo


Tem razão, o ar é muito mais puro. Comprovadamente.

Este Aleixo...SocialTwist Tell-a-Friend

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

O sonho acabou, que posso eu dizer?


Em 1970 estava tudo acabado. A morte de Brian Epstein em 68 precipitou os Beatles numa anarquia de génios. O Álbum Branco tem muitas boas canções, mas não é um álbum de uma banda. Let it Be é gravado numa vertigem megalomaníaca de barco sem almirante, com confrontos e rapto dos masters da gravação por Phil Spector, sendo o último álbum a ser lançado apesar de ser o penúltimo a ser gravado. Paul McCartney tenta uma OPA hostil pondo o sogro ao comando do management, mas não é bem sucedido. Ringo sai da banda porque acha que os outros pensam que a culpa é dele, sendo que os outros pensam que os outros pensam que a culpa é deles (estão a ver?), e afinal já o Lloyd Cole sabia que a culpa era da Yoko. Num último estertor reunem-se cavalheirescamente para Abbey Road, mas Harrison não permite que seja interpretado qualquer tema seu no célebre concerto do telhado. Acho que Lennon, entretando a braços com a heroína, ou com a heroína nos braços - não sei bem -, estava a precisar de algo.

Uns anos após a experiência na Índia em que o guru mandava rezar mas ficava com as mais bonitas para si, Lennon precisava de algo mesmo, mesmo cool.

O mais cool pelas medidas de 70 era a Primal Scream Therapy, uma terapia avant-garde cujas maiores realizações são, não curar maníacos excêntricos, mas dar origens a álbuns e a nomes de banda. Arthur Janov incitava os seus pacientes a regredir à infância e a gritar, como se diz na minha terra, a botar tudo cá pra fora.

Assim fizeram Lennon e mais a sua Yoko, e como a gritaria e a regressão eram algo que não era inédito nos meandros do Rock'n'Roll, Lennon achou que da experiência poderia nascer música. Foram gravados dois álbuns: Yoko Ono/Plastic Ono Band e John Lennon/Plastic Ono Band. Confesso aqui que quando fui comprar o segundo trouxe o primeiro para casa, o que me valeu alguns minutos de confusão e horror. Por fim lá me trocaram o cd, e foi-me dado a ouvir um álbum puro, autêntico, sem defesas.

«Mother» acerta contas com o abandono pelos pais, «Isolation» fala do medo, «Hold on» é sobre resistência; «I found out» entra na descoberta de si mesmo. «Love» é sobre ser-se humano. «God» é sobre a libertação de todo o tipo de crenças até ao mais básico. Claro que muito do que Lennon aqui professa foi contraditado nos episódios seguintes, mas isso só prova que ele era humano.

John Lennon/Plastic Ono Band é o grito de libertação de um ser humano fragilizado, que o levaria à pureza de «Imagine» no ano seguinte, pureza tão branca que só poderá estar destinada à nódoa e à deriva - no famoso fim de semana de 14 meses anos depois.

John Lennon/Plastic Ono Band é um álbum em que Lennon está mais nu que em «Two Virgins», mais exposto e mais honesto. É um álbum totalmente espiritual, dos mais bonitos que se fizeram.

O sonho acabou, que posso eu dizer?SocialTwist Tell-a-Friend

Sábado, 13 de Junho de 2009

Coisas novas IV


Porque hoje o variações continua a ser coisa nova alastrar....


Estou além



Não consigo dominar

Este estado de ansiedade

A pressa de chegar

P’ra não chegar tarde

Não sei de que é que eu fujo

Será desta solidão

Mas porque é que eu recuso

Quem quer dar-me a mão



Vou continuar a procurar a quem eu me quero dar

Porque até aqui eu só



Quero quem

Quem eu nunca vi

Porque eu só quero quem

Quem não conheci

Porque eu só quero quem

Quem eu nunca vi

Porque eu só quero quem

Quem não conheci

Porque eu só quero quem

Quem eu nunca vi



Esta insatisfação

Não consigo compreender

Sempre esta sensação

Que estou a perder

Tenho pressa de sair

Quero sentir ao chegar

Vontade de partir

P’ra outro lugar



Vou continuar a procurar o meu mundo, o meu lugar

Porque até aqui eu só



Estou bem

Aonde não estou

Porque eu só estou bem

Aonde eu não vou

Porque eu só estou bem

Aonde não estou

Porque eu só estou bem

Aonde não vou

Porque eu só estou bem

Aonde não estou



ATÉ SEMPRE ANTÓNIO.

Coisas novas IVSocialTwist Tell-a-Friend

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Coisas novas III


Era disto que eu falava ontem...
Na Fnac do Braga Parque, este mês, com a chancela da RUM.
O cartaz completo:

15.06.2009 - The Weatherman

16.06.2009 - Papercutz

17.06.2009 - Madame Godard

18.06.2009 - Gomo

19.06.2009 - Sean Riley & The Slowriders

Coisas novas IIISocialTwist Tell-a-Friend

Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Sempre presente


Sábado, dia 13/06 passam 25 anos sobre a morte de António Variações. A Antena 1 vai ter um programa especial às 19h00. A não perder.

Sempre presenteSocialTwist Tell-a-Friend

Coisas novas II


Já aqui se falou da TSF no final dos anos 90 e da dificuldade em "seleccionar" as novas coisas que nos vão atropelando, dia a dia, nesta sociedade espectacularmente livre e global que é a Internet.
Conseguimos encontrar nestes dois factos alguma relação? SIM. Em minha opinião sim. Não concretamente na TSF, mas no pobre panorama radiofónico nacional.

Tempos houve em que TSF, Rádio Comercial, Antena 3 entre outras emissoras nacionais nos faziam essa "selecção". Hoje, exceptuando alguns programas de autor da Antena 3 (indiegente á cabeça) e uma ou outra musica "random" da TSF, as rádios portuguesas não têm música de qualidade.

Eu até nem me posso queixar muito, pois tenho ao alcance das ondas do meu rádio a Rádio Universitária do Minho (RUM), que me mantém, musicalmente falando, mas a formatação das rádios como a vemos hoje em muito contribui para essa dificuldade de escolha. O papel de selecção qualitativa das rádios não existe mais, sendo que temo bem que quem faça essa selecção hoje em dia sejam as editoras e distribuidoras.

Não tenciono fazer aqui nenhum estudo empírico sobre a relação entre o fim da qualidade musical nas rádios portuguesas e o nascer de uma geração plástica, absurdamente inculta musicalmente(e não só) que consome o que lhe dão sem ter o prazer da procura e da descoberta de novos sons e nova música(quem não pensou ter chegado ao céu com a descoberta do Ágætis byrjun dos SIGUR ROS????), mas que esse estudo bem podia ser feito e ter resultados surpreendentes, ai isso podia.

Coisas novas IISocialTwist Tell-a-Friend

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

No pântano


Infelizmente, a minha paciência para ouvir novas bandas não é muita. A oferta é muita e concerteza estou a perder muita coisa boa, mas entendo como humanamente impossível prestar a devida atenção a tudo o que me chega aos ouvidos. De toda a maneira (como diz o bom emigrante), de vez em quando sempre aparece qualquer coisa que me consegue arrebatar.

The Dead Will Walk Dear, álbum dos desconhecidos (pelo menos para mim) The National Lights foi um dos que me conseguiu dobrar . O tom simples e despretensioso em puro folk/pop das guitarras acústicas, slide guitar, banjos, órgãos e outros instrumentos que não sei o nome, dá base com belíssimas (embora não melosas) melodias a um álbum negro e carregado de letras escuras, relatos mórbidos em voz doce de contos onde a morte está sempre presente. Riverbed, Swimming in the swamp, O’ Ohio são músicas que Johnny Cash provavelmente não recusaria interpretar.

É desta aparente dicotomia que chega a ser perturbante que vive este magnífico álbum, e é nela que reside o seu encanto . Assim como quem não quer a coisa, em 27 minutos.

No pântanoSocialTwist Tell-a-Friend

Vai gravar um disco e volta já...


O Samuel Úria está hoje, dia dez, a fazer um sprint para gravar um álbum, tudo à vista de toda a gente na central musical. Em programação chamaríamos a isto extreme programming, por isso vou tomar a liberdade de lhe chamar extreme recording. Compor e gravar todo um álbum em 24 horas.

Isto sim, é o prog rock do avesso.

Vai gravar um disco e volta já...SocialTwist Tell-a-Friend

Guardado na memória (e na estante)


Em 1999 a rádio TSF andava esquisita, após o grupo à qual pertencia ter acabado com a rádio de música independente Xfm (para uma imensa minoria), a TSF ficou com a missão de preservar o espírito, e de facto pareceu por algum tempo possuída por alguma musa. Os «Sinais» do Fernando Alves eram poesia, a locução da Inês Meneses era bem mais que o frio interlúdio entre programas, e até a altas horas da noite, os noticiários do Pedro Malaquias (que para quem não sabe escreveu muito boas letras para os Rádio Macau - «Anzol» incluído -, e também para o Paulo Gonzo - sim, «Jardins Proibidos» arrgghh), eram um autêntico boletim satírico. Tudo culminou com a magnífica campanha por Timor, mais tarde, na qual a rádio esteve uma série de tempo sem sequer emitir publicidade. Uma ode ao idealismo até ao PREC (Período de Rangelização em Curso) que veio trazer pérolas políticamente correctas como o «Fórum Mulher» e arrumou de vez com o prazer da rádio, e com os últimos vestígios de bom gosto musical.

Mas em 99, dizia eu, pelas sete da manhã era quase sagrado ouvir uma música na TSF, essa música era «Toledo», e a voz, reconhecia eu, era a de Elvis Costello. Toca a investigar, e lá cheguei a «Painted from memory», um álbum de co-autoria entre Costelo e o velho Burt Bacharach de fama easy-listening.

Tudo começou em 96 com o convite para escreverem uma música para a banda sonora de Grace of my heart de Allison Anders. A dupla ganhou-lhe o gosto e decidiram compor um álbum inteiro, pensado à velha maneira easy-listening, com umas cantoras e tal (e que boas elas eram, basta pensar em Dionne Warwick, que eu ouvi pela primeira vez numa música contra a Sida, com o Elton John e o Stevie Wonder, música escrita por Bacharach em meados de 80). Costello ia cantando nos ensaios e a meio do caminho ficou ele mesmo o cantor, e não ficou mal.

O álbum em si tem belas composições e arranjos irrepreensíveis, a nível lírico versa sobre um casal em ruptura após as traições do marido. Em paralelo, algumas das canções do álbum foram gravadas por Bill Frisell, para o álbum «The Sweetest Punch» com Costello e Cassandra Wilson nas vozes de algumas músicas, outra visão das mesmas canções, igualmente brilhante.

Passado o período de repulsa subsequente a imoderadas audições até à saturação, eis chegada a hora de desempoeirar esse amado álbum, e voltar a cantarolar «You hear her voice - How could you do that?»

Guardado na memória (e na estante)SocialTwist Tell-a-Friend

Domingo, 7 de Junho de 2009

A vida, e como vivê-la


Sempre gostei de apanhar nas músicas referências para leituras. Com Jim Morrison cheguei a Nietzsche, Rimbaud e Blake; com Morrisey conheci Oscar Wilde, e com Lou Reed fui a Dostoievski. Fico contente de verificar que em várias frentes da edição da FlorCaveira são apontadas referências a um velho amigo meu, cuja leitura é merecida sob muitos pontos de vista.

Quando estudava em Viana do Castelo, cidade de província pouco acostumada a estéticas de vanguarda, não foi sem certo frissom que apareceram em 1994, guitarra na mão e músicas dos Nirvana nos desfiles académicos, uns seres estranhos, provenientes de Guimarães (curiosamente também a minha terra natal). De entre eles sobressaía o Ricardo, com o seu cabelo comprido, capote e citações de Nero desejando ver a cidade a arder (onde é que eu ouvi isto recentemente?). Uma particularidade, debaixo do braço sempre o mesmo livrinho pequeno: «O Banquete», de Soren Kierkegaard.

Neste livro, seis homens num banquete discorrem sobre as mulheres e o amor, sendo todo ele uma reflexão sobre a primeira fase do sistema filosófico de Kierkegaard, a estética. A seguinte citação do blog expressoriente resume brevemente esse sistema:

Para Kierkegaard, são possíveis três posturas diferentes em face da vida: a "estética", dominada pela valorização do que é singular e diferente, o "ético", centrado no geral e nas leis universais, e o "religioso", perspectivado como uma relação privada entre cada um de nós, enquanto indivíduo, e o Outro (o que quer que ele seja). Como seu reverso, o "estético" desemboca no tédio e na melancolia, o "ético" no aborrecimento e na formalidade, enquanto o religioso esconde em si uma angústia sem palavras.
Quando finalmente consegui pôr as mãos na edição da Guimarães Editora, os meus tenros 19 anos conduziram-me a prestar mais atenção ao cativante discurso de Johannes Climacus, o sedutor, do que a qualquer outra coisa mais desse livro, mas os livros são armadilhas, e esse encanto juvenil foi o caminho para leituras mais profundas.

Kierkegaard nasceu em Copenhaga, na Dinamarca em 1813, foi sempre obsessivamente solitário e viveu assombrado pela presença despótica do seu pai. Um homem à frente do seu tempo, foi o precursor directo do existencialismo (a palavra existencialista aparece pela primeira vez no Post-Scriptum conclusivo não científico: Composição mímico-patético-dialéctica), filosofia que tomaria o mundo de assalto um século mais tarde, com Sartre à cabeça, e viria a reflectir sobre o problema da existência, como podemos ler em Kierkegaard em 90 minutos:
A filosofia central do existencialismo - "o problema da existência" - foi considerada um produto típico do século XX, com as suas características alienação, angústia, absurdo e preocupação com temas inquietantes do género. Mas tudo isso provém directamente de Kierkegaard, nascido quase um século antes de Sartre.
O último estágio da filosofia de Kierkegaard é o religioso, e não me custa a crer que é aqui o maior ponto de ligação da FlorCaveira a este autor, que escreve:
A única maneira de um indivíduo escapar ao desespero é "optar pelo próprio eu" e dar o salto da fé.
Agora vamos à música. Eu encontrei referências a Kierkegaard no primeiro (acho eu) CD de Os Pontos Negros, na música "A temer (a tremer)" - uma óbvia referência ao livro «Temor e Tremor» no qual Kierkegaard analisa uma passagem de Abraão na Bíblia. No Guel, Guillul e o Comboio Fantasma, Kierkegaard é nomeado em «A multidão é falsidade», e no clip de «Beijas como uma freira» Kierkegaard é um dos Warholizados.

Abro desde já o concurso aqui nos comentários para quem encontrar mais referências a Kierkegaard. Abstenho-me de fazer o mesmo em relação a Calvino pois não há ocasião em que ele não venha à tona.

Ps: Gostaria de falar muito mais de Kierkegaard, um dos filósofos que mais me ensinou(ainda nem falei na Regine), mas tenho tido queixas de que canso as pessoas com tanta treta.

A vida, e como vivê-laSocialTwist Tell-a-Friend

B Fachada: Uma noite em Guimarães

Depois de uma oportunidade desperdiçada, aquando da sua passagem pelo Alla Scalla com o Tiago Guillul, finalmente um concerto do B Fachada. O espectáculo teve lugar na Associação Convívio em Guimarães, no Norte onde o artista diz sentir-se muito bem -"Adoro isto!". Registamos e apreciamos o elogio Bernardo !

Não conhecia o espaço, mas saí com a melhor das impressões e a perguntar-me porque não tinha ido lá antes. Espaço acolhedor e labirinto multi-cultural que aconselho vivamente.

Foi numa das salas de visitas da casa que o Fachada deu um daqueles espectáculos que perdurará na memória. A confirmação de que realmente é um artista bem acima de toda esta espécie de campeonato do novo pop/rock português, não obstante a ligação (diria mais comercial que outra coisa) à FlorCaveira. E a constatação de que no seu caso os discos são meros veículos acessórios de divulgação, porque o artista sozinho com a sua voz e batendo o pezinho, sem banda ou outros instrumentos que não a guitarra ou a viola braguesa, faz a festa, lança os foguetes e apanha as canas. Basta a sua presença para a música ganhar uma força impossível de registar em disco. O mais velho já o tinha notado. De repente a Soraia ficou mais bonita,o mais convincente e fiquei ainda com mais pena da Conceição. No mesmo timbre não faltou à chamada a Dª Filomena, "sem amplificação, por respeito à Dª Adélia".
Tempo ainda para os hits Tradição e Anda que está dura e para a obrigatoriedade de propagandear os patrões da FlorCaveira, "despachando num instante" uma versão d' Os Pontos Negros "infinitamente melhor que o original" e outra do Bruno Morgado. Uns que já editaram e outro que está para editar pela etiqueta.

A comparação é já um cliché, mas é quase impossível ver o B Fachada e não pensar em António Variações. Tal como Variações, a sensação que dá é de que o Fachada está fora do seu tempo. Só não sei se mais à frente ou mais atrás...

B Fachada é por estes dias o único artista português capaz de encher salas pequenas. De gente e de talento. Eu sei, é um exagero, mas o artista merece-o.

B Fachada: Uma noite em GuimarãesSocialTwist Tell-a-Friend

Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Eles são os Smix Smox Smux


Claro que só estou a fazer este Post porque apareço no videoclip. Esta não é das minhas músicas preferidas, mas gostei sinceramente do vídeo. Parabéns ao Manel Fúria pela ideia e á Amor Fúria pelo restante trabalho. video

Eles são os Smix Smox SmuxSocialTwist Tell-a-Friend

Vira o disco e toca o mesmo

Dei folga de umas horas ao Nick Cave e dispus-me a ouvir o tão falado Veckatimest, dos Grizzly Bear. Ora bem, o hype não é exagerado. É MUITO EXAGERADO.
Jogos de vozes, uma ou outra guitarrada mais manhosa mas nada de novo num disco igual a muitos outros. Band of Horses e My Morning Jacket bastava.

Voltando aqui e aqui, compreendo muito bem o mais velho. É preciso um esforço muito grande para encontrar referências na música dos 00's. Animal Collective, The National, Antony e... se me lembrar de mais alguém faço uma adenda ao post.

Como terapia, vinho doutra pipa, de uma colheita dos 90's

Vira o disco e toca o mesmoSocialTwist Tell-a-Friend

Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Palma's Gang


Vim só lembrar que numa altura em que andava tudo louco com os Unplugged, o Jorge Palma juntou alguns amigos e escreveu com letras de ouro mais uma página da música portuguesa.

Palma's GangSocialTwist Tell-a-Friend

Anjinhos

O anjo quis ser homem.

Notável filme de Wim Wenders. Filmado em Berlim, podia ter sido em Budapeste, Praga. O imaginário do underground europeu está lá em toda a sua essência.

Tudo porque por estes dias adormeço e acordo com Nick Cave a massacrar-me a cabeça.


AnjinhosSocialTwist Tell-a-Friend

Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Não me chames filha


Abriu-se a caixa de pandora dos anos 90 bem medidos, corpo em câmara lenta...

Para dar o meu subsídio para este tema do Grunge, devo dizer que ouvi há cerca de um mês o «Ten», pela primeira vez em anos. Depois da saturação há um período de nojo, que no meu caso é longo. Ouvi sem nostalgias, e continuo a gostar muito do som e da atitude de urgência daquilo. Contudo todo este período do Grunge não tem para mim o poder mítico de outras eras, embora me tenha apanhado em força nos meus 15 anos.

O Grunge tem o seu contexto, aparece no fim dos anos 80, em muito como reacção à estética yuppie dessa década. Os anos 80 são glorificados por filmes como «Wall Street» e o materialismo e a busca do sucesso por todos os meios reinaram. Manhattan era a meca, cocaína era a droga. Não é por acaso que «Geração X» de Douglas Coupland, que narra a história de personagens atulhados em materialismo buscando idealismo e espiritualidade, e «American Psycho» de Bret Easton Ellis, que caricatura e satiriza o Manhattan way of life surgem exactamente na mesma altura.

A reacção a isso foi ir buscar o legado anterior aos plásticos e sintetizados anos 80, Led Zeppelin e Jimi Hendrix à cabeça, com misturas interessantes com Beatles (Nirvana) e muitas outras coisas dos finais dos anos 60 e anos 70. Claro que aos fatinhos impecáveis e ao gel teria de se contrapor o aspecto indigente e desorganizado. E claro, a droga era a heroína, que não era coisa para yuppies, mas para homens.

Na altura vivemos aquilo intensamente, porque tresandava a rebeldia, as letras alienadas repletas de todo o tipo de complexos de édipo, desespero e inadequação cumpriram a sua missão de tábua de salvação e mantra para os adolescentes como eu, e a morte do Kurt trouxe uma comoção imensa e inaugurou o período em que o Grunge começou a resvalar.

Pearl Jam saem-se com Vitalogy, um álbum altamente convulsivo e de busca de identidade. Kurt Cobain foi beatificado e de repente tudo desapareceu e só existia o Unplugged em que toda a gente passa a venerar «The Man who sold the World», «Jesus don't want me for a sun beam» ou «Where did you sleep last night» como as melhores composições de Kurt (este colocar a nu do carneirismo acéfalo foi a sua última vingança), Layne Staley entrou num poço sem fundo, para os Soundgarden o Sol transformou-se num buraco negro, os Smashing Pumpkins lançam Mellon Collie and the Infinite Sadness, tão bom que a partir daí só poderia ser a descer. E aí se foi o Grunge como veio, se bem que a nível comercial ainda foi rendendo por mais uns anitos, mas sem alma. DAD e Mudhoney nem sequer chegaram a sair realmente do underground da SubPop. Os Stone Temple Pilots já são um sucedâneo, com boas canções a espaços, mas um sucedâneo de Pearl Jam.

Claro que o Grunge marcou as pessoas, muita fogueirinha se deflagrou ao som de «Daughter», e até tive de aturar uns Blind Zero iniciais, com o Guedes a imitar cada tique do Eddie Vedder. Como em todas as modas muitos copiaram a roupa, os cortes de cabelo e as faltas de banho, e mais nada.

Qual a mensagem do Grunge a esta distância? Não sei. Acho que nenhuma. Quando tentaram colar a Cobain o estatuto de voz da geração ele recusou e colapsou, pois apenas queria tocar e ser famoso (isto antes de o ser, depois já não queria). O Grunge não queria mudar a sociedade e não tinha ideologia porque na verdade era bastante individualista. Cada um gania com as suas próprias dores.

Eu acho que o Grunge teve a sua época e foi definitivamente uma moda. Algumas bandas evoluiram, outras (a maior parte) ruíram. Não renego o Grunge como importante para mim, mas também não o mitifico.

Não me chames filhaSocialTwist Tell-a-Friend

Seattle - Eu não me esqueci


Ouvi há instantes a nova música que os Pearl Jam apresentaram no Tonight Show do Conan O'brien. Numa altura que parece crime dizer que se gosta desse pessoal do grunge, cá estou eu a defender a minha quinta.
Não gostei da música que ouvi, nem sequer gostei do último álbum dos Pearl Jam, mas parece-me no mínimo reaccionário, este pessoal todo, que há uns anos vestia camisas de flanela e comprava skates pa ser parecido com os de Seattle, anda agora a dizer que aquilo não foi nada de especial.
Pode ser opinião sincera, de quem na flor da juventude adorava aquilo e que agora, menos "revolucionários" achem aquilo uma seca, mas a mim parece-me mais um snobismo de pseudo-intelectuais que ontem adoravam os Nirvana e os Pearl Jam (talvez não conhecessem sequer os Mudhoney ou os Soundgarden) e hoje andam loucos com os Mars Volta e os MGMT.
Eu era muito novo no Boom da cena de Seattle, mas faz parte da minha essência a essência do Grunge, sou todo "Jeremy" e "Touch me i'm Sick", ainda ando com a "Lithium" a "Breed" e a "Rape me" no meu AIPODE.
E só não visto camisas de flanela porque está calor e no inverno o meu pai anda com elas!

Seattle - Eu não me esqueciSocialTwist Tell-a-Friend

Mensagem para as novas gerações




"Puta que os pariu!"

Luiz Pacheco.

Mensagem para as novas geraçõesSocialTwist Tell-a-Friend

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

A admirável música nova e eu



Num interessante post no qual comenta certeiramente o meu post anterior, o Miguel Vaz do Minoria Ruidosa chega mesmo a diagnosticar-me uma posição bem conservadora face à evolução do Rock nos últimos tempos.

Na verdade a minha miséria é bem pior do que essa, porque a minha ausência de ícones de referência dos anos zero deve-se tão só à ignorância, que só não é total por acção dos meus companheiros de blog, um deles mais novo dez anos que eu, que ainda vão por caridade dando algo de novo e interessante a ouvir ao seu decrépito irmão mais velho. No início de Fevereiro não sabia que raio eram a FlorCaveira, Amor Fúria, e não fora ser levado a ver o Guillul ao vivo e ainda hoje estaria a dizer ao meu irmão para comprar discos ao menos bem gravados.

A realidade é que o meu acompanhamento do quotidiano musical sofreu grave revés de há dez anos para cá, desde que comecei a interessar-me cada vez mais pelos antepassados que as novas bandas vão reclamando como referências. Por isso o meu telescópio foi-se focando mais nos Velvet, nos Doors, Jimi Hendrix, Nick Drake, David Bowie, Brian Eno, Stones e Beatles e muitos outros, todos eles com os seus anos de glória antes do meu nascimento (com excepções), e fui progredindo pelos anos 80: Joy Division (tão importantes para mim como os Velvets), Utravox, Bauhaus, The The, The Smiths (grandes, grandes), Stone Roses, The Cure, New Order, Sétima Legião, Mler If Dada, Pop Dell'arte e por aí fora. Os anos 90 foram sim os anos da minha adolescência, e Nirvana, Pearl Jam, Stone Temple Pilots, Pixies, Alice in Chains, R.E.M (comecei com o Out of Time), Massive Attack, Radiohead, Jeff Buckley, os imensos Mão Morta e Tindersticks foram companheiros de crescimento.

Finada a década de 90, com o meu maior conhecimento do passado, foi-se criando em mim a ideia de que quase tudo era clone de algo que já ouvira, o que não é mau em si, mas sentia faltar a muitos o quilómetro extra que permite a algumas bandas adquirirem a sua identidade para lá do pastiche. A verdade também é que a música que foi sendo feita quando eu entrei pelos vintes deixou de ser escrita para as minhas vivências e interesses, e o meu entendimento da má qualidade de muita música, admito, muitas vezes não terá passado de inadequação.

Mas onde há fumo há fogo, e o grande produtor Tony Visconti (triologia berlinense de Bowie, Ringleader of the Tormentors, de Morrisey), ele próprio descreve na sua biografia o que se passa com a música actualmente (mas ele ainda é mais velho do que eu ):

«Why does everything on the radio sound like shit these days? (...) It's become a formula and the situation is something we have to live with it. (...) As future songwritters you will have to toe the line. Since kids aren't buying CD's write simple formulaic stuff for comercial radio, film soundtracks and commercials - that's it.»
Naturalmente, no underground existem verdadeiros artistas que vão furando aqui e ali o esquema: o meu melhor concerto do ano passado foram os The National em Guimarães, como disse antes vi duas vezes o Antony (surpreendi-me com o Brit award), e também fui ao funeral dos Arcade Fire, por isso admito que existindo estes bons, possa estar a ignorar ainda muitos mais.

João Lisboa, que eu respeito imenso, fala de renascimento com esta nova vaga da FlorCaveira - não me esquecendo eu da Catadupa, Amor Fúria e MerzBau (em fim de vida infelizmente), - e eu reconheço que existe algo de novo em muita desta música, não tanto a nível sónico, mas na renovação do marasmo que tem sido a música portuguesa nos últimos anos. É um pouco o mesmo tipo de fenómeno através do qual o software livre (outra das minhas causas) vai ganhando terreno à grande Microsoft, aproveitando o poder da net para criar comunidades informais, mas espantosamente robustas, que apanham desprevenido o sistema.

De repente senti-me com vontade de prestar atenção às novidades, dois dos meus irmãos juntaram-se a mim, e este blog nasceu um pouco para entrar no debate, aprender e conhecer mais, e no meu caso, ir partilhando as velharias que fui acartando ao longo destes anos, numa espécie de feira da ladra musical.

Portanto, Viva o Rock!

A admirável música nova e euSocialTwist Tell-a-Friend